ACIDENTE DE TRABALHO ENTRE A EQUIPE ASSISTENCIAL MULTIPROFISSIONAL UMA AVALIAÇÃO DA SUBNOTIFICAÇÃO; JACQUELINE DE ALMEIDA GONÇALVES

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
ESCOLA DE ENFERMAGEM
JACQUELINE DE ALMEIDA GONÇALVES
ACIDENTE DE TRABALHO ENTRE A EQUIPE ASSISTENCIAL
MULTIPROFISSIONAL
UMA AVALIAÇÃO DA SUBNOTIFICAÇÃO
Belo Horizonte
2007JACQUELINE DE ALMEIDA GONÇALVES
ACIDENTE DE TRABALHO ENTRE A EQUIPE ASSISTENCIAL
MULTIPROFISSIONAL
UMA AVALIAÇÃO DA SUBNOTIFICAÇÃO
Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado da
Escola de Enfermagem da Universidade Federal de
Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção
do título de Mestre em Enfermagem.
Orientadora: Prof.a Dr.a Adriana Cristina de Oliveira
Belo Horizonte
2007Universidade Federal de Minas Gerais
Faculdade de Enfermagem
Programa de Pós-Graduação do Curso de Mestrado da Escola de Enfermagem
Dissertação Intitulada: “ACIDENTE DE TRABALHO ENTRE A EQUIPE ASSISTENCIAL
MULTIPROFISSIONAL – UMA AVALIAÇÃO DA SUBNOTIFICAÇÃO”, de autoria da
mestranda Jacqueline de Almeida Gonçalves, aprovada pela banca examinadora constituída
pelos seguintes professores:
Prof.a Dr.a Adriana Cristina de Oliveira – Orientadora
Prof.a Dr.a Adelaide De Mattia Rocha
Prof.a Dr.a Aline Cristine Souza Lopes
Prof.a Dr.a Adriana Cristina de Oliveira
Coordenadora do Programa de Pós-Graduação da Escola de Enfermagem
UFMG
Belo Horizonte, outubro de 2007.DEDICATÓRIA
À todas as pessoas que contribuíram para a realização deste
trabalho e acreditaram no meu potencial, demonstrando
sentimentos de carinho, amor, compreensão e incentivo durante
mais esta etapa da minha vida, o Mestrado.AGRADECIMENTOS
A Deus, por permitir esta inesquecível experiência;
Aos meus pais, pelo incentivo profissional e pelo reconhecimento;
À minha irmã, Mariceli, pela compreensão, carinho e admiração;
À Prof.a Adriana Cristina de Oliveira, minha orientadora, pela confiança,
enriquecimento, crescimento, oportunidade, disponibilidade e paciência durante esta jornada;
Aos profissionais da equipe multiprofissional do Centro Cirúrgico, pela participação e
colaboração na pesquisa;
À Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais, por possibilitar
esta honrosa oportunidade;
Ao Dr. Ricardo Reis, do Serviço de Atenção a Saúde do Trabalhador (SAST), pela
gentileza e contribuição nesta pesquisa;
À Adriana (bolsista da Iniciação Científica), pela colaboração e paciência;
Às amigas Maria Henriqueta e Daniela Mascarenhas, pelo incentivo e amizade;
Ao André, pelo incentivo, compreensão e sensibilidade diante da dedicação ao
mestrado;
À Prof.a Dr.a Darcília, pela amizade e pelo incentivo ao meu despertar como
pesquisadora;
Aos meus familiares, pelo incentivo e pela compreensão com as minhas freqüentes
ausências.RESUMO
Esta pesquisa, de natureza epidemiológica, com delineamento transversal, foi realizada no
centro cirúrgico de um hospital geral, público e universitário, com atividades de ensino,
pesquisa e assistência. Objetivou avaliar a notificação dos acidentes de trabalho entre a equipe
assistencial multiprofissional de saúde de uma unidade do centro cirúrgico; identificar a
incidência dos acidentes com material biológico entre a equipe assistencial multiprofissional
de saúde; determinar a situação vacinal para hepatite B dos profissionais acidentados; e
relacionar as condições que o trabalhador atribui a ocorrência do acidente. Os dados foram
coletados no período de março a junho de 2007, por meio de um questionário, com questões
relacionadas a aspectos demográficos (sexo, idade, profissão, tempo de serviço e tempo de
setor de trabalho) e com questões voltadas para a adoção de medidas de precauções-padrão,
ocorrência de acidentes, condutas tomadas após acidente de trabalho (notificação ou não) e
esquema de vacinação. Para a análise dos dados, usou-se estatística descritiva, teste de Qui-
quadrado, Exato de Fisher e Odds Ratio. Os 127 participantes da pesquisa foram distribuídos
nas seguintes categorias: médicos (23,8%), residentes de medicina (30,1%), enfermeiros
(1,6%), técnicos de enfermagem (20,9%), auxiliares de enfermagem (16,5%) e serviços gerais
(7,1%). Na categoria médicos, predominou o sexo masculino (82,4%); na equipe de
enfermagem, houve predomínio do sexo feminino (76%); e na serviços gerais, uma atuação
exclusivamente feminina. A idade média dos profissionais foi de 34 anos, com tempo médio
de formação de dez anos, atuação no hospital de estudo de oito anos e tempo de trabalho no
setor de sete anos. De acordo com as respostas ao questionário, o descarte de material pérfuro-
cortante foi relatado de forma adequada para 81,1% e o não reencape da agulha ocorreu em
apenas 43,4%. Entre os profissionais, 48,8% não souberam o significado da sigla CAT e
98,9% atestaram o recebimento de informações sobre biossegurança em algum momento da
formação ou atuação profissional. O esquema completo de vacinação para hepatite B foi
verificado em 75,6% e a confirmação da viragem sorológica (anti-Hbs) em 40,2% para a
totalidade dos participantes. A notificação do acidente de trabalho foi realizada por apenas
15,4% dos entrevistados, fato justificado por: irrelevância do acidente, desconhecimento do
protocolo de rotina, displicência e sobrecarga de trabalho. A categoria profissional que mais
se acidentou foi a médicos (46,6%), seguida de residentes de medicina (33,3%), auxiliares e
técnicos de enfermagem (13,4%) e serviços gerais (3,3%). A imunização dos profissionais
acidentados foi constatada em 80%, com realização do anti-Hbs em 56,7% dos relatos. As
atividades que propiciaram a maioria das ocorrências dos acidentes foram: manipulação de
agulha (73,3%) e procedimento cirúrgico (56,7%). A categoria médicos apresentou 6,3 (2,2-
17,8) vezes mais chance de se acidentar e 3,8 (1,5-9,7) vezes mais chances de esse acidente
ocorrer entre os homens. Para o descarte inadequado do material pérfuro-cortante, a chance de
se acidentar nessa condição foi de 3,4 (1,2–9,3) vezes. Diante desses resultados, sugere-se a
implementação de treinamentos dos profissionais acerca da adoção de medidas de
biossegurança, através da realização de programas de educação permanente, palestras
informativas sobre o fluxo da notificação dos acidentes e amparo legal do trabalhador,
visando à redução dos acidentes envolvendo material pérfuro-cortante.
Palavras-chave: Equipe de assistência ao paciente. Centro cirúrgico hospitalar. Acidentes de
trabalho. Notificação de acidentes de trabalho. Esquema de imunização. Enfermagem.ABSTRACT
It was a cross-sectional epidemiological study, carried out at the Surgical Center of a general
public university hospital, with teaching, research, and attending activities. The aim was to
evaluate the notification of work accidents among the Health Multiprofissional Team of the
Surgical Center unit; to identify the incidence of the accidents with biological material; to
determine the immunization situation for Hepatitis B among the professionals who suffer the
accidents; and to seek the conditions that workers attribute the occurrence of the accident. The
data were collected from March to June 2007 using a questionnaire, and the analysis was
made using descriptive statistics, Qui-square and Fisher Exact tests. The 127 research
participants were classified in the following categories: physicians (23,8%), medical residents
(30,1%), nurses (1,6%), technicians (20,9%) and nursing assistants (16,5%), and general
services workers (7,1%).The majority of physicians were man (82,4%); in the nursing team,
there was a female prevalence (76%) and for general services, they were exclusively
feminine. The professionals’ average age was 34 years; and they also had, on average, ten
years after graduation, eight years of labor at the hospital of the study, and seven years in the
specific unit. According to the survey responses, the dispose of sharp-edged material was in
an appropriate way for 81,1% and the non recapping needles happened in only 43,4%. Among
the professionals, 48,8% did not know the meaning of the acronym WAC and 98,9% admit to
have received information on biosafety in some moment of their formation or professional
experience. The complete hepatitis B vaccine series was verified in 75,6% and the serological
confirmation test (anti-Hbs) in 40,2% for the totality of the participants . The work accident
was notified by only 15,4% of the respondents. The reasons for not notifying were the
irrelevancy of the accident, lack of knowledge of the routine protocol, indifference and work
overload. The professional category that experience more accidents was the physician
(46,6%), followed by medical residents (33,3%), technicians and nursing assistants (13,4%)
and the professionals of general services (3,3%). The immunization of the rough professionals
was evidenced in 80%, with accomplishment of anti-Hbs in 56,7%. The main activities
involved in the occurrence of the accidents were the needle handling (73,3%) and the surgical
procedures (56,7%). The physician category had 6,3 (2,2-17,8) times more chance of
suffering an accident and 3,8 (1,5-9,7) times more chance of that accident to happen among
men. For the inadequate dispose of the sharp-edged material, the chance of accident was 3,4
(1,2-9,3) times. According to these results, it is suggested to implement professional’s training
on adoption of biosafety measures, through the accomplishment of programs of continuous
education, conferences regarding flow of accidents notification, and the worker’s legal support
seeking to reduce accidents involving sharp-edged material.
Keywords: Team of assistance to the patient. Hospital surgical center. Work accidents. Work
accident notification. Immunization set. Nursing.LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Distribuição dos trabalhadores do centro cirúrgico, por formação
profissional – Belo Horizonte, 2007……………………………………………………………… 56
Tabela 2: Distribuição dos trabalhadores da equipe médica do centro cirúrgico,
por idade, tempo de formação e atuação profissional – Belo Horizonte, 2007 ……… 58
Tabela 3: Distribuição dos trabalhadores da equipe de enfermagem do centro
cirúrgico, por idade, tempo de formação e atuação profissional – Belo Horizonte,
2007……………………………………………………………………………………………………….. 58
Tabela 4: Caracterização do descarte e da manipulação de material pérfuro-
cortante pelos profissionais no centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007……………… 61
Tabela 5: Distribuição do conhecimento sobre acidentes de trabalho e notificação
entre profissionais no centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007 …………………………. 63
Tabela 6: Distribuição dos acidentes de trabalho ocorridos no ano de 2006
envolvendo material pérfuro-cortante entre os profissionais no centro cirúrgico –
Belo Horizonte, 2007 ………………………………………………………………………………… 67
Tabela 7: Distribuição das atividades realizadas durante a ocorrência do acidente
de trabalho pelos profissionais no centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007…………. 70
Tabela 8: Freqüência dos fatores que contribuíram para a ocorrência do acidente
de trabalho entre os profissionais acidentados no centro cirúrgico – Belo
Horizonte, 2007. ………………………………………………………………………………………. 71
Tabela 9: Notificação dos acidentes de trabalho (n=26*) entre os profissionais
acidentados no centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007…………………………………… 75
Tabela 10: Freqüência dos fatores que contribuíram para a subnotificação do
acidente de trabalho entre os profissionais acidentados no centro cirúrgico – Belo
Horizonte, 2007 ……………………………………………………………………………………….. 76
Tabela 11: Conhecimento e comportamento adequado sobre biossegurança entre
os profissionais acidentados no centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007…………….. 77
Tabela 12: Distribuição das variáveis do estudo de acordo com a ocorrência do
acidente de trabalho entre os profissionais no centro cirúrgico de um hospital
geral – Belo Horizonte, 2007 ………………………………………………………………………. 79LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Fluxograma 1: Quimioprofilaxia após a exposição ocupacional………………………… 40
Fluxograma 2: Recomendações para profilaxia de hepatite B após exposição
ocupacional a material biológico. ………………………………………………………………… 41
Gráfico 1: Distribuição do tipo de vínculo de trabalho entre os profissionais do
centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007 ……………………………………………………….. 60
Gráfico 2: Conhecimento sobre doenças que podem ser adquiridas após acidente
com material pérfuro-cortante contaminado entre os profissionais no centro
cirúrgico – Belo Horizonte, 2007 …………………………………………………………………. 64
Gráfico 3: Freqüência de vacinação para hepatite B entre os profissionais no
centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007 ……………………………………………………….. 66
Gráfico 4: Freqüência dos materiais pérfuro-cortantes envolvidos nos acidentes de
trabalho dos profissionais no centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007 ……………….. 69
Gráfico 5: Freqüência de conduta após acidente de trabalho dos profissionais
acidentados no centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007…………………………………… 73
Quadro 1: Indicações de comportamento clínico-laboratorial, segundo condições e
sorologia dos pacientes-fonte ……………………………………………………………………… 39LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
AIDS
CAT
CDC-P
CIPA
CRST
EPI
EPINet
FINEXO-MB
HBV
HC
HCV
HIV
INSS
INST-CUT
MS
NaSH
NR
PCMSO
PIAT
PPRA
PSBIO
PSF
RENAST
REPAT
RISTA
SAST
SESMT
SIAT
SINABIO
SPSS
SUS
UFMG
Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
Comunicação de Acidente de Trabalho
Centers for Disease Control and Prevention
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
Centros de Referência em Saúde do Trabalhador
Equipamento de Proteção Individual
Exposure Prevention Information Network
Ficha de Notificação de Exposição Ocupacional a Material Biológico
Vírus da hepatite B
Hospital das Clínicas
Vírus da hepatite C
Vírus da Imunodeficiência Humana
Instituto Nacional do Seguro Social
Instituto Nacional de Saúde do Trabalhador – Central Única do Trabalhador
Ministério da Saúde
National Surveillance System for Health Care Workers
Norma Regulamentadora
Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional
Programa Integrado de Assistência do Acidente do Trabalho
Programa de Prevenção de Riscos Ambientais
Profissionais de Saúde e Risco Biológico
Programa Saúde da Família
Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador
Rede de Prevenção de Acidentes de Trabalho
Rede de Informações em Saúde, Trabalho e Ambiente
Serviço de Atenção à Saúde do Trabalhador
Serviços Especializados de Segurança e Medicina do Trabalho
Sistema de Informação de Acidentes de Trabalho
Sistema de Notificação de Acidentes Biológicos
Statistical Products and Service Solutions
Sistema Único de Saúde
Universidade Federal de Minas GeraisSUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ……………………………………………………………………………….. 12
2 OBJETIVOS……………………………………………………………………………………. 20
2.1 Geral………………………………………………………………………………………………. 20
2.1 Específico ……………………………………………………………………………………….. 20
3 REVISÃO DE LITERATURA …………………………………………………………… 21
3.1 Aspecto legal do acidente de trabalho…………………………………………………… 21
3.2 Risco biológico e a segurança para a saúde do trabalhador ………………………. 28
3.3 Notificação dos acidentes de trabalho sofridos pela equipe assistencial
multiprofissional ……………………………………………………………………………… 34
4 CASUÍSTICA E MÉTODO……………………………………………………………….. 44
4.1 Tipo de estudo………………………………………………………………………………….. 44
4.2 Local do estudo ………………………………………………………………………………… 44
4.3 População………………………………………………………………………………………… 45
4.4 Variáveis do estudo …………………………………………………………………………… 45
4.5 Coleta de dados ………………………………………………………………………………… 52
4.6 Instrumento de coleta de dados……………………………………………………………. 53
4.7 Aspectos éticos…………………………………………………………………………………. 54
4.8 Análise de dados ………………………………………………………………………………. 54
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO…………………………………………………………. 56
5.1 Aspectos demográficos………………………………………………………………………. 56
5.2 Biossegurança e acidentes de trabalho ………………………………………………….. 61
6 CONCLUSÃO…………………………………………………………………………………. 81
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS………………………………………………….. 83
ANEXOS1
INTRODUÇÃO
Acidentes de trabalho constituem uma freqüente preocupação para as
instituições e os trabalhadores, configurando-se como tema relevante para pesquisas
voltadas para a prevenção e/ou redução dos referidos eventos (BOTTOSSO, 2005).
A Lei n. 8.213, de 24 de julho de 1991, define acidente de trabalho como
“aquele que ocorre pelo exercício do trabalho, a serviço da empresa, provocando lesão
corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda ou redução da capacidade
para o trabalho permanente ou temporária” (BRASIL, 1991).
Apesar de a definição do acidente de trabalho tornar-se oficial somente em 1991,
o Ministério do Trabalho publicou estatística dos registros de acidentes de trabalho por
causas diversas ocorridos nos anos de 1986 a 1996 entre todos os profissionais ativos no
Brasil. Durante esses dez anos, foram notificados 7.727.795 acidentes de trabalho, tendo
como conseqüência 124.026 doenças ocupacionais, fazendo com que o País ocupasse o
quarto lugar no mundo em relação ao risco de morte no trabalho. Em 1997, observou-se
uma diminuição nos registros, com 421.343 acidentes, chegando a 343.996 no ano de
2000. Entretanto, em 2003 foram registrados 340.432 e em 2004 aumentou para
458.956 o número de acidentes (BRASIL, 2005b; BRASIL, 2004).
Nota-se que os dados sobre acidentes de trabalho descritos pelo Ministério da
Saúde e Previdência Social não têm um detalhamento em seus registros publicados, pois
quando se direciona aos acidentes ocorridos com profissionais de saúde não se definem
a categoria profissional, o tipo de acidente ou o setor de trabalho, apenas sendo
oferecida uma apresentação global intitulada “acidentes de trabalho em decorrência de
atividades e atendimento hospitalar”. Nesta classificação específica, foi apresentado oIntrodução 13
registro de 22.998 acidentes em 2003, 26.113 em 2004 e 28.760 em 2005 (INST-CUT,
2005).
Os registros de notificação dos acidentes, segundo os dados do Ministério do
Trabalho, demonstraram que os profissionais de saúde constituem a categoria mais
atingida nos últimos anos: média de 6% dos 458.956 acidentes registrados em 2004
(BRASIL, 2005b).
Esse fato pode ser potencializado pela exposição a vários riscos durante a
assistência hospitalar, pois o cuidar em saúde exige a realização de atividades com
diferentes graus de complexidade, compreendendo desde a simples troca da roupa de
cama até a realização de procedimentos invasivos, como punção venosa (MARZIALE;
ROBAZZI, 2001; SÊCCO et al., 2002).
Para que haja redução dos acidentes advindos dos riscos a que a equipe
assistencial de saúde está exposta, a realização de tais procedimentos requer habilidade
e atenção. Esses riscos podem ser classificados em químicos, físicos, biológicos,
psicossociais e ergonômicos. O risco biológico associado a patógenos de transmissão
sanguínea está diretamente relacionado aos acidentes de trabalho entre os profissionais
de saúde, especificamente aqueles que envolvem materiais pérfuro-cortantes e fluidos
corporais, devido ao fato de suas atividades consistirem na manipulação de agulha,
lâmina de bisturi, tesoura e outros instrumentais (SHIMIZU, 2002; RAPPARINI, 2006).
Estudo sobre acidentes de trabalho com material pérfuro-cortante entre
trabalhadores de enfermagem constatou que a categoria auxiliares de enfermagem foi a
mais afetada. Tal constatação justifica-se pelo fato de esses profissionais serem
diretamente responsáveis pela assistência ao paciente e terem contato constante com
material pérfuro-cortante, por sua vez, incorrendo em práticas inadequadas, como
reencape, manuseio e descarte de agulhas, o que potencializaria a ocorrência de
acidentes (MARZIALE; RODRIGUES, 2002).Introdução 14
Dados de diversos estudos brasileiros sobre acidentes de trabalho envolvendo
materiais pérfuro-cortantes revelaram altos índices de ocorrência, com taxas superiores
a 51% em sua maioria, porém quase sempre vitimando trabalhadores da área de
enfermagem (MANSO et al., 2003; SÊCCO et al., 2003; PEREIRA et al., 2004;
SARQUIS et al., 2005).
O tema em questão se destaca também em diversos países, com resultados
semelhantes aos estudos nacionais, com altas taxas de acidentes de trabalho envolvendo
material biológico entre os profissionais de saúde. Na China, Turquia, Taiwan e França,
para a área de enfermagem e a equipe multiprofissional, os índices de registros de
acidentes variam entre 60% e 82% em diferentes unidades hospitalares (PHIPPS et al.,
2002; SHIAO; GUO; MCLAWS, 2002; TARANTOLA et al., 2003; AZAP et al.,
2005).
A exposição envolvendo material biológico contaminado pode levar o
profissional a vários riscos ocupacionais, classificados de acordo com os seguintes
critérios: tipo de acidente; fatores envolvidos, como a gravidade, o tamanho da lesão e a
quantidade de sangue envolvido; estado sorológico do paciente-fonte e do acidentado; e
adesão ao tratamento pós-exposição (BRASIL, 2006).
Além dos critérios específicos descritos, destaca-se a importância de se avaliar o
acidentado em seu aspecto emocional, relacionado a estresse, preconceito, insegurança e
medo, dentre outros que são vivenciados durante o período de acompanhamento e
espera do resultado sorológico, principalmente em relação à possibilidade de
contaminação pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), da hepatite B e da hepatite
C, que podem levar a doenças como síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) e
hepatites (PEREIRA et al., 2004).
Diante das possíveis doenças ocupacionais, a AIDS merece destaque. Após seu
surgimento, em 1983, registraram-se entre 1985 e 1998, nos Estados Unidos, emIntrodução 15
profissionais de saúde, 56 casos de soroconversão pós-exposição a acidente de trabalho
envolvendo material biológico (CDC, 2001).
Em 2001, a AIDS, como doença ocupacional em profissionais de saúde, chegou
a 57 casos, estimando-se um aumento para 138 quando consideradas as suspeitas. A
grande preocupação no que se refere ao número de casos registrados e de suspeitas pode
ser atribuída à forma de contaminação, pois 86% dos acidentes ocorreram pela
exposição a sangue contaminado e 88% do total envolveu lesão percutânea (CDC, 2001;
PANLILIO et al., 2004).
Em março de 2000, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC)
estimou que mais de 380 mil exposições percutâneas ocorrem anualmente entre
trabalhadores de saúde em hospitais dos Estados Unidos. Essa estimativa aumenta
significativamente quando se refere a todos os profissionais de saúde que realizam
assistência ao paciente, podendo chegar de 600 mil a 800 mil exposições percutâneas
anuais (OSHA, 2000).
Tais exposições percutâneas quase sempre são causadas pelo envolvimento de
agulhas ou outros materiais pérfuro-cortantes potencialmente contaminados com os
vírus da imunodeficiência humana, da hepatite B ou o da hepatite C (OSHA, 2000;
MARZIALE; ROBAZZI, 2001; RAPPARINI, 2007).
Sabe-se que tal risco de contaminação pode ser evitada pela prevenção dos
acidentes envolvendo material biológico. Mas existem fatores que interferem nessa
ação, como: não adesão às recomendações de biossegurança, inabilidade técnica e
manipulação e descarte inadequados de materiais pérfuro-cortantes. Podem-se citar
ainda: influência da dupla jornada de trabalho, acarretando diminuição da concentração
para as atividades realizadas, excesso de autoconfiança, estrutura institucional
inadequada para o trabalho, levando a improvisação, déficit de conhecimento e falta deIntrodução 16
treinamento do profissional, dentre outros (SARQUIS; FELLI, 2000; BELEI et al.,
2001; SÊCCO et al., 2003; MARZIALE; NISHIMURA; FERREIRA, 2004).
As recomendações de biossegurança são definidas como o conjunto de ações
interdisciplinares, educativas e administrativas que, somadas ao comportamento e às
atitudes éticas dos profissionais no contexto da prática assistencial, vão contribuir para a
minimização ou eliminação dos riscos físico, químico, biológico, ergonômico a que
ficam expostos não só o profissional, mas também os usuários do serviço de saúde
(BOTTOSSO, 2005).
Diversos autores apontam para a importância da boa prática de biossegurança,
recomendando a implementação de estratégias para prevenir as exposições envolvendo
material biológico (CDC, 2007; CIORLIA; ZANETTA, 2004; TIPPLE et al., 2004).
A principal estratégia refere-se à adoção das precauções-padrão definidas como
a higienização das mãos, uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPI),
imunização dos profissionais e manipulação e descarte adequados de materiais pérfuro-
cortantes (CDC, 2007).
A adesão a essas recomendações está intimamente relacionada à ocorrência de
acidentes. Estudos realizados com profissionais de enfermagem em diversas unidades
hospitalares evidenciam que no momento do acidente mais de 20% deles não faziam
uso de EPI, sendo ainda mais expressiva a freqüência dos acidentes quando se avaliou
sua ocorrência em setores considerados críticos (NISHIDE; BENATTI; ALEXANDRE,
2004; BALSAMO; FELLI, 2006).
As características peculiares das áreas críticas, como centro cirúrgico e unidade
de terapia intensiva, e aquelas relacionadas a atividades desenvolvidas durante a
assistência ao paciente, tais como freqüência de procedimentos invasivos complexos,
intensidade de trabalho e, quase sempre, o número reduzido de profissionais, podemIntrodução 17
favorecer a ocorrência dos acidentes de trabalho envolvendo materiais pérfuro-cortantes
e fluidos biológicos (NISHIDE; BENATTI; ALEXANDRE, 2004).
Estudos realizados especificamente em centro cirúrgico apontam que nesse setor
as taxas de acidentes com material biológico que vitimam a equipe multiprofissional de
saúde podem chegar de 10 a 19% (SHIMIZU; RIBEIRO, 2002; BENATTI, 2001;
MOURA; GIR; CANINI, 2006).
Nessa perspectiva, a normatização brasileira de segurança e saúde no trabalho
em estabelecimentos de assistência à saúde orienta o trabalhador sobre prevenção e
condutas quanto à exposição em caso de acidentes de trabalho (BRASIL, 2005a).
Para tanto, a Norma Regulamentadora (NR) 32, de 11 de novembro de 2005,
estabelece:
Diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à
segurança e à saúde dos trabalhadores em estabelecimentos de
assistência à saúde, bem como daqueles que exercem atividades de
promoção e assistência à saúde em geral (BRASIL, 2005a).
Em tal norma, dentre as medidas de proteção à segurança e à saúde dos
trabalhadores destaca-se o treinamento do profissional de saúde como estratégia para a
melhoria do seu conhecimento, segurança e saúde no trabalho, para a identificação de
riscos biológicos e para a definição de medidas a serem adotadas no caso de ocorrência
de acidentes (BRASIL, 2005a).
A partir da verificação do risco de acidentes diferenciado por unidade, tipo de
atividades, forma como essas são desenvolvidas, estresse, pressão no trabalho e pressa
nos procedimentos, sinaliza-se para a conduta correta pós-acidente pela notificação,
visando ao amparo legal do trabalhador e a seu acompanhamento diante dos acidentes
de trabalho.
Diante do acidente de trabalho, a Lei n. 8.213/1991 garante o acompanhamento
médico do profissional acidentado e benefício perante a autoridade competente, desdeIntrodução 18
que o trabalhador notifique o acidente no âmbito institucional. Assim, os direitos do
trabalhador estão previstos após a notificação por meio da Comunicação de Acidente de
Trabalho (CAT) ou de documento de igual teor, que posteriormente será encaminhado
ao Ministério do Trabalho e Previdência Social (BRASIL, 1991).
A CAT contém dados como o relato do acidente, o material envolvido, o horário
e a instituição, dentre outras informações que podem contribuir para caracterizar o
acidente de acordo com a sua ocorrência (BRASIL, 1991; MENDES, 2003).
Apesar disso, várias pesquisas revelam que, muitas vezes, o registro não ocorre,
caracterizando a subnotificação e impedindo o conhecimento da real magnitude dos
acidentes ocorridos. Dessa forma, grandes prejuízos são causados à longo prazo,
deixando o trabalhador desamparado e sem condições de comprovar qualquer dano à
sua saúde ocasionado ou relacionado ao acidente (SÊCCO et al., 2002; BINDER;
CORDEIRO, 2003; NAPOLEÃO, 2003; SÊCCO; ROBAZZI; GUTIERREZ;
MATSUO, 2004; COCOLO, 2002).
A subnotificação de acidente passou a ser um tema relevante em pesquisas
também pela preocupação com o profissional diante do risco biológico e dos direitos
dos trabalhadores.
Os estudos realizados no Brasil, em sua maioria, abordam a subnotificação de
acidentes entre trabalhadores de enfermagem, com registro de taxas que variam de 40%
a 92%. Nesse contexto, verifica-se que os dados encontrados são alarmantes, com
registro de subnotificação de acidentes superior a 40%, reforçando, assim, a importância
do tema e mostrando a fragilidade dos dados sobre notificações (BENATTI, 2001;
BELEI et al., 2001; DESTRA et al., 2002; SASSI; DESTRA; MEDEIROS, 2002;
NAPOLEÃO; ROBAZZI, 2003; PEREIRA et al., 2004; SÊCCO et al., 2004).
Contudo, percebe-se que, como apresentado anteriormente, os estudos sobre
subnotificação consideram, em sua maioria, apenas trabalhadores de enfermagem. HáIntrodução 19
que se repensar essa abordagem, pois quando se discute o risco para o acidente de
trabalho não é possível observá-lo em sua totalidade, uma vez que ele ocorre de
diferentes formas, em diversas unidades e ambientes, e em diferentes atividades, não
justificando a limitação de sua abordagem à equipe de enfermagem. Essa delimitação
pode não contemplar os determinantes de sua ocorrência nas instituições assistenciais.
Destaca-se, ainda, o fato de o processo assistencial ser realizado por uma equipe
multiprofissional que, apesar das diversas atividades e responsabilidades, depara-se com
a exposição da ocorrência do acidente de trabalho envolvendo material biológico
(SASSI; DESTRA; MEDEIROS, 2002; GUTIERREZ; LOPES; YASUDA, 2005;
BREVIDELLI; CIANCIARULLO, 2006).
Diante do exposto, considerando que os acidentes de trabalho configuram uma
questão
preocupante
e
presente
para
os pesquisadores,
este
estudo
visa,
primordialmente, avaliar a notificação dos acidentes de trabalho entre a equipe
assistencial multiprofissional de saúde de uma unidade do centro cirúrgico de um
hospital público universitário de Belo Horizonte.
Este trabalho se encontra plenamente justificado pela relevância e atualidade do
tema, esperando, por meio de seus resultados, fornecer subsídios para que reflexões
sobre segurança e qualidade de vida do trabalhador possam ser repensadas e
incorporadas pelas instituições e profissionais de saúde.2 OBJETIVOS
2.1 GERAL:

Avaliar a notificação dos acidentes de trabalho entre a equipe assistencial
multiprofissional de saúde de uma unidade do centro cirúrgico de um
hospital público universitário de Belo Horizonte.
2.2
ESPECÍFICOS:

Identificar a incidência dos acidentes com material biológico entre a
equipe assistencial multiprofissional de saúde;

Determinar os fatores que favorecem a notificação dos acidentes de
trabalho;

Identificar os fatores que interferem no registro dos acidentes de
trabalho;

Determinar a situação vacinal para hepatite B dos profissionais
acidentados;

Relacionar as condições que o trabalhador atribui à ocorrência do
acidente.3 REVISÃO DE LITERATURA
3.1 Aspecto legal do acidente de trabalho
A legislação brasileira sobre acidentes de trabalho teve início em 1904, com
poucas repercussões para a saúde do trabalhador, abordando as ocorrências no ambiente
de trabalho e registrando iniciativas governamentais apenas na década seguinte (SÊCCO
et al., 2004).
A partir de 1919, foi decretada a primeira lei a definir os acidentes profissionais, o
Decreto Legislativo n. 3.724, de 15 de janeiro de 1919, que se tornou um marco para o
trabalhador brasileiro em termos da conquista de sua proteção legal na ocorrência de
traumatismos e doenças do trabalho (BRASIL, 1919).
A determinação da multicausalidade, definida como a interação de fatores que
propiciam a ocorrência dos acidentes, todavia, surgiu apenas em 1959. Reafirmando a
gravidade do problema, o Brasil, por volta de 1970, foi considerado o “campeão
mundial de acidentes de trabalho” com o registro de 35/100.000 mil mortes decorrentes
de acidentes de trabalho. Assim, uma regulamentação governamental para a
obrigatoriedade de serviços especializados de segurança e medicina do trabalho
(SESMT) nas empresas foi instituída pela Lei n. 6.514, de 22 de dezembro de 1977
(BRASIL, 1977; SARQUIS et al., 2004).
Posteriormente, a nova Constituição Federal de 1988 delegou ao Sistema Único de
Saúde (SUS) ações de vigilância sanitária e epidemiologia, assim como as açõesRevisão de Literatura 22
referentes à saúde do trabalhador e a indenizações trabalhistas, com o objetivo de
diminuir os índices de acidentes (BRASIL, 1988).
A partir da Constituição de 1988, as regulamentações passaram a ser de
responsabilidade do Ministério da Saúde, atribuindo à saúde do trabalhador os
princípios de universalidade, eqüidade e integralidade propostos pelo Sistema Único de
Saúde.
Os fatores determinantes que regem esses princípios para a saúde do trabalhador
também foram definidos na Lei n. 8.080/90, em seu artigo 2°, § 3°, como: “[…] a
alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a
educação, o transporte, o lazer e o acesso a bens e serviços […]” (BRASIL, 1990a).
Além de vislumbrar as ações de saúde ao trabalhador, a Lei n. 8.080/90 avança em
relação às anteriores, recomendando assistência ao acidentado ou portador de doença
profissional, realização de investigações, controle de riscos e agravos à saúde durante o
trabalho e divulgação de informações sobre risco de acidentes aos trabalhadores e
responsáveis (BRASIL, 1990a).
Tais recomendações sobre essa percepção do acidente instigaram discussões,
despertando as instituições para a melhoria das condições de vida da população e
mudanças na sociedade (SÊCCO et al., 2004).
A importância desse tema favoreceu o aprimoramento das legislações,
respaldando os trabalhadores vítimas de acidentes com a Lei n. 8.213, de 24 de julho de
1991, dispondo sobre os planos de benefício e a organização da seguridade social, entre
outras providências, caracterizando o acidente de trabalho e concedendo ao profissional
o custeio do auxílio-acidente pela Previdência Social (BRASIL, 1991).Revisão de Literatura 23
Dentre as regulamentações governamentais sobre acidente de trabalho, a Portaria
do Ministério da Saúde de n. 119, de 9 de setembro de 1993, aborda o atendimento
específico para o acidentado.
A partir dessa regulamentação, portarias interministeriais do Ministério da
Previdência e Assistência Social, como as de números 11/95 e 14/96, estabeleceram o
Programa Integrado de Assistência ao Acidentado do Trabalho (PIAT), também
contemplando doenças profissionais ou do trabalho e prevendo as seguintes formas de
atendimento:
I. o atendimento ambulatorial;
II. o atendimento hospitalar;
III. a reabilitação física, compreendendo fisioterapia, terapia ocupacional e
fornecimento de órtese, prótese; e
IV. o fornecimento de medicamentos.
Em 1998, a Portaria n. 3.120 aprovou a Instrução Normativa de Vigilância em
Saúde do Trabalhador no SUS e definiu os procedimentos básicos de ações para
prevenção e controle de acidentes (BRASIL, 1998).
Mas apenas em 2002 é que discutiu-se a estruturação da rede nacional de
atenção integral à saúde do trabalhador pela Portaria n. 1.679, instituindo, no âmbito do
SUS, a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST),
articulada entre o Ministério da Saúde e as Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, mediante a organização e implementação das seguintes ações:
I. Ações na rede de Atenção Básica e no Programa de Saúde da Família
(PSF);
II. Rede de Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CRST);
III. Ações na rede assistencial de média e alta complexidade do SUS.Revisão de Literatura 24
Com a implementação dessas estratégias de atenção à saúde do trabalhador, uma
discussão mais acirrada sobre a atuação do profissional no ambiente de trabalho,
visando à manutenção de condições seguras e à redução e, possivelmente, eliminação
dos riscos existentes, impulsionou a criação de Normas Regulamentadoras (SARQUIS
et al., 2004; BRASIL, 2002).
Essas normas receberam uma classificação numérica e surgiram inicialmente pela
Lei n. 6.514, de 22 de dezembro de 1977, dispondo sobre segurança e medicina do
trabalho. Posteriormente, foram reformuladas e promulgadas por diferentes legislações,
com o intuito de corroborar para a promoção e prevenção da saúde ocupacional e
estruturação adequada do ambiente de trabalho (BRASIL, 1977).
As Normas Regulamentadoras surgiram com o propósito de instituir ações
preventivas e garantia legal de segurança e saúde do trabalhador.
O conhecimento da prevenção e dos mecanismos necessários e suficientes para
aplicação dessas normas constitui um desafio para a sua implementação, pois está
diretamente relacionado ao comprometimento da instituição e do profissional, visando à
redução do risco de acidentes de trabalho.
A NR n. 5, complementada pela Portaria n. 8, de 23 de fevereiro de 1999, visa à
prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, por meio da criação da Comissão
Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) (BRASIL, 1999).
A CIPA possui atribuições, como identificar os riscos do processo de trabalho,
elaborar o mapa de riscos para o ambiente e preparar um plano de trabalho
contemplando ações preventivas para solução de problemas de segurança e saúde no
trabalho, dentre outras (BRASIL, 1999).
A preocupação com esses riscos e com o possível surgimento de doenças
decorrentes da exposição dos indivíduos no trabalho resultou no monitoramentoRevisão de Literatura 25
ambiental e na vigilância à saúde, com o fim de prevenir a contaminação ocupacional
(BRASIL, 1994a).
A NR n. 7, alterada pela Portaria n. 24, de 29 de dezembro de 1994, estabelece a
obrigatoriedade de elaboração e implementação do Programa de Controle Médico de
Saúde Ocupacional (PCMSO), que objetiva a promoção e preservação da saúde do
conjunto dos seus trabalhadores (BRASIL, 1994a).
O PCMSO considera questões sobre incidentes entre o indivíduo e a coletividade,
abordando a relação entre a saúde e o trabalho, de caráter preventivo, de rastreamento e
diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho, identificando
possíveis doenças profissionais ou danos à saúde dos trabalhadores por meio de exames
e consultas médicas periódicas (BRASIL, 1994a).
Esse acompanhamento prevê a realização obrigatória de exames médicos do
trabalhador na sua admissão e, periodicamente, no retorno ao trabalho após licença
médica, quando da mudança de função e, finalmente, por ocasião do seu desligamento
institucional (BRASIL, 1994a).
Em complementação ao PCMSO, foi criada a NR n. 9 que, posteriormente, foi
alterada pela Portaria n. 25, de 29 de dezembro de 1994, que estabeleceu a
obrigatoriedade da elaboração e implementação do Programa de Prevenção de Riscos
Ambientais (PPRA). Esse programa visa à preservação da saúde e da integridade dos
trabalhadores, por meio da antecipação, do reconhecimento e da avaliação e controle da
ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de
trabalho (BRASIL, 1994b).
Para a implementação do PPRA, devem-se prever a antecipação e reconhecimento
dos riscos, o estabelecimento de prioridades e metas, o controle, e avaliação dos riscos e
da exposição dos trabalhadores e, finalmente, a implantação de medidas de controle eRevisão de Literatura 26
avaliação de sua eficácia, com monitoramento da exposição dos trabalhadores aos riscos
potenciais do trabalho voltados para o seu ambiente (BRASIL, 1994b).
Há que se destacar ainda como riscos ambientais as condições de insalubridade,
caracterizadas pelos “limites de tolerância” relacionados à concentração ou intensidade
e à natureza e tempo de exposição aos agentes nocivos durante o período de trabalho,
assegurando ao trabalhador remuneração adicional de 10% a 40% sobre o salário
mínimo, tal como estabelecido na NR n. 15 e complementado pela Portaria n. 3.751, de
23 de novembro de 1990 (BRASIL, 1990b).
Essas condições de insalubridade são identificadas por ruído acima dos limites de
tolerância estabelecidos, pela exposição ao calor excessivo, a radiações ionizantes, a
agentes químicos e a poeira mineral, ou pelo exercício de atividades sob condições
hiperbáricas (ar comprimido ou submersão), agentes químicos e agentes biológicos
(BRASIL, 1990b).
Pela NR n. 15, as condições de trabalho impostas pelo ambiente devem ser
observadas pelas instituições, prevendo-se, assim, a minimização da exposição e riscos,
proporcionando conforto, segurança e atuação profissional com um desempenho
eficiente (BRASIL, 1990b).
Outro aspecto da saúde do trabalhador refere-se aos parâmetros ergonômicos
relacionados ao levantamento e ao transporte de materiais e equipamentos, às condições
ambientais do posto de trabalho e à própria organização do trabalho, previstos na NR n.
17 (BRASIL, 1990b).
Entretanto, sua complementação é recente, por meio da NR n. 32, com a
proposição da implementação de medidas de proteção aos trabalhadores dos serviços de
saúde e daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral
(BRASIL, 2005a).Revisão de Literatura 27
A referida NR insere o risco biológico como parte no Programa de Prevenção de
Riscos Ambientais, prevendo a identificação desse risco de acordo com a localização e
as características dos serviços de saúde, bem como a avaliação do local de trabalho e do
trabalhador. Além disso, define o risco biológico como probabilidade de exposição
ocupacional e, ainda, a classificação dos seus agentes (BRASIL, 2005a).
O Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional também foi contemplado
na NR n. 32; previsto anteriormente na NR n. 7, é descrito da seguinte forma:
– Reconhecimento e avaliação do risco biológico;
– Localização de áreas de risco, bem como das fontes de exposição e reservatórios,
vias de transmissão, patogenicidade e virulência do agente, persistência desse agente no
ambiente e estudos epidemiológicos, dentre outras informações;
– Identificação do trabalhador que desempenha atividades de risco e monitorização
médica do mesmo, por exames periódicos e programa de vacinação.
Para os casos de exposição aos agentes biológicos, são estabelecidas condutas
como: diagnóstico, acompanhamento e prevenção de soroconversão e de doenças,
descontaminação do ambiente de trabalho, tratamento médico e atendimento de
emergência para os profissionais, além de informar o acidente sobre os estabelecimentos
de saúde, para prestação da assistência aos trabalhadores (dispensação de
imunoglobulinas, vacinas, medicamentos, materiais e insumos especiais aos
trabalhadores).
A normatização da assistência à saúde do trabalhador tornou-se um importante
aspecto voltado para a qualidade de vida do profissional com a regulamentação da NR
n. 32 como legislação específica para a segurança e a saúde no trabalho, e a prevenção
de acidentes e de doenças ocupacionais, vislumbrando progressos significativos com a
sua implantação.Revisão de Literatura 28
3.2
Risco biológico e a segurança para a saúde do trabalhador
O ambiente hospitalar expõe os profissionais da área de saúde a várias situações
de risco durante a assistência hospitalar que, em função de sua natureza, intensidade e
tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador (NHAMBA,
2004; MASTROENI, 2004; MARZIALE; NISHIMURA; FERREIRA, 2004).
Esses riscos podem ser classificados como: biológicos, químicos e físicos, de
acordo com as Normas Regulamentadoras n. 9 e n. 32.
Os agentes químicos são representados pelas substâncias, compostos ou produtos
que possam penetrar no organismo pela via respiratória, como poeiras, fumos, gases ou
vapores, ou que possam ter contato com o organismo através da pele ou por ingestão
(BRASIL, 1977; BRASIL, 2005a).
O risco físico apresenta-se em forma de ruído, vibrações, pressões anormais,
radiações ionizantes e diferentes tipos de energia, como o calor ou frio conduzidos pelo
ar condicionado (BRASIL, 1977).
Como
risco
biológico,
consideram-se:
contato
com
microrganismos,
geneticamente modificados ou não, culturas de células, parasitas, toxinas e príons. Esse
risco tem sido o mais discutido entre os pesquisadores, provavelmente devido à
exposição do trabalhador a possíveis doenças ocupacionais infecciosas, como a AIDS e
hepatites (GIR et al., 2004).
Nesse contexto, a adoção às normas de biossegurança torna-se imprescindível para
a prevenção, minimização ou eliminação dos riscos ocupacionais que podem
comprometer a saúde do trabalhador (BOTTOSSO, 2005).Revisão de Literatura 29
Além das medidas de biossegurança, educação permanente, supervisão, trabalho
organizado com previsão e provisão de recursos materiais também potencializam o
cuidado com maior destreza e segurança (BULHÕES, 1998).
A utilização adequada do EPI, como luvas, gorro, avental, óculos e máscara,
representa uma importante forma de prevenção a esses riscos durante a assistência ao
paciente. Contudo, a adesão dos profissionais de saúde ao uso de EPI ainda constitui um
desafio para as instituições, devido à resistência dos profissionais à adesão dessa
precaução (SOUZA, 1999; NHAMBA, 2004; BOTTOSSO, 2005).
A luva deve ser utilizada para a proteção do profissional e do paciente, para
prevenir a transmissão de vírus, como o HIV, e das hepatites B e C. Entretanto, diante
da ocorrência do acidente envolvendo material pérfuro-cortante, essa barreira ainda não
é considerada plenamente eficaz. Apesar de estudos apontarem a possibilidade de
redução da quantidade de sangue na superfície externa da agulha com o uso de luvas, o
volume residual no interior do lúmen continuaria o mesmo, contribuindo ainda para o
risco da transmissão destes vírus (CDC, 2007; GARCIA; BLANK, 2006; RAPPARINI
et al., 2007).
O gorro e o avental devem ser utilizados concomitantemente com as luvas,
assegurando que a roupa e as áreas corpóreas superiores estejam protegidas. Esses
equipamentos devem ser retirados antes de se deixar o ambiente em que o paciente foi
assistido, para impedir a possível contaminação de outras áreas (CDC, 2007).
A máscara é indicada quando existe a possibilidade de inalação de pequenas
partículas (30μ) que podem conter agentes infecciosos transmitidos por via aérea,
principalmente durante procedimentos com risco de espirrar sangue e/ou secreções
corpóreas. Essa recomendação também refere-se a procedimentos invasivos com riscoRevisão de Literatura 30
de vaporização ou aerosolização, como aspiração endotraqueal e broncoscopia, (CDC,
2007).
Os óculos estão indicados para situações de trabalho em que se exige a proteção
da mucosa ocular, devido às atividades que oferecem riscos semelhantes aos que
exigem o uso de máscara (CDC, 2007).
Apesar da conhecida indicação de cada EPI, estudos evidenciaram que 20,8% dos
profissionais de saúde, no momento do acidente, não utilizavam EPI, seja pelo
desconhecimento ou pela não percepção do risco, seja pela justificativa de que o uso era
desnecessário e que o procedimento não apresentava risco (BÁLSAMO; FELLI, 2006
CAIXETA; BARBOSA-BRANCO, 2005; VENDRAME, 1999).
A orientação do profissional de saúde sobre os riscos do ambiente de trabalho,
suas causas e medidas preventivas a serem adotadas e a exigência do uso correto do EPI
são ainda de responsabilidade do empregador (BRASIL, 2005a).
Além da orientação do uso de EPI, as instituições devem fornecer recipiente
adequado para descarte de materiais pérfuro-cortantes, implantar programa de
vacinação, programa de controle médico de saúde ocupacional e oferecer educação
permanente sobre medidas de prevenção a agentes biológicos e conduta em relação aos
acidentes de trabalho (BRASIL, 2005a).
A recomendação brasileira oficial sobre a exposição aos agentes biológicos para
profissionais de saúde foi descrita na NR n. 32 com o propósito de diminuir o risco de
acidentes e, conseqüentemente, de transmissão de doenças ocupacionais (BRASIL,
2005a).
A prevenção dos acidentes pode ocorrer pela determinação do risco que esse
representa no ambiente de trabalho para os profissionais de saúde. Essa identificação foi
proposta pelo Ministério do Trabalho e Emprego, por meio de indicadores, visandoRevisão de Literatura 31
conhecer a freqüência, gravidade e custo relacionados ao acidente de trabalho, além de
determinar os níveis de risco no trabalho a que os profissionais estão expostos (ÁVILA;
CASTRO; MAYRINK, 2002).
O indicador de freqüência determina o número de acidentes que geraram
concessão de benefício para a Previdência Social. O indicador de gravidade afere a
intensidade média dos acidentes ocorridos, mensurando a perda laborativa devida à
incapacidade pelo afastamento do trabalho. O indicador de custo estabelece a relação
entre os gastos da Previdência Social com benefícios concedidos para acidentes e
contribuições empresariais (ÁVILA; CASTRO; MAYRINK, 2002).
Esses indicadores são de grande importância para identificar a notificação de
doenças profissionais decorrentes de exposições ocupacionais, além de fornecerem
subsídios para determinar programas de prevenção de acidentes e, conseqüentemente,
de melhoria das condições de trabalho.
A implementação desses programas de prevenção de acidente pode estar
comprometida quando se observa que o ambiente hospitalar possui fatores que podem
dificultar essa abordagem e, consequentemente, favorecer a ocorrência das exposições.
As características facilitadoras para a exposição aos agentes biológicos
correspondem, principalmente, a: longa jornada de trabalho dos profissionais de saúde,
diversidade de patologias entre os pacientes assistidos e constante manipulação e
descarte de materiais pérfuro-cortantes contendo sangue e fluídos corporais
(BÁLSAMO; FELLI, 2006; NHAMBA, 2004; NAPOLEÃO, 1999).
Outros fatores que também justificariam a incidência dos acidentes entre os
profissionais de saúde são descritos como: assistência contínua e contato direto com o
paciente, administração de medicamentos, realização de curativos, falta de atenção,
pressa, sobrecarga de trabalho, falta de funcionário e descuido com o descarte doRevisão de Literatura 32
material (SARQUIS; FELLI, 2000; SHIMIZU; RIBEIRO, 2002; BÁLSAMO; FELLI,
2006; MOURA; GIR; CANINI, 2006).
A manipulação de agulha por meio do reencape e/ou descarte foi
significativamente importante para ocorrência dos acidentes, acarretando cerca de 21%
das exposições (MARZIALE; RODRIGUES, 2002; COUTINHO et al., 2002;
MOURA; GIR; CANINI, 2006).
Heinrich (2000) relata que as lesões percutâneas ocorridas anualmente nos
hospitais americanos aproximam-se de 384 mil, sendo que desse total 236 mil estão
associadas a materiais pérfuro-cortantes, o que contribui para a transmissão de doenças
ocupacionais, como a AIDS, hepatite B e hepatite C.
O risco ocupacional de contrair doenças após exposição a material biológico varia
segundo o tipo de acidente e fatores como gravidade e tamanho da lesão, quantidade de
sangue envolvido, estado sorológico do paciente-fonte e do profissional acidentado e
tratamento adequado pós-exposição (CARDO et al., 1997; BRASIL, 2006).
A contaminação de profissionais de saúde por vírus da hepatite B, C e HIV após o
acidente é descrita em alguns estudos que demonstram alta susceptibilidade dessa
transmissão, devido à exposição constante a sangue e fluidos corporais durante a
assistência ao paciente (CDC, 2002; RAPPARINI; CARDO, 2004; SASSI; FEIJÓ,
2004).
O risco de contaminação pós-acidente estimado pelo CDC para o HIV é de
0,25% a 4%; para hepatite B, em 6% a 30%; e para hepatite C, em 0,4% a 1,8% (CDC,
2001; INTERNATIONAL HEALTH CARE WORK SAFETY CENTER, 2001).
No entanto, os trabalhadores tendem a menosprezar o risco de contaminação por
HIV com acidente envolvendo material biológico, pois o risco de um paciente infectado
transmitir o vírus para o profissional é relativamente inferior (0,25%) quandoRevisão de Literatura 33
comparado ao risco de infecção por vírus da hepatite B e da hepatite C (>0,4%) (CDC,
2001).
O primeiro caso publicado de um profissional contaminado por HIV foi de uma
enfermeira após acidente envolvendo material pérfuro-cortante, em 1984 (SASSI;
FEIJÓ, 2004).
Registros do CDC apontaram 57 casos de trabalhadores com soroconversão ao
HIV pós-exposição ocupacional e 139 casos suspeitos até dezembro de 2001, sendo que
o material pérfuro-cortante foi responsável por 84% desses acidentes (CDC, 2002).
No Brasil, o Ministério da Saúde estima a taxa de soroconversão para HIV entre
0,1 a 0,4% nas exposições ocupacionais por acidente percutâneo (NHAMBA, 2004;
BRASIL, 2001).
Em 1991, a estimativa da contaminação anual por hepatite B nos Estados Unidos
foi de 8.700 infecções pós-exposição ocupacional entre profissionais da área da saúde.
A estimativa brasileira está entre cinco a dez vezes maior que o da população geral, com
soroprevalência de 2 a 4 vezes para tais trabalhadores (BRASIL, 2001; MASTORENI,
2004).
O risco de contaminação ocupacional para HIV, hepatites B e C pode estar
diretamente associado às características do acidente, como profundidade, extensão do
ferimento e presença de sangue visível no instrumento envolvido e paciente-fonte
potencialmente infectado (BRASIL, 2006).Revisão de Literatura 34
3.3
Notificação dos acidentes de trabalho sofridos pela equipe assistencial
multiprofissional
A saúde ocupacional representa uma área em plena evolução. Busca intervir no
processo saúde-doença dos grupos populacionais e em sua relação com o trabalho
(MENDES; DIAS, 1999).
Dessa forma, a implantação e implementação das Normas Regulamentadoras para
o estabelecimento das causas de agravo à saúde, com seus determinantes e riscos,
propicia o conhecimento das formas de prevenção e promoção da integridade física e
mental do trabalhador (MENDES; DIAS, 1999).
Dentre os agravos e riscos existentes, a ocorrência dos acidentes de trabalho ocupa
destaque nos estudos relacionados à saúde do trabalhador, principalmente quando se
observam as estatísticas oficiais brasileiras.
Os profissionais de saúde representam uma proporção das mais elevadas de
acidentes, com média de 50,4 exposições/1.000 registros de acidentes pela CAT, com
ocorrência de 22.998 em 2003, 26.113 em 2004 e 28.760 em 2005, conforme
notificações enviadas ao Ministério da Previdência Social (BRASIL, 2004).
Após o acidente de trabalho, a emissão da CAT pela empresa, na forma impressa
ou eletrônica, para o registro em banco de dados da Previdência Social, constitui o
instrumento legal de comunicação do acidente. O prazo máximo para a comunicação à
Previdência Social é de 24 horas, sendo que o empregado, seus dependentes, o
sindicato, o médico que o atendeu ou a autoridade pública também podem emitir a CAT
se o empregador não o fizer (MENDES, 2003).Revisão de Literatura 35
A obrigatoriedade desse registro se restringe apenas às empresas, não sendo
aplicada aos contribuintes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e
trabalhadores do setor público. Esse fato contribui para sua subestimação no panorama
nacional, quando se pensa nos trabalhadores informais, que cada vez mais são
encontrados no cenário brasileiro devido à pressão competitiva existente na economia
do setor industrial, além da alta qualificação e preparo exigidos do profissional para sua
inserção no mercado de trabalho formal (BRASIL, 2004).
A ausência do registro diante do acidente de trabalho constitui um fator
fundamental para a subnotificação do acidente, tendo como causas atribuídas pelo
profissional: irrelevância da lesão ocasionada, desconhecimento do processo de
notificação, falta de tempo, medo de demissão, crença pessoal dos trabalhadores e falta
de informação sobre o registro dos dados (NAPOLEÃO, 1999; MARZIALE, 2003).
A subnotificação traz prejuízos ao trabalhador acidentado, subtraindo-lhe
benefícios, como estabilidade de emprego durante doze meses após o acidente e planos
de benefícios para o assegurado e dependentes, além do afastamento temporário pós-
acidente, caso se faça necessário (BRASIL, 1991).
O sistema de informação para exposição de material biológico em trabalhadores
de saúde foi iniciado nos Estados Unidos, em 1991, com a criação do Exposure
Prevention Information Network (EPINet) da Universidade de Virgínia (SASSI; FEIJÓ,
2004).
O EPINet é um programa de notificação de acidentes envolvendo material
biológico, cuja finalidade é partilhar dados, medidas preventivas e proteção em
procedimentos de risco. Atualmente, é utilizado em aproximadamente mil hospitais dos
Estados Unidos e em outros países, como Canadá, Japão, Itália, Austrália e Espanha,
integrando mais de 1.500 instituições (SASSI; FEIJÓ, 2004).Revisão de Literatura 36
No Brasil, programa semelhante em âmbito nacional não é uma realidade. Tal fato
pode revelar um descompromisso de autoridades, sugerindo a pouca importância dada
às exposições a materiais biológicos (RAPPARINI, 2006; MARZIALE, 2005; ÁVILA;
CASTRO; MAYRINK, 2002).
Iniciativas isoladas, como Sistema de Notificação de Acidentes Biológicos
(SINABIO), Profissionais de Saúde e Risco Biológico (PSBIO), Rede de Prevenção de
Acidentes de Trabalho (REPAT) e Rede de Informações em Saúde, Trabalho e
Ambiente (RISTA), são encontradas (RAPPARINI, 2006; MARZIALE, 2005; SILVA
et al., 2006).
Tais sistemas de informação, entretanto, encontram-se ainda em fase de
desenvolvimento, implantação ou experimentação. Têm o objetivo comum de construir
uma rede de informações e vigilância das exposições ocupacionais envolvendo material
biológico por meio das notificações dos acidentes de trabalho.
O PSBIO foi desenvolvido por um grupo de pessoas que constituem a equipe do
Projeto Risco Biológico, reunindo características do programa National Surveillance
System for Health Care Workers (NaSH) e do EPINet, para a vigilância de acidentes
ocupacionais com material biológico em serviços de saúde brasileiros (RAPPARINI,
2006).
Mediante os instrumentos de notificação padronizados, o PSBIO permite o
registro e a obtenção de dados, proporcionando o conhecimento das características dos
acidentes e possibilitando recomendações de medidas de profilaxia pós-exposição e
adoção de ações e estratégias necessárias para prevenção desse grande problema para a
saúde do trabalhador.
Os serviços de saúde brasileiros podem participar por intermédio de um centro
coordenador, realizando seu cadastro, solicitando o software e permitindo a notificaçãoRevisão de Literatura 37
do acidente e a alimentação do sistema de vigilância por meio do instrumento de
notificação fornecido pelo PSBIO, que terá seus dados posteriormente disponibilizados
no site www.riscobiologico.org (RAPPARINI, 2006).
Outra estratégia nacional em desenvolvimento é a Rede de Prevenção de
Acidentes de Trabalho, iniciada em 2003, com a participação inicial de onze hospitais
de diferentes regiões brasileiras.
O projeto segue as orientações e estratégias definidas pela Organização Mundial
da Saúde para o conhecimento da realidade brasileira sobre os riscos ocupacionais da
exposição a material biológico, tendo como meta controlar e prevenir os acidentes de
trabalho com material biológico pela utilização de base eletrônica de dados. A
participação é voluntária e visa à cooperação de qualquer instituição hospitalar
brasileira por intermédio de um representante, pesquisador ou colaborador
(MARZIALE, 2005).
Como fonte oficial de informação, a Rede de Informações em Saúde, Trabalho e
Ambiente foi desenvolvida pelo Núcleo de Informações em Saúde do Trabalhador, da
Fundação Oswaldo Cruz, com um link de sua base de dados sobre acidentes e o SUS
(SILVA et al., 2006).
Com o princípio da notificação dos acidentes, os estados e municípios brasileiros
possuem o Sistema de Informação de Acidentes de Trabalho (SIAT) como base de
dados, em que as CATs são cadastradas pela Previdência Social ou Internet. Nesse
processo, cada município realiza individualmente seu registro para, posteriormente,
integrar-se à rede nacional.
Além do SIAT, outros programas e serviços de comunicação são utilizados como
tentativas de notificar todos os acidentes de trabalho e, posteriormente, disponibiliza-los
em rede de informação nacional.Revisão de Literatura 38
O Estado de Minas Gerais – especificamente, o Município de Belo Horizonte –
também realiza a notificação de acidentes que envolvem material biológico para o
Serviço de Atenção à Saúde do Trabalhador (SAST), da Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG), criado pela da Portaria n. 01.043, de 23 de abril de 1999 (UFMG,
2007).
Tal serviço integra ações de engenharia de segurança e medicina do trabalho,
medicina assistencial e, até, atividades de fisioterapia, terapia ocupacional e perícia
médica, porém restritos ao trabalhador vinculado ao hospital universitário e
administrativamente à Pró-reitoria de Recursos Humanos, encontrando-se ainda em fase
de desenvolvimento, com foco na saúde do trabalhador da UFMG (REIS, 2001; UFMG,
2007).
A notificação de todos os acidentes de trabalho, desde quedas até contato com
fluidos biológicos,
ocorridos em profissionais
vinculados
à
UFMG
ocorre
exclusivamente por meio do atendimento realizado pelo SAST.
Para tais trabalhadores, recomenda-se, imediatamente após o acidente, o
comparecimento ao SAST, em dias úteis, das 7 às 18 horas, em um ambulatório
predeterminado. Fora desse horário, o acidentado deve dirigir-se ao Pronto Atendimento
do Hospital Universitário, para avaliação inicial, sendo o acompanhamento posterior
feito pelo SAST no próximo dia útil.
Tal procedimento, contemplando locais específicos de atendimento em dias úteis,
finais de semana e feriados, visa aumentar a notificação dos acidentes e a possibilidade
de implantação imediata de ações após a avaliação do acidente.
O primeiro atendimento do profissional no SAST, especificamente para os
acidentes envolvendo material biológico, tem como rotina:Revisão de Literatura 39
a)
Registrar o caso por meio da Ficha de Notificação a Exposição
Ocupacional a Material Biológico (FINEXO-MB – ANEXO I);
b)
Estimar o risco da exposição pela determinação do estado sorológico do
paciente fonte, quando possível, por meio de testes rápidos e pela avaliação das
características da exposição, devidamente descritas na FINEXO-MB;
c) Iniciar imediatamente a quimioprofilaxia, quando indicada;
d) Realizar
sorologia
do
profissional
exposto
no
momento
zero
(imediatamente pós exposição) e nas avaliações subseqüentes (Quadro 1);
e)
Nos casos em que a sorologia do paciente-fonte for positiva, deverá ser
emitida a CAT, para os trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas.
Para os servidores públicos, será preenchido relatório médico para abertura de Processo
de Acidente em Serviço exigidos pelos trâmites internos pela UFMG (UFMG, 2007).
QUADRO 1
Indicações de acompanhamento clínico-laboratorial, segundo condições e sorologia do
paciente-fonte.
Indicação de
Paciente-fonte:
Anti-HIV
HBsAg
Anti-HCV
acompanhamento
Conhecido
Negativo
Negativo
HIV
Positivo
Conhecido
Negativo
HIV e HBV
Positivo
Positivo
Conhecido
HIV, HBV, HCV
Positivo
Positivo
Positivo
Conhecido
Negativo
Negativo
HBV
Positivo
Conhecido
Negativo
HBV e HCV
Positivo
Positivo
Conhecido
Negativo
Negativo
HCV
Positivo
Conhecido
Desconhecido Desconhecido Desconhecido HIV, HBV, HCV
Desconhecido
Desconhecido Desconhecido Desconhecido HIV, HBV, HCV
Conhecido
Negativo
Negativo
Negativo
Nenhum
Fonte: UFMG, 2007.
O SAST registrou, em 2002, 55,5% visitas dos trabalhadores em decorrência de
acidentes de trabalho. Quanto aos acidentes envolvendo material biológico
documentados pelo SAST, em 2004 ocorreram 147 notificações; em 2005 por 114; e 97
em 2006 (UFMG, 2007).Fonte: Brasil, 2006.
recomend
< 1500 decidido HIV exposição Revisão de Literatura 40 Após a exposição a material biológico, o Ministério da Saúde recomenda a indicação de quimioprofilaxia baseada no risco de transmissão do HIV e hepatite B, devendo ocorrer, preferencialmente, dentro de duas horas após o acidente (Fluxograma 1). FLUXOGRAMA 1: Quimioprofilaxia após a exposição ocupacional ao HIV.Fonte: Brasil, 2006. Revacinar Ag+ ou Ag- Anti-HBc+ desconhecido ANTI-HBs>
ou
semana).
Revisão de Literatura 41
A quimioprofilaxia para hepatite B inclui a vacinação dos profissionais com
associação ou não da gamaglobulina hiperimune para hepatite B, como descrito no
Fluxograma 2.
FLUXOGRAMA 2: Recomendações para profilaxia de hepatite B após exposição
ocupacional a material biológico.Revisão de Literatura 42
Há de se destacar que a comunicação do acidente de trabalho, sua avaliação e a
indicação da quimioprofilaxia precoce traduzem aspectos de grande importância para
identificar e minimizar o risco de contaminação das doenças ocupacionais (BÁLSAMO;
FELLI, 2006).
A adesão ao tratamento pós-exposição ocupacional ainda constitui um grave
problema para o sucesso do seguimento do profissional acidentado. A baixa adesão e o
abandono podem chegar a quase 45%, além da recusa ao tratamento, verificada, em
7,3% dos trabalhadores expostos (ALMEIDA; BENATTI, 2007).
A justificativa para tanto baseia-se, principalmente, no desconforto causado pelos
efeitos colaterais dos anti-retrovirais e, com o passar do tempo pós-acidente, a “perda do
significado” do acidente (BÁLSAMO; FELLI, 2006).
Além do desconforto inicial, existe o sofrimento psíquico vivenciado após o
acidente e durante o tratamento, devido ao risco ou medo de contaminação por HIV.
Esse sofrimento pode repercutir também no ambiente de trabalho, pelo receio de
ocorrência de outro acidente, além de gerar possíveis repercussões e desconfianças no
meio familiar (BRANDÃO JÚNIOR, 2000; GIR et al., 2004).
Apesar da grande preocupação do acidentado com a possibilidade de doenças
como a AIDS, hepatite B e hepatite C, a prevenção de doenças ocupacionais engloba a
imunização para tétano e difteria (dupla adulto), sarampo, caxumba e rubéola (triviral),
febre amarela e hepatite B por meio do completo esquema vacinal preconizado pelo
Ministério da Saúde (CIORLIA; ZANETTA, 2004; BRASIL, 2005a).
A vacina para hepatite B constitui uma forma de prevenção acessível, gratuita e
obrigatória a todos os profissionais da área de saúde, em três doses, com posterior
confirmação imunológica pelo exame de anti-HBs (CIORLIA; ZANETTA, 2004).Revisão de Literatura 43
A segurança profissional diante de possível contaminação pela hepatite B ocorre
pela vacinação. Essa responsabilidade é da instituição e do profissional, sendo que a
proteção deveria ser incentivada durante a sua formação, por intermédio dos órgãos
educativos e, posteriormente, pela instituição onde o profissional se insere mediante seu
vínculo empregatício.
Entretanto, estudos demonstram que nem sempre a cobertura vacinal para hepatite
B entre os profissionais é adequada. As taxas de adesão encontradas variam de 35% a
70%, evidenciando uma cobertura inadequada dos trabalhadores nos estabelecimentos
de saúde (BÁLSAMO; FELLI, 2006; SHIMIZU; RIBEIRO, 2002; ALMEIDA, 2003).
Cabe aos estabelecimentos de saúde atuar em prol da prevenção, por meio de
campanhas educativas e inquéritos sobre a vacinação dos trabalhadores contratados,
almejando condições mais seguras dentro do ambiente de saúde.
Para os profissionais recentemente admitidos, a instituição solicitaria a
apresentação do cartão de vacina, com o registro do esquema completo. Caso contrário,
esse trabalhador deveria ser encaminhado imediatamente para iniciar ou completar o seu
registro vacinal, a fim de prevenir possíveis contaminações durante as atividades
assistenciais.
A partir dessa reflexão, percebe-se que as responsabilidades pela segurança do
trabalhador de saúde apresentam pontos indefinidos. As estratégias utilizadas para uma
cobertura vacinal satisfatória, na maioria dos estabelecimentos, ainda não parecem ser
suficientes, dado o grande número de profissionais em serviço não vacinados ou com
esquemas incompletos.
Esse fato indica que as instituições necessitam de estabelecer intervenções mais
eficazes, para a prevenção da hepatite B diante do acidente de trabalho envolvendo
material biológico entre os profissionais de saúde.4 CASUÍSTICA E MÉTODO
4.1 Tipo de estudo
Tratou-se de uma pesquisa epidemiológica, com delineamento transversal.
A
pesquisa
epidemiológica
refere-se
à
identificação,
quantificação
e
caracterização de riscos e danos à saúde. O delineamento transversal analisa esses
indivíduos em um mesmo momento histórico, bem como o fator e o efeito da exposição,
identificando a existência de associações entre exposição e doença (FLETCHER, R.,
FLETCHER, S., WAGNER, 1996; GIL, 1999).
4.2
Local do estudo
O estudo foi realizado no centro cirúrgico de um hospital geral, público e
universitário, com atividades de ensino, pesquisa e assistência.
O hospital é referência no tratamento de patologias de média e alta complexidade.
Possui 467 leitos em sua totalidade, com 5% destinados a convênios e particulares, e
95% a pacientes provenientes do Sistema Único de Saúde. Cerca de 40% dos pacientes
atendidos são provenientes do interior de estado.
O centro cirúrgico possui 23 salas cirúrgicas com média mensal de mil cirurgias
gerais e 290 partos. Realiza transplantes hepático, renal e de medula óssea.Casuística e método
4.3
45
População
A população foi constituída por todos os funcionários da equipe assistencial
multiprofissional (médicos, enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem e serviços
gerais) atuantes no centro cirúrgico, que correspondeu a um total de 127 profissionais.
Os médicos foram classificados, em função de seu vínculo com o hospital de estudo,
em: externo, preceptor e residente.
A definição desses profissionais como elegíveis justifica-se pelo fato de estarem
inseridos no centro cirúrgico, cujo risco potencial para os acidentes de trabalho,
especificamente envolvendo materiais pérfuro-cortante, é considerado elevado em
virtude das atividades desenvolvidas.
Dentre essas atividades, destacam-se: manipulação de agulha, lâmina de bisturi,
tesoura e outros instrumentais, além do estresse, fadiga, complexidade e quantidade
elevada de procedimentos, excesso de atividades e escassez de profissionais, entre
outros.
4.4
Variáveis do estudo
– Variável dependente (variável resposta)

Notificação de acidentes de trabalho. Registro do acidente de trabalho em
documento oficial, como a comunicação de acidente de trabalho (CAT).Casuística e método
46
– Categorias:
1 – Sim
2 – Não
– Variáveis independentes (fatores de exposição)

Formação profissional
– Categorias:
1 – Enfermeiro
2 – Médico externo
3 – Médico Preceptor
4 – Residente de Medicina
5 – Técnico de Enfermagem
6 – Auxiliar de Enfermagem
7 – Serviços Gerais

Sexo
– Categorias:
1 – Masculino
2 – Feminino

Idade. Foi utilizada a média das idades para o conjunto das categorias
profissionaisCasuística e método

47
Tempo de Formação. Expresso em meses de formação. Para a categoria de
serviços gerais, não foi calculado tal tempo, pois os referidos profissionais não
necessitam de formação específica para atuação, mas apenas treinamento em
serviço

Tempo de atuação na instituição. Expresso em anos de exercício profissional,
calculado pela média de atuação todos os profissionais

Tempo de atuação no setor (centro cirúrgico). Expresso em anos de exercício
profissional, calculado pela média de atuação de todos os profissionais

Turno de trabalho. Período do dia, por escala do profissional
– Categorias:
1 – Diurno: 7 às 19 horas
2 – Noturno: 19 às 7 horas

Vínculo. Tipo de contratação profissional
– Categorias:
1 – UFMG: concursados e residentes de medicina
2 – FUNDEP: contratados
3 – Terceirizados: profissionais de serviços geraisCasuística e método

48
Local de descarte de material pérfuro-cortante
– Categorias:
1 – Local adequado (Descartex®)
2 – Local inadequado

Reencape de agulhas
– Categorias:
1 – Sempre
2 – Na maioria das vezes
3 – Raramente
4 – Não reencapa

Significado da sigla CAT. Conhecimento do documento Comunicação de
Acidente de Trabalho
– Categorias:
1 – Correto
2 – Incorreto
3 – Não respondeu

Acidente de trabalho
ü Material envolvido
– Categorias:
1 – Agulha
2 – Lâmina de bisturi
3 – EletrocautérioCasuística e método
4 – Instrumental Cirúrgico
5 – Outro
ü Procedimento realizado no momento do acidente
– Categorias:
1 – Punção venosa
2 – Manipulação de instrumentais
3 – Procedimento cirúrgico
4 – Descarte de materiais
5 – Outro
ü Turno de trabalho em que ocorreu a exposição
– Categorias:
1 – Diurno
2 – Noturno
ü Cuidados com a lesão
– Categorias
1 – Curativo
2 – Lavou com água
3 – Lavou com água e sabão
4 – Lavou com antisséptico
5 – Não fez nada
49Casuística e método
50
ü Utilização adequada de equipamentos de proteção individual (EPI) no
momento do acidente
– Categorias:
1 – Luva
2 – Dois equipamentos de proteção individual
3 – 3 ou mais equipamentos de proteção individual
4 – Nenhum
ü Fatores que contribuíram para a ocorrência do acidente
– Categorias:
1 – Pressa
2 – Falta de atenção
3 – Más condições de trabalho
4 – Descuido do colega
5 – Acaso
6 – Carga horária excessiva
ü Procura por atendimento médico imediato pós-acidente
– Categorias:
1 – Não
2 – SimCasuística e método
51
ü Realização de exames laboratoriais do profissional e paciente após o
acidente
– Categorias:
1 – Não
2 – Sim
Se “NÃO”, por quê?
1 – Acidente leve
2 – Paciente-fonte negativo
3 – Displicência
4 – Freqüência elevada de acidentes

Fatores que motivaram a notificação:
– Categorias:
1 – Rotina da instituição
2 – Aspecto legal
3 – Paciente-fonte positivo para hepatite C

Fatores que motivaram a não notificação
– Categorias:
1 – Acidente irrelevante
2 – Desconhecimento de como se faz a notificação
3 – Displicência
4 – Paciente-fonte com exame recente
5 – Freqüência elevada de acidentes
6 – Dificuldades administrativas para o registroCasuística e método

52
Conhecimento das doenças que podem ser adquiridas após acidente envolvendo
material biológico:
– Categorias:
1 – Correto
2 – Incorreto

Esquema vacinal dos profissionais para hepatite B
– Categorias:
1 – 1 dose
2 – 2 doses
3 – 3 doses
4 – Não foi vacinado
5 – Não lembra

Realização do exame de anti-HBs
– Categorias:
1 – Não
2 – Sim
3 – Não lembra
4.5
Coleta de dados
A coleta de dados ocorreu após o aceite do profissional em participar da pesquisa.
Foi apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (ANEXO II).
Posteriormente, em horários pré-agendados, foi entregue o questionário auto-aplicado,Casuística e método
53
favorecendo a participação dos sujeitos elegíveis. O participante respondeu ao
instrumento na presença do pesquisador, em sala previamente destinada a esta etapa,
favorecendo um ambiente tranqüilo, livre de interrupções e perturbações.
4.6
Instrumento de coleta de dados
Utilizou-se um questionário semi-estruturado (ANEXO II), com questões
relacionadas a aspectos demográficos (sexo, idade, profissão, tempo de serviço, tempo
de setor de trabalho) e questões voltadas para a adoção de medidas de precauções-
padrão, ocorrência de acidentes envolvendo pérfuro-cortante, condutas tomadas após
acidente de trabalho (notificação ou não), causas da não notificação do acidente e
esquema de vacinação, dentre outras.
O instrumento de coleta foi submetido a avaliação de especialistas previamente
selecionados em âmbito nacional e com reconhecido destaque no tema de biossegurança
e acidentes de trabalho em profissionais de saúde.
Após tal avaliação, o instrumento foi revisto e, então, realizou-se o pré-teste em
instituição semelhante ao local pesquisado, em 10% da amostra prevista para o estudo.
O teste piloto teve como objetivo avaliar as questões sob a ótica do respondente quanto
à sua compreensão, clareza e objetividade.Casuística e método
4.7
54
Aspectos éticos
Paralelo a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de
Minas Gerais, pelo Parecer n. 558/06 (ANEXO III), o projeto de pesquisa também foi
aprovado pela Diretoria de Ensino e Pesquisa do hospital em estudo e pelos
coordenadores médicos e de enfermagem, sendo esclarecidos sobre a participação
voluntária, assegurando-lhes ainda o sigilo e o anonimato.
Os participantes receberam informações detalhadas dos objetivos, métodos,
benefícios, riscos e importância dessa pesquisa, sendo também esclarecido de que
poderiam retirar seu consentimento a qualquer momento, sem nenhum tipo de
constrangimento ou coerção.
Os princípios da Resolução n. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde para
pesquisas em seres humanos foram respeitados.
4.8
Análise dos dados
Após coletados, os dados foram codificados, digitados e, posteriormente, descritos
estatisticamente.
Fez-se, primeiramente, uma análise descritiva das freqüências simples e
porcentuais para a apresentação e caracterização das variáveis, divididas em aspectos
demográficos, de biossegurança e de acidentes de trabalho.
Em uma segunda etapa da análise, foram utilizados os testes de Qui-quadrado,
Exato de Fisher e Odds Ratio, para verificar possíveis associações entre a ocorrência deCasuística e método
55
acidentes com materiais pérfuro-cortantes e as demais variáveis do estudo.
O teste Qui-Quadrado e Odds Ratio foram utilizados para verificar a associação
entre o acidente de trabalho e as seguintes variáveis: categoria profissional, sexo, turno
de trabalho, vínculo empregatício, significado da sigla CAT, manipulação e descarte de
materiais pérfuro-cortantes. Para as variáveis com n inferior a 5, foi utilizado o Teste
Exato de Fisher para comparar as proporções (SOARES; SIQUEIRA, 1999).
Em todos os testes estatísticos utilizados, foi considerado um nível de
significância de 5%. As análises foram realizadas no software Statistical Products and
Service Solutions (SPSS) for Windows (versão 11.5: SPSS, Inc. Chicago, III). As
tabelas e gráficos foram elaborados para facilitar a visualização e interpretação dos
resultados.5
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados estão apresentados de acordo com os seguintes subitens:
Caracterização da amostra, biossegurança e caracterização dos acidentes de trabalho.
5.1
Caracterização da amostra
Os integrantes da equipe multiprofissional participantes da pesquisa se
distribuíram nas seguintes categorias: médicos externos, médicos preceptores, residentes
de medicina, enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares de enfermagem e de
serviços gerais (TAB. 1).
TABELA 1
Distribuição dos trabalhadores do centro cirúrgico, por formação
profissional – Belo Horizonte, 2007.
Formação Profissional
n.
%
Médico Externo
3
2,4
Médico Preceptor 27 21,4
Residente de Medicina 38 30,1
Enfermeiro 2 1,6
Técnico de Enfermagem 27 20,9
Auxiliar de Enfermagem 21 16,5
Serviços Gerais
Total 9
127 7,1
100,0Resultado e Discussão
57
Nas categorias médicos externos, médicos preceptores e residentes de medicina,
predominou o sexo masculino, com 82,4%.
Nas categorias enfermeiros, técnicos de enfermagem e auxiliares de
enfermagem, houve um predomínio do sexo feminino, com 76,0%. Na categoria
serviços gerais, apurou-se uma atuação exclusivamente feminina.
Historicamente, a equipe de enfermagem sempre foi constituída, em sua maioria,
por profissionais do sexo feminino, característica esta ressaltada em diversos estudos,
com uma variação de 85,2% a 93,4% (SÊCCO et al., 2002; SANTOS, 2003;
MARZIALE; NISHIMURA; FERREIRA, 2004; SOUZA, 1999; BREVIDELLI;
CIANCIARULLO, 2006).
A idade média dos profissionais foi de 34 anos; o tempo médio de formação, de
10 anos; o de atuação no hospital de estudo, de 8 anos; e o de tempo de trabalho no
centro cirúrgico, de 7 anos. Em geral, os trabalhados são jovens e possuem tempo de
atuação suficiente para conhecer as rotinas do setor e da instituição.
Semelhante ao constatado no presente estudo, Brevidelli e Cianciarullo (2006)
encontraram em população similar uma idade média de 37,7 anos e 8,5 anos para o
tempo de instituição.
Entretanto, quando verificada isoladamente a categoria médicos externos e
residentes de medicina, encontraram-se abaixo da média por idade (100%), formação
(97,6%) e atuação profissional (100%), diferentemente da categoria médicos
preceptores, que estão acima da média para essas variáveis.
Esses dados são justificados pelo fato de a categoria residentes de medicina
ainda se encontrarem em período de formação, diferentemente dos outros profissionais,
que já estão inseridos no mercado de trabalho.Resultado e Discussão
58
TABELA 2
Distribuição dos trabalhadores da equipe médica do centro cirúrgico (n = 68), por idade,
tempo de formação e atuação profissional – Belo Horizonte, 2007.
Idade
Categoria
Tempo de
Formação
Tempo de
Instituição
Tempo no Setor
(Centro Cirúrgico)
< 34 anos n (%) >34 anos
n (%) <10 anos n (%) >10 anos
n (%) <8 anos n (%) >8 anos
n (%) <7anos n (%) >7anos
n (%)
3(4,4) 0 (0,0) 3 (4,4) 0 (0,0) 3 (4,4) 0 (0,0) 3 (4,4) 0 (0,0)
Médico
Preceptor 8 (11,8) 19 (27,9) 9 (13,2) 18 (26,5) 5 (7,4) 22 (32,3) 5 (7,4) 22 (32,3)
Residente de
Medicina 38 (55,9) 0 (0,0) 37 (54,4) 1 (1,5) 38 (55,9) 0 (0,0) 38 (55,9) 0 (0,0)
Total 49 (73,1) 19 (27,9) 49 (72,0) 19 (28,0) 46 (67,7) 22 (32,3) 46 (67,7) 22 (32,3)
Médico
Externo
A equipe de enfermagem encontrou-se próxima da média em relação a idade,
tempo de formação, de instituição e de setor (TAB. 3).
Os profissionais da categoria enfermeiros estavam abaixo da média para o tempo
na instituição e no setor, devido à recente contratação desses profissionais no referido
setor.
TABELA 3
Distribuição dos trabalhadores da equipe de enfermagem do centro cirúrgico (n = 50),
por idade, tempo de formação e atuação profissional – Belo Horizonte, 2007.
Idade
Categoria
Tempo de
Formação
Tempo de
Instituição
Tempo no Setor
(Centro Cirúrgico)
< 34 anos n (%) >34 anos
n (%) <10 anos n (%) >10 anos
n (%) <8 anos n (%) >8 anos
n (%) <7anos n (%) >7anos
n (%)
1 (2,0) 1 (2,0) 1 (2,0) 1 (2,0) 2 (4,0) 0 (0,0) 2 (4,0) 0 (0,0)
Técnico de
Enfermagem 10 (20,0) 16 (32,0) 11 (22,0) 16 (32,0) 11 (22,0) 16 (32,0) 13 (26,0) 14 (28,0)
Auxiliar de
Enfermagem 8 (16,0) 13 (26,0) 9 (18,0) 12 (24,0) 12 (24,0) 9 (18,0) 13 (26,0) 8 (16,0)
19 (38,0) 30 (60,0) 21 (42,0) 29 (58,0) 25 (50,0) 25 (50,0)
Total
* 1 profissional da categoria técnico de enfermagem que não informou a idade. 28 (56,0) 22 (44,0)
Enfermeiro
Percebe-se que a maioria da categoria técnicos de enfermagem esteve acima da
média para as características avaliadas. Para esses profissionais, a idade, o tempo deResultado e Discussão
59
formação, de instituição e o tempo de setor foram superiores aos observados para outras
categorias, sugerindo um conhecimento mais acentuado sobre as normas e rotinas do
local de trabalho.
A categoria auxiliares de enfermagem encontrava-se abaixo da média para o
tempo de instituição e o tempo de setor.
Em âmbito geral, os dados encontrados sugeriram uma baixa rotatividade da
equipe de enfermagem no centro cirúrgico, com exceção da categoria de auxiliares de
enfermagem.
A categoria serviços gerais apresentou-se com idade superior à média
encontrada, de 34 anos.
O tempo de instituição e o tempo de setor apresentaram porcentagens inferiores
ao de outras categorias, fato que indica uma equipe em constante rotatividade,
provavelmente devido ao caráter terceirizado da prestação de serviço.
No turno diurno de trabalho, 69% dos participantes pertenciam à equipe de
enfermagem; já no turno noturno, observou-se que esta porcentagem foi de apenas 6,2%
para enfermagem e 0,8% para a categoria serviços gerais.
A concentração de profissionais no turno diurno se deve à característica do setor,
com predomínio de cirurgias programadas, ficando o período noturno, principalmente,
para cirurgias em caráter de emergência, recomposição de sala e reabastecimento de
materiais de consumo, entre outras atividades.
Na equipe médica, 58,8% dos profissionais relataram trabalhar apenas no turno
diurno e 41,2% responderam que trabalham em turnos noturnos e diurnos,
simultaneamente. A atuação dessa categoria em ambos os turnos de trabalho justifica-se
pela ocorrência de cirurgias emergenciais realizadas durante 24 horas, sendo a escala
por plantão, com a necessidade do médico cirurgião a qualquer momento do dia.
Essa diferenciação no turno de escala de trabalho para os profissionais ocorreuResultado e Discussão
60
devido a equipe de enfermagem e a categoria serviços gerais possuírem um regime fixo
de horários, diferente da equipe médica.
O vínculo de trabalho foi predominantemente de profissionais concursados pela
UFMG, seguido pela FUNDEP, empresas terceirizadas e outros tipos de convênios
(GRÁF. 1).
Vínculo de Trabalho
90
81,1
80
70
60
50
40
30
20
9,4
10
7,1
1,6 0,8
Outros Não
respondeu
0
UFMG
FUNDEP
Terceirizado
GRÁFICO 1 – Distribuição do tipo de vínculo de trabalho entre
os profissionais no centro cirúrgico – Belo
Horizonte, 2007.
Percebe-se que o tipo de vínculo terceirizado é constituído exclusivamente para
os profissionais de serviços gerais.
A terceirização compõe um modelo de economia, mas pode constituir também
uma desvantagem para o trabalhador, devido à insegurança resultante da perda dos
benefícios sociais decorrentes do contrato de trabalho e de normas coletivas (IMHOFF;
MORTARI, 2005).
Situação essa que pode repercutir a longo prazo em sentimentos como medo de
desemprego, incerteza quanto ao amparo legal diante dos acidentes e preocupaçõesResultado e Discussão
61
sobre o descontentamento do empregador nas tarefas desenvolvidas.
5.2
Biossegurança e caracterização dos acidentes de trabalho
A manipulação de material pérfuro-cortante, por meio do reencape de agulhas,
ocorreu de forma insatisfatória entre os profissionais. Apesar de o local de descarte
desses materiais ser adequado em 81,1%, ainda assim faz-se necessária a atenção
especial à adequação às normas de biossegurança (TAB. 4).
TABELA 4
Caracterização do descarte e da manipulação de material pérfuro-cortante pelos
profissionais no centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007.
Procedimento
n (127)
%
Local de descarte
81,1
103
Correto
18,9
24
Incorreto
Reencape de agulhas
Sempre
Na maioria das vezes
Raramente
Não reencapa
13
30
29
55
10,2
23,6
22,9
43,3
Quanto ao reencape de agulhas entre os entrevistados, o não reencape ocorreu
em apenas 43,4%. Constatou-se que 56,6% dos profissionais praticaram o reencape de
agulhas em algum momento. Esse percentual é superior ao encontrado em outros
estudos, em que 36% a 45% do reencape de agulhas constituiu o principal fator
responsável pelo acidente de trabalho (TALAAT et al., 2003; AZAP et al., 2005).
As categorias profissionais que apresentaram maiores taxas de não reencape de
agulhas foram as de enfermeiros (100%), serviços gerais (77,8%) e auxiliares de
enfermagem (71,4%). Para o reencape ocorrido em algum momento a predominânciaResultado e Discussão
62
foi para médicos externos (100%), médicos preceptores (77,8%) e residentes de
medicina (73,7).
A adesão à prática adequada de reencape de agulhas esteve efetivamente
presente para a equipe de enfermagem e a categoria serviços gerais, sendo que os
profissionais da equipe médica não exercitaram essa atividade, podendo propiciar a
ocorrência de acidentes.
O local de descarte incorreto deveu-se primordialmente ao fato de o cirurgião,
após o uso de material pérfuro-cortante (agulha e lâmina de bisturi, entre outros),
depositar o material sobre a mesa cirúrgica, sem oportunidade de descarte em recipiente
próprio. O descarte em local apropriado desse material ocorre no momento da retirada
de mesa, após o final da cirurgia pelos técnicos de enfermagem e auxiliares de
enfermagem.
A análise das categorias enfermeiros, técnicos de enfermagem e serviços gerais
identificou que o descarte em local adequado ocorreu em 100% dos relatos e para os
auxiliares de enfermagem foi observado em 90,5%. Esses achados indicam que a equipe
de enfermagem possuía práticas satisfatórias para o destino final do material pérfuro-
cortante, contribuindo para a redução dos acidentes de trabalho.
O descarte do material pérfuro-cortante em local inadequado pode contribuir
para a ocorrência de acidentes. A prática inadequada de descarte foi considerada como
responsável por 14,9 e 26,7% dos acidentes entre os trabalhadores de enfermagem
(MARZIALE; NISHIMURA; FERREIRA, 2004; SOUZA, 1999).
O conhecimento sobre acidentes de trabalho, bem como o significado da sigla
CAT estão descritos na TAB. 5.
Observa-se que a maioria dos profissionais relatou que o principal momento de
informação sobre acidentes de trabalho ocorreu durante a formação profissional e cursos
realizados na instituição.Resultado e Discussão
63
Para os profissionais da categoria serviços gerais, esta informação decorreu em
sua totalidade dos cursos realizados na instituição pela empresa contratante, pois estes
não possuem formação profissional específica.
TABELA 5
Distribuição do conhecimento sobre acidentes de trabalho e notificação
profissionais no centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007.
Conhecimentos sobre acidentes de trabalho
n (127)
Momento que recebeu informações sobre acidentes de trabalho
78
Durante a formação profissional
14
Curso realizado na instituição que trabalho atualmente
01
Simpósios e congressos etc.
08
Pelo supervisor ou colega de trabalho
02
Quando sofri acidente de trabalho
04
Nunca fui informado
20
Mais de uma situação 61,4
11,0
0,8
6,3
1,6
3,1
15,8
Significado da sigla CAT
Correto
Incorreto
Não sabe/não lembra 51,2
20,5
28,3
65
26
36
entre
%
Ressalta-se, ainda, que 15,8% dos trabalhadores foram informados em mais de
uma situação e que receberam esse conhecimento durante a formação profissional, em
curso realizado na instituição e em orientação oferecida pelo supervisor ou colega de
trabalho.
Outros estudos evidenciaram que mais de 46,6% dos profissionais entrevistados
obtiveram informações sobre acidentes de trabalho durante a formação profissional. A
instituição de trabalho ofereceu essa orientação em 24,6% por meio de palestras,
diferentemente do presente estudo, que constatou essa forma de divulgação desse
conhecimento em percentual inferior, 11% (BREVIDELLI; CIANCIARULO, 2006;
NHAMBA, 2004).
A sigla CAT foi definida corretamente por 51,2% dos participantes,
incorretamente por 20,5% e assumiram que não sabe/não lembra o significado 28,3%.
Nota-se que a maioria dos profissionais adquiriu o conhecimento sobre acidentesResultado e Discussão
64
de trabalho durante sua formação, demonstrando que tal momento é de extrema
importância para reafirmar a prevenção dos acidentes de trabalho.
Entretanto, quando se observa que esses profissionais apresentaram uma média
de formação de dez anos e que receberam informações sobre acidentes enquanto
discentes, questiona-se sobre a sua apreensão a atualidade pelo alto índice do reencape
de agulhas e o desconhecimento da CAT.
Tal fato evidencia uma necessidade emergencial de atualização desses
trabalhadores pela instituição, visando à adoção das precauções-padrão a fim de reduzir
e orientar as equipes sobre os acidentes envolvendo material pérfuro-cortante.
No GRÁF. 2, é apontado o conhecimento sobre as doenças ocupacionais (AIDS,
Hepatites B e C) que podem advir do acidente de trabalho.
Conhecimento sobre Doenças Ocupacionais
33,3
Serviços Gerais
66,7
Auxiliar de
Enfermagem
9,5
90,5
Técnico de
Enfermagem
18,5
81,5
Incorreto
0,0
Enfermeiro
Correto
100,0
Residente de
Medicina
5,3
94,7
11,1
Médico Preceptor
88,9
0,0
Médico Externo
100,0
0
20
40
60
80
100
120
%
GRÁFICO 2 – Conhecimento sobre doenças que podem ser adquiridas após
acidente com material pérfuro-cortante contaminado entre os
profissionais no centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007.Resultado e Discussão
65
A contaminação por HIV, hepatite B e hepatite C, após exposição ocupacional,
foi mencionada por 88,2% dos participantes, com 100% de acerto para as categorias
médicos externos e enfermeiros.
Dado semelhante foi reportado em 97,6% dos trabalhadores de enfermagem de
um hospital, que afirmaram conhecer as principais doenças ocupacionais transmitidas
pós-acidente com material biológico (PEREIRA et al., 2004).
Em outra pesquisa com profissionais de enfermagem, foram encontrados 61% de
desconhecimento em relação às doenças ocupacionais que podem incidir com o acidente
de trabalho (KUNZLE et al., 2006).
A categoria de serviços gerais apresentou um conhecimento correto sobre
doenças ocupacionais apenas em 66,7% dos relatos. Esse achado não corrobora com
outras características encontradas para esses profissionais ao confirmarem que 100%
receberam informações sobre acidentes de trabalho em curso realizado na instituição,
100% descartaram material perfuro-cortante em local adequado e 77,8% não
reencaparam agulhas.
Interroga-se, portanto, sobre a qualidade, a forma e a compreensão de
informações sobre as doenças, bem como a dinâmica e meios de transmissão associados
à incompatibilidade do nível educacional e a baixa concentração durante os
treinamentos recebidos.
O fato de alguns profissionais não saberem quais as doenças podem ser
adquiridas com o acidente de trabalho pode acarretar uma percepção diminuída do risco
de se contaminarem, dificultando a adesão às normas de biossegurança, principalmente
no que se refere ao esquema vacinal para hepatite B entre os profissionais (COCOLO,
2002).
O esquema completo de vacinação para hepatite B em três doses foi verificado
em 75,6% dos profissionais. De forma semelhante, em outros estudos identificou-seResultado e Discussão
66
adesão de 74,3% e 90,0% (DAMASCENO et al., 2006; MARZIALE; NISHIMURA;
FERREIRA, 2004).
O anti-Hbs, como forma de comprovação da viragem sorológica, foi verificado
apenas em 40,3% dos entrevistados, percentual inferior à cobertura reportada em outro
estudo, que encontrou 68% dessa confirmação em profissionais da equipe de saúde
(GRÁF. 3) (GERSHON et al., 2007).
Esquema Vacinal
3,0%
0,8%
1,6%
19,0%
Completo
Incompleto
Não vacinou
Não lembra
Não respondeu
75,6%
GRÁFICO 3 – Freqüência de vacinação para hepatite B entre os profissionais no centro
cirúrgico – Belo Horizonte, 2007.
Tais dados demonstram que a prevenção para a hepatite B entre os profissionais
de saúde ainda é inadequada, necessitando de maior atenção por parte da instituição,
seja por meio de exames periódicos, inquéritos populacionais ou campanhas educativas
e ainda na reflexão quanto a essa exigência no momento da admissão dos profissionais.
A partir deste momento, na TAB. 6, as categorias profissionais de médicos
preceptores e médicos externos foram associadas devido ao “n” reduzido para cada uma
dessas categorias, sendo esses os que mais se acidentaram (46,6%), seguidos por
residentes de medicina (33,3%).
Para a equipe de enfermagem, optou-se por agrupar as categorias auxiliares de
enfermagem e técnicos de enfermagem, registrando 13,4% de acidentes, tendo em vistaResultado e Discussão
67
o não registro de acidentes entre os enfermeiros.
Entre os profissionais dos serviços gerais, 3,3% se acidentaram, sendo que os
enfermeiros não relataram terem sofrido acidentes de trabalho com exposição a material
biológico no ano de 2006.
TABELA 6
Distribuição dos acidentes de trabalho ocorridos no ano de 2006 envolvendo material
pérfuro-cortante entre os profissionais no centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007.
Acidente de Trabalho
Categoria Profissional
Número de acidente
Tx Incidência
(%)
1 (%)
>1 (%)
Médico Externo/Preceptor
Residente de Medicina
Subtotal 05 (16,6)
06 (20,0)
11 (36,6) 09 (30,0)
05 (16,7)
14 (36,7) 46,7
28,9
36,8
Enfermeiro
Técnico/Auxiliar de Enfermagem
Subtotal 0 (0,0)
02 (6,8)
02 (6,8) 0 (0,0)
02 (6,6)
02 (6,6) 0,0
8,3
8,0
Serviços Gerais
Subtotal 01 (3,3)
01 (3,3) 0 (0,0)
0 (0,0) 10,0
10,0
Total 14 (46,7) 16 (53,3) 23,6
Outro estudo realizado com profissionais de saúde registrou, de forma
semelhante, a incidência dos acidentes na equipe médica (23,9-37,2%), sendo
justificada pela alta concentração de procedimentos invasivos e pela baixa habilidade
técnica entre os residentes de medicina, que ainda estão em período de formação,
favorecendo a ocorrência do acidente (SHIMIZU; RIBEIRO, 2002; TARANTOLA et
al., 2003).
As taxas de acidentes registradas no presente estudo para a equipe de
enfermagem (8,0%) diferem da literatura pesquisada, que registrou incidências entre
41,0 a 80,4% de ocorrência de acidentes envolvendo material biológico (RAPPARINI et
al., 2007; SÊCCO et al., 2003; GUTIERREZ; LOPES; YASUDA, 2005;
TARANTOLA et al., 2003; ALMEIDA; BENATTI, 2007; BÁLSAMO; FELLI, 2006;Resultado e Discussão
68
CIORLIA; ZANETTA, 2004).
Entretanto, pode sugerir a omissão dos acidentes nas respostas dos entrevistados.
Este fato chama a atenção, pois se os acidentes não foram relatados de forma anônima
durante a pesquisa realizada, provavelmente também não foram notificados,
contribuindo para a subnotificação.
Os acidentes com profissionais dos serviços gerais demonstraram taxas similares
às descritas pela literatura, entre 8,33% a 13,2%, atribuídas às atividades exercidas
durante a limpeza e manipulação do lixo hospitalar, que oferecem risco elevado de
acidente potencializado pelo descarte inadequado de material pérfuro-cortante pelos
profissionais de saúde (BÁLSAMO; FELLI, 2006; GUTIERREZ; LOPES; YASUDA,
2005; RAPPARINI et al., 2007; ALMEIDA; BENATTI, 2007).
Observou-se, ainda que, do total de acidentes, algumas categorias profissionais
relataram mais de uma ocorrência. Dos 13 acidentes registrados entre médicos
preceptores, 69,2% (9) apresentaram mais de uma ocorrência; os residentes de medicina
demonstraram que, do total de 11 acidentes, 45,5% (5) ocorreram em mais de um
momento.
O número de acidentes ocorridos foi relatado pelos profissionais de forma
imprecisa. Pois ao serem questionados sobre a quantidade de exposições sofridas no
último ano (2006), esta foi definida como “vários”, “inúmeros” e “n” acidentes,
impedindo uma contagem exata em casos que ocorreram mais de um acidente.
Os materiais pérfuro-cortantes envolvidos na maioria dos acidentes foram
categorizados por: agulha, lâmina de bisturi, eletrocautério e outros, por exemplo,
instrumental cirúrgico (GRÁF. 4).Resultado e Discussão
69
Material Pérfuro-cortante
80
73,3
70
60
50
% 40
30
20
6,7
10
10
6,7
3,3
0
Agulha
Lâmina de
Bisturi
Eletrocautério
Outro
Não respondeu
GRÁFICO 4 – Freqüência dos materiais pérfuro-cortantes envolvidos nos
acidentes de trabalho dos profissionais no centro cirúrgico –
Belo Horizonte, 2007.
A agulha é descrita por vários autores como o material pérfuro-cortante
responsável pela maioria dos acidentes, 61% a 88,6%, (BENATTI, 2001; MOURA;
GIR; CANINI, 2006; GUTIERREZ; LOPES; YASUDA, 2005; SARQUIS; FELLI,
2000; SHIMIZU; RIBEIRO, 2002; ALMEIDA; BENATTI, 2007; SARQUIS et al.,
2005).
As agulhas foram definidas para este estudo, de forma geral, como sendo do tipo
de agulha oca e agulha de sutura, em classificação única.
O fato de a agulha ter sido o objeto envolvido na maioria dos acidentes e de
esses terem ocorrido predominantemente com a equipe médica demonstra que esses
profissionais necessitam rever sua atenção e concentração durante o ato cirúrgico. Esse
fato infere uma desvalorização dos acidentes, devido à não preocupação em preveni-los
por meio de ações mais seguras, como a concentração e o não reencape, observado
anteriormente em apenas 23,5% dessa categoria.
A atividade que propiciou a maioria das ocorrências dos acidentes de trabalho
foi procedimento cirúrgico, com 56,7% de ocorrência entre residentes de medicina eResultado e Discussão
70
médicos preceptores (TAB. 7).
TABELA 7
Distribuição das atividades realizadas durante a ocorrência do acidente de trabalho pelos
profissionais no centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007.
Atividades
n
%
Procedimento Cirúrgico
17
56,7
Manipulação de Instrumentais
04
13,3
Punção Venosa
02
6,7
Descarte de Materiais
02
6,7
Outros
04
13,3
Não respondeu
01
3,3
Total
30
100,0
Estudo realizado em 375 hospitais franceses constatou atividades semelhantes
com 22,6% dos acidentes ocorridos durante administração de medicamentos envolvendo
uso de agulhas, 17,9% durante a coleta de sangue e 16,6% durante a cirurgia (VENIER
et al., 2007).
Com relação ao turno de trabalho, o diurno apresentou maior freqüência de
acidentes (86,7%). Outros estudos confirmam essa tendência com 78,2% a 81,0%,
devido ao fato de a maioria dos procedimentos, principalmente os cirúrgicos, ocorrerem
nesse período (BARBOSA et al., 1999; BENATTI, 2001; ALMEIDA; BENATTI,
2007).
Após o acidente, os cuidados imediatos com a lesão relatados se basearam no
uso de água, sabão, álcool e degermante. O uso do álcool no local da ferida não é
recomendado, pois, de acordo com as orientações oficiais, a área exposta deve ser
preferencialmente lavada imediatamente após o acidente com água e sabão. O uso
concomitante de soluções antissépticas degermantes não possui evidências de redução
do risco de contaminação de doenças, apesar de também ser indicado (BRASIL, 2006).
As respostas sobre os cuidados imediatos com lesão foram inadequadas e
diversificadas. A maioria dos entrevistados definiu este cuidado como “limpeza”, “usoResultado e Discussão
71
de degermante”, “troca de luvas” e “somente uso de água”, demonstrando o
desconhecimento das medidas preconizadas.
As condutas corretas com a lesão provocada pelo acidente com material pérfuro-
cortante foram observadas em apenas 13,3% dos profissionais acidentados, que
afirmaram ter utilizado água e sabão sob o local.
O cuidado imediato com a lesão pós-acidente foi identificado também em outro
estudo, registrando que a assepsia do local ocorreu em apenas 36,6% dos relatos,
afirmando o descuido dos profissionais acidentados com a ferida provocada pelo
material pérfuro-cortante (PEREIRA et al., 2004).
Com relação ao uso de EPI no momento do acidente, 93,3% dos entrevistados
afirmaram usar esta proteção no momento do acidente. Entretanto, quando se constata
que a maioria dos acidentes ocorreu durante o ato cirúrgico, esse dado não permite
reflexões, tendo em vista que os EPIs são de uso obrigatório durante tal atividade,
justificando o alto índice de adesão (CIORLIA; ZANETTA, 2004; BÁLSAMO; FELLI,
2006).
Os fatores contribuintes para a ocorrência dos acidentes de trabalho entre os
trabalhadores acidentados estão detalhados na TAB. 8.
TABELA 8
Freqüência dos fatores que contribuíram para a ocorrência do acidente de trabalho entre
os profissionais acidentados no centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007.
Fatores determinantes
n
%
Falta de atenção
11
36,7
Más condições de trabalho
6
20,0
Descuido do colega
4
13,3
Pressa
3
10,0
Acaso/azar
2
6,7
Não respondeu
4
13,3
Total
30
100,0Resultado e Discussão
72
Observou-se que 13,3% dos entrevistados não responderam a essa questão.
Provavelmente, este fato deveu-se à dificuldade de identificar os fatores contribuintes
para o acidente, que pode ser justificada por uma percepção limitada das potenciais
causas que poderiam ter acarretado o acidente, predispondo, assim, a outras exposições.
A falta de atenção representou o fator que mais contribuiu para a ocorrência de
acidentes, seguida por más condições de trabalho, descuido do colega, pressa e
acaso/azar. Desses, a desatenção também foi considerada o fator principal, com
incidência em 48,1% dos profissionais de enfermagem de uma rede hospitalar
(PEREIRA et al., 2004).
Fatores adicionais foram citados por outros autores, como: estresse, cansaço
físico, falta de esclarecimento sobre o assunto, múltiplos empregos, falta de funcionário,
falta de sensibilização e conscientização, supervisão inadequada, falta de percepção do
risco e falta de programas de educação permanente (DAMASCENO et al., 2006;
BÁLSAMO; FELLI, 2006; MARZIALE; RODRIGUES, 2002).
Após o acidente, a notificação deve ocorrer de forma a respaldar o trabalhador,
compreendendo desde o atendimento médico, exames laboratoriais do acidentado e
paciente-fonte até o registro na CAT.
A conduta legal após o acidente de trabalho por meio do atendimento médico,
exames laboratoriais do profissional e do paciente, está descrita no GRÁF. 5.
A avaliação médica e os exames laboratoriais após o acidente devem ocorrer em
todos os casos para prescrição da conduta adequada quanto a quimioprofilaxia,
vacinação e acompanhamento por profissional médico habilitado da instituição.
O atendimento médico ao profissional acidentado foi relatado em 30% das
ocorrências; a realização de exames laboratoriais, em 26,7% dos profissionais. Dados
semelhantes foram reportados em um estudo com 33,0% de procura por assistência
médica após acidente ocupacional (AZAP et al., 2005).Resultado e Discussão
73
Conduta após Acidente de Trabalho
80
73,3
70,0
70
63,3
60
50
% 40
36,7
30,0
26,7
30
20
10
0
sim
não
Atendimento médico
sim
não
Exames laboratoriais
Profissional
sim
não
Exames laboratoriais
Paciente-fonte
GRÁFICO 5 – Freqüência das condutas após acidente de trabalho dos
profissionais acidentados no centro cirúrgico – Belo
Horizonte, 2007.
Os profissionais que menos procuraram esse atendimento foram os médicos,
realtando essa atitude em apenas 24% dos casos. O baixo atendimento médico para essa
categoria pode ser explicado pelo fato de esses profissionais terem inferido o auto-
atendimento, devido a sua formação, considerando, assim, desnecessário o atendimento
médico por um profissional especializado.
Tal fato deveria ser repensado, uma vez que condutas adequadas, protocolos de
avaliação e acompanhamento pós acidente não são necessariamente conhecidos entre
todas as especialidades médicas.
As principais justificativas para a não realização de exames laboratoriais dos
profissionais foram atribuídas ao fato de o acidente ser caracterizado como “leve e sem
importância” (26,6%), displicência (6,6%), verificação de exame recente do paciente-
fonte (6,6%), alta freqüência de acidentes (3,3%) e burocracia (3,3%).
Os exames laboratoriais do paciente-fonte ocorreram em 36,7% dos acidentes.Resultado e Discussão
74
Outros estudos também registraram de 36,6 e 44,5% de realização de exames
laboratoriais em pacientes-fonte envolvidos, após acidente ocupacional, com sangue e
fluidos corporais (CIORLIA; ZANETTA, 2004; ALMEIDA; BEANTTI, 2007).
Os motivos relatados pelos profissionais por não terem realizado exames
laboratoriais em 63,3% dos pacientes-fonte foram displicência (23,3%), não
reconhecimento do paciente envolvido no acidente (10%), alta freqüência de acidentes
que demandaria disponibilidade de tempo para tal (3,3%) e exame recente do paciente
(3,3%). Esses relatos foram reportados em sua maioria, pela equipe médica (84,2%),
devido a sua maior exposição durante o período estudado.
Possivelmente, a realização ou não de exames laboratoriais nos profissionais e
pacientes também pode estar associada ao medo dos resultados sorológicos, acarretando
preocupação, ansiedade, estresse, nervosismo, angústia, desespero e pânico, conforme
citados na literatura (PEREIRA et al., 2004).
Quanto à sorologia do paciente-fonte e a pequena extensão da lesão, Caixeta e
Barbosa-Branco (2005) observaram que tais fatores impediram a quimioprofilaxia em
70% dos profissionais de saúde com indicação para o tratamento, inferindo uma menor
significância da prevenção, notificação e tratamento para esse tipo de exposição pelos
profissionais envolvidos. Entretanto, no presente estudo esse aspecto não foi avaliado.
O critério utilizado para a notificação do acidente de trabalho foi o registro em
um documento oficial (CAT). Caso contrário, caracterizou-se a subnotificação. Essa
comunicação foi referida por apenas 15,4% dos profissionais (TAB. 9).
A subnotificação ocorreu em 84,6% dos acidentes, com incidência de 84,6%
para a categoria médicos externos/preceptores, 100,0% para a residentes de medicina e
66,7% para a auxiliares de enfermagem.
Estudo semelhante, realizado com médicos cirurgiões, também constatou
elevado índice de subnotificação, apresentando porcentagem de 89,6% (TARANTOLAResultado e Discussão
75
et al., 2006).
TABELA 9
Notificação dos acidentes de trabalho (n = 26*) entre os profissionais acidentados no
centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007.
Notificação do Acidente de Trabalho
Categoria Profissional
Tx. incidência da
Sim
Não
%
subnotificação %
n
%
n
Médico Externo/Preceptor
Residente de Medicina 2
0 7,7
0,0 11
9 42,3
34,6 84,6
100,0
Técnico/Auxiliar de Enfermagem 1 3,8 2 7,7 66,7
Serviços Gerais
Total 1
4 3,8
15,4 0
22 0,0
84,6 0,0
84,6
* 4 participantes que sofreram acidente não responderam a questão
Esses dados demonstram que estes profissionais não procuram atendimento
especializado após exposição ocupacional, contribuindo para aumentar a taxa de
subnotificação entre a equipe assistencial multiprofissional.
A equipe de enfermagem registrou 7,7% de subnotificação, diferente da
literatura, em que se verificou taxas elevadas de subnotificação (34,4%) para acidentes
envolvendo material pérfuro-cortante nessa categoria (NAPOLEÃO, 1999).
Outros autores descrevem alguns fatores conhecidos por influenciarem a
subnotificação entre profissionais de enfermagem como: medo, estigma, implicações
legais, punições e, até mesmo, receio de demissões (MONZANI et al., 2006; SÊCCO et
al., 2004).
A importância do registro de acidente, principalmente envolvendo material
pérfuro-cortante, parece não sensibilizar os trabalhadores de saúde, mesmo com a
grande repercussão da possibilidade de contaminação por doenças infecto-contagiosas,
como as hepatites e a AIDS.
Entretanto, os profissionais da categoria serviços gerais notificaram todos os
acidentes, demonstrando que o vínculo empregatício pode influenciar positivamente oResultado e Discussão
76
registro. Esse fato pode estar relacionado ao sentimento da instabilidade no trabalho e
ao receio de desemprego.
A notificação do acidente foi justificada por apenas 10% (3) dos acidentados
com respostas distintas, como: rotina da instituição, aspecto legal e paciente com
sorologia positiva para hepatite C.
Os fatores contribuintes para a subnotificação estão descritos na TAB. 10.
TABELA 10
Freqüência dos fatores que contribuíram para a subnotificação do acidente de trabalho
entre os profissionais acidentados no centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007.
Fatores determinantes
N
%
Acidente irrelevante
05
22,7
Desconhecimento do protocolo de rotina
05
22,7
Displicência
05
22,7
Paciente-fonte com exames recentes
02
9,5
Elevado número de acidentes
03
13,6
02
9,5
Dificuldades administrativas para o registro
Total
22
100,0
Os profissionais que não notificaram o acidente de trabalho tiveram suas
respostas categorizadas, permitindo a definição dos principais fatores contribuintes para
a subnotificação no presente estudo,
tais como: irrelevância do acidente,
desconhecimento do protocolo de rotina e displicência.
Esses fatores também foram verificados em outro estudo, com porcentagens
acima das encontradas no presente estudo. Os profissionais de saúde relataram:
desconhecimento da notificação, 35,8%; julgamento da notificação como desnecessária,
25,6%; e outros motivos, como falta de tempo, paciente-fonte com sorologia negativa e
acidente classificado como simples, 49,9% (PEREIRA et al., 2004).
Além dessas causas, existe ainda o medo de ser demitido, que não foi apontado
pelos entrevistados deste estudo, mas representa um fator importante que pode
contribuir, direta ou indiretamente, para a subnotificação dos acidentes de trabalhoResultado e Discussão
77
(NAPOLEÃO, 1999; BENATTI, 2001).
Uma das formas de minimizar a subnotificação ocorre por meio da informação
sobre a importância e a obrigatoriedade do registro dos acidentes. Entretanto, os
profissionais de saúde acidentados estudados (22,7%), parecem desconhecer essa
necessidade ou a negligenciam.
Outro aspecto importante da subnotificação pode ocorrer pela falta de
esclarecimento sobre o registro, como forma de garantir direitos trabalhistas e base para
reivindicações de melhores condições para segurança no trabalho, conforme descrito
por Marziale (2003).
O conhecimento e comportamento dos profissionais acidentados sobre
biossegurança estão descritos na TAB. 11.
TABELA 11
Conhecimento e comportamento adequado sobre biossegurança entre os profissionais
acidentados no centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007.
Uso de EPI
Descarte
Não
Significado
no
Categoria
em local
correto da reencape de
momento
n
adequado
agulha
sigla CAT
Profissional
do acidente
n (%)
n (%)
n (%)
n (%)
Médico
Externo/Preceptor
14
10 (33,3)
2 (6,7)
8 (26,6)
12 (40,0)
Residente de
Medicina 11 8 (26,7) 3 (10,0) 7 (23,3) 11 (36,7)
Técnico/Auxiliar de
Enfermagem 4 1 (3,3) 1 (3,3) 3 (10,0) 4 (13,3)
Serviços Gerais
Total 1
30 0 (0,0)
19 (63,3) 1 (3,3)
7 (23,3) 1 (3,3)
19 (63,3) 1 (3,3)
28 (93,3)
O significado da sigla CAT foi respondido corretamente em apenas 63,3% dos
profissionais acidentados.
O reencape de agulhas (76,7%) e o descarte inadequado de material pérfuro-
cortante (36,7%) foram preocupantes entre os profissionais acidentados, principalmenteResultado e Discussão
78
quando se observa que em outros estudos essas atitudes propiciaram de 21,9% a 28,1%
dos acidentes em trabalhadores de saúde (MOURA; GIR; CANINI, 2006; PEREIRA et
al., 2004).
A prática inadequada das normas de biossegurança foi ressaltada para a
categoria médicos preceptores que apresentou maior incidência de acidentes (48,1%),
destacando que apenas 6,7% não praticaram o reencape de agulhas. Os residentes de
medicina acidentados (11) relataram práticas semelhantes aos médicos preceptores,
observando que, do total de acidentados, 10,0% não praticaram o reencape de agulhas
adequadamente.
A prática da manipulação e descarte de material pérfuro-cortante deve ser
transmitida para o aluno durante o período da graduação. No entanto, quando o discente
não absorve ou não é orientado adequadamente, a proteção e prevenção de acidentes
podem se tornar comprometidas (BARRETO et al., 2007).
Os residentes de medicina relataram práticas de biossegurança semelhantes às de
seus preceptores, demonstrando a influência transmitida durante o período de formação,
tanto para o reencape de agulhas quanto para o descarte de material pérfuro-cortante em
local adequado, além de representarem as duas categorias que mais se acidentaram entre
a equipe multiprofissional.
Quando se confronta a cobertura vacinal com a ocorrência dos acidentes de
trabalho entre os profissionais entrevistados, constata-se uma taxa global, de 80%, de
imunização, com realização do anti-Hbs em 56,7% dos acidentados, semelhante a outros
estudos, em que variou de 56% a 90%, o que demonstrou uma proteção inadequada,
pois o recomendado seria o esquema vacinal completo para a totalidade dos
trabalhadores (SILVA et al., 2003; ALMEIDA; BENATTI, 2007; TRIPPLE et al.,
2004; MARZIALE; NISHIMURA; FERREIRA, 2004; BRASIL, 2005a).
Os resultados encontrados registram significância estatística com p<0,05 para osResultado e Discussão 79 acidentes de trabalho, associando as seguintes características: categoria médica, sexo masculino, reencape de agulhas e descarte incorreto de material pérfuro-cortante. O vínculo, o turno de trabalho e o conhecimento da sigla CAT não foram significativos (p> 0,05) (TAB. 12).
Tabela 12
Distribuição das variáveis do estudo de acordo com a ocorrência do acidente de trabalho
entre os profissionais no centro cirúrgico – Belo Horizonte, 2007.
Não
acidentado
% Acidentado
%
Categoria Profissional
Outros profissionais
Médicos 55,7
44,3 Sexo
Feminino
Masculino Escala do turno de trabalho
Noturno
Diurno
Variáveis
p-valor OR (IC 95%)
16,7
83,3 0,001 1
6,3 (2,2 – 17,8)
53,6
46,4 23,3
76,7 0,005 1
3,8 (1,5 – 9,7)
8,2
75,3 3,3
53,3 0,608 1
1,75 (0,2 – 15,0)
21,6
78,4 10,0
90,0 0,165 1
2,5 (0,7 – 9,0)
81,1
18,9 58,6
41,3 0,018 1
3,4 (1,2 – 9,3)
Reencape de agulha
Não reencapa
Sempre
Na maioria das vezes
Raramente 49,5
7,2
22,7
20,6 23,3
20,0
26,7
30,0 0,010
0,114
0,048 1
5,9 (1,5 – 22,6)
2,5 (0,8 – 7,7)
3,1 (1,0 – 9,4)
Significado de CAT
Correto
Incorreto 47,4
52,6 63,3
36,7 0,131 1
0,5 (0,25- 1,2)
Vínculo
FUNDEP/Terceirizado
UFMG
Local de descarte
materiais
Adequado
Inadequado
dos
A equipe médica apresentou 6, 3 (2,2-17,8) vezes chances de se acidentar quando
comparada com outras categorias. Para sexo, os homens demonstraram 3,8 (1,5-9,7)
vezes chances de se acidentar, quando comparados às mulheres.Resultado e Discussão
80
Evidenciou-se, ainda, que práticas seguras de biossegurança podem evitar
acidentes, pois constatou-se que a manipulação inadequada de material pérfuro-cortante
apresentou relação direta com os profissionais acidentados.
Os entrevistados que realizam descarte em local inadequado de material pérfuro-
cortante apresentaram 3,4 (1,2-9,3) vezes a chance de se acidentar, quando comparados
com aqueles que descartam adequadamente.
Para os profissionais que realizaram o reencape de agulhas, a exposição foi 5,9
(1,5-22,6) vezes mais chance de se acidentar, quando comparados aos que não realizam
esta prática.
Os dados encontrados ainda confirmaram que, apesar de a equipe médica ter
apresentado maior conhecimento sobre acidentes de trabalho, foi a que mais incidiu nas
exposições. Esse fato demonstrou que somente o conhecimento não contribui para a
prevenção e percepção do risco dos acidentes, necessitando também de práticas
adequadas durante suas atividades diárias.
Como limitação, destaca-se que o tamanho reduzido da amostra dificultou
apreciações mais detalhadas sobre a notificação e que algumas categorias profissionais,
como enfermeiros, serviços gerais e médicos preceptores foram insuficientes na
contribuição para as associações com acidentes de trabalho necessitando de
recategorização. Outro aspecto importante a ser observado, foi o da possível omissão
dos entrevistados sobre a ocorrência do acidente por constrangimento ou medo de perda
do trabalho.6
CONCLUSÃO
Este estudo possibilitou evidenciar a alta incidência de acidentes de trabalho e os
fatores atribuídos a sua ocorrência na equipe assistencial multiprofissional, sendo que a
falta de atenção contribuiu para a maioria das exposições durante a realização das
atividades diárias.
Os profissionais demonstraram que as práticas de biossegurança foram
inadequadas e que o conhecimento sobre acidentes de trabalho foi insatisfatório, o que
influenciou diretamente para a ocorrência das exposições.
A maior fonte de informação sobre acidentes de trabalho ocorreu durante a
formação profissional, sugerindo uma necessidade institucional quanto à orientação
sobre esses eventos.
A subnotificação foi relevante entre os profissionais acidentados, principalmente
quando relacionado separadamente para a equipe médica. Os principais fatores
contribuintes para essa ocorrência foram: irrelevância do acidente, desconhecimento do
protocolo de rotina e displicência.
A prevenção da hepatite B por meio da vacinação também apresentou
inconformidade com as recomendações oficias, sugerindo a adoção de medidas
incisivas, como encaminhamentos e campanhas de imunização interna, a fim de ampliar
a cobertura vacinal desses trabalhadores.
Diante desses resultados, sugere-se a implementação de treinamentos dos
profissionais acerca da adoção de medidas de biossegurança, programas de imunização,
vigilância dos acidentes de trabalho, educação permanente, palestras informativas sobre
os benefícios e o fluxo da notificação dos acidentes e amparo legal do trabalhador.
Visando neste âmbito, à redução dos acidentes envolvendo material pérfuro-cortante e
sua subnotificação, com o propósito de promover discussões que instiguem oConclusão
82
trabalhador a repensar sua prática e atuação mais segura, sensibilização quanto ao risco
de doenças ocupacionais, auxiliando ainda para a identificação de situações que
contribuam para a prevenção e notificação dos acidentes de trabalho.
Espera-se que o presente estudo possa ter contribuído para alertar profissionais e
instituições sobre a importância da prevenção e notificação dos acidentes, bem como
subsidiar outros estudos sob essa perspectiva, incitando novas investigações e
alicerçando a construção de estratégias, visando ao preparo do profissional diante das
exposições ocupacionais.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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ICHE/home.html. Acesso em: 23 jun. 2007.ANEXOSAnexos 93
ANEXO I –
FICHA DE NOTIFICAÇÃO DE EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A MATERIAL
BIOLÓGICO (FINEXO-MB)
ORIENTAÇÃO GERAL: Preencha as páginas um e dois deste formulário e leve imediatamente ao SAST
para atendimento médico. Caso a exposição ocorra em dias ou horários em que o SAST não esteja
funcionando, procure o pronto atendimento do HC para o primeiro atendimento, devendo comparecer ao
SAST no primeiro dia útil, após a exposição, com este formulário, prescrições e exames realizados para
seguimento clínico-laboratorial.
PREENCHIMENTO PELO FUNCIONÁRIO EXPOSTO
INFORMAÇÕES SOBRE O FUNCIONÁRIO EXPOSTO
Nome (Completo sem abreviaturas):
Inscrição:
Data de Nascimento :
Sexo:
_________/_________/_________
Local de Trabalho:
Local da Exposição:
Você está grávida? Você tem ou já teve algum tipo de hepatite?
q Não se aplica (homens)
q Não sei
q Não
q Sim
Data prevista para o parto:
______/______/______ q Não
q Não sei informar
q Sim
Você é vacinado contra hepatite B? Você tem exame anterior para HIV?
q Não
q Não sei informar
q Sim q Não
q Sim
Em caso afirmativo, qual?
Em caso afirmativo, qual o resultado?Anexos 94
INFORMAÇÕES SOBRE A EXPOSIÇÃO
Data da exposição:
_______/_______/_______ Hora: _______:_______
_______/_______/_______ Hora: _______:_______
Data do primeiro atendimento:
Tipo de exposição (marque tudo que se aplica):
q Percutâneo (perfuração)
q Mucosas (contato)
q Pele (contato)
Tipo de material envolvido na exposição
(marque tudo que se aplica):
q Sangue ou derivados
q HIV concentrado
q Outro fluido com sangue visível
q Desconhecido
q Outro fluido com sangue visível
APENAS PARA EXPOSIÇÕES PERCUTÂNEAS
q Não se aplica
Item envolvido na exposição:
q Agulha oca
q Agulha de Sutura
q Escalpe
q Sim
q Desconhecido
q Outro:_________________
Qual a profundidade da lesão?
Havia sangue visível do paciente-fonte?
q Superficial (escoriação)
q Não
q Profunda* (perfuração)
q Não sei informar
q Sim
* Se a exposição ocorreu no ato da retirada da agulha de um vaso, considerar como profunda.
DESCRIÇÃO DA EXPOSIÇÃO
Descreva como ocorreu:Anexos 95
PREENCHIMENTO PELO MÉDICO
INFORMAÇÕES SOBRE O PACIENTE-FONTE
O paciente-fonte é identificado?
q Sim
q Não
Em caso afirmativo, nome:
O paciente-fonte tem sorologia para:
q Não se aplica
q Não
q Não sabe
q Sim
Resultado:
q Não
Hepatite B?
q Não sabe
q Sim
Resultado:
q Não
Hepatite C?
q Não sabe
q Sim
Resultado:
Se positivo para HIV, em qual estágio da doença se encontra?
q Não se aplica
HIV?
q AIDS, doença aguda.
q AIDS, estágio terminal.
q Apenas infecção, sem
doença.
Se positivo para HIV, tem teste de carga viral?
q Não se aplica
q AIDS.
q Desconhecido.
q Não
q Sim Se afirmativo, qual o resultado?
Se portador de hepatite, que doença ele apresenta?
q Não se aplica
q Hepatite B aguda.
q Hepatite B crônica.
q Hepatite e delta.
q Hepatite C.
q Outra ___________________.Anexos 96
AVALIAÇÃO SOROLÓGICA DO PACIENTE-FONTE
q Não se aplica
Anti-HIV 1/2: q Negativo q Positivo q Não realizado
HBsAg: q Negativo q Positivo q Não realizado
Anti-HVC: q Negativo q Positivo q Não realizado
HBsAg*: q Negativo q Positivo q Não realizado
HbeAg**: q Negativo q Positivo q Não realizado
Anti-Hbe***: q Negativo q Positivo q Não realizado
Testes Rápidos:
Testes de Rotina:
* Apenas se o funcionário for não vacinado ou não protegido
** Apenas se o paciente-fonte for portador de Hepatite B
*** Apenas se o paciente-fonte for portador de Hepatite B crônica
SEGUIMENTO LABORATORIAL DO FUNCIONÁRIO EXPOSTO
BASAL 6 SEMANAS 12 SEMANAS 24 SEMANAS
_____/_____/____ _____/_____/____ _____/_____/____ _____/_____/____
Anti-HVC: xxxx xxxx ALT: xxxx xxxx Anti-HBcT*: xxxx xxxx Anti-HBs**: xxxx
DATA:
Anti-HIV:
HBsAg*:
xxxx
* Apenas se o funcionário não for vacinado ou for não protegido.
** Apenas se o paciente-fonte for desconhecido.
QUIMIOPROFILAXIA PARA HIV:
PRESCRIÇÃO:
q Não indicada
q Indicada
q Oferecida e não aceita
q Oferecida e aceita
DROGA
DOSE/FREQÜÊNCIA
TIPO:
q Básica (AZT + 3TC)
q Restrita (AZT)
q Expandida (AZT + 3TC + IP)
DATA DE INÍCIO DATA DE TÉRMINO
_____/_____/____ _____/_____/____
_____/_____/____ _____/_____/____
_____/_____/____ _____/_____/____
_____/_____/____
* Administrar com estômago vazio / Fazer hidratação oral freqüente para evitar nefrolitíase.
** Administrar junto com alimento. _____/_____/____
Zidovudina (AZT), cap. 100 mg 300 mg BID ou 200 mg TID
Lamivudina (3TC), cp. 150 mg 150 mg BID
Indinavir* (IDV), cap. 400 mg 800 mg TID
Nelfinavir** (NFV), cp. 250 mg 750 mg TIDAnexos 97
SEGUIMENTO DO FUNCIONÁRIO EM QUIMIOPROFILAXIA PARA HIV
q Não se aplica
BASAL 14 DIAS APÓS O INÍCIO
_______/_______/_______ _______/_______/_______
DATA:
Creatinina:
AST:
ALT:
Hemograma:
Hg = Neu = Hg = Neu =
Plaq = Lin = Plaq = Lin =
GL = Eo = GL = Eo =
Havendo interrupção da quimioprofilaxia, caracterize os motivos:
PROFILAXIA PARA HEPATITE B
TIPO
Vacina*:
Gamaglobulina
Hiperimune**:
PRESCRIÇÃO
OBSERVAÇÕES
q Não indicada
q Indicada
q Não indicada
q Indicada
* Administrar IM deltóide / Gravidez e lactação não são contra-indicações / Profissionais que tenham interrompido o esquema vacinal após a
primeira dose, deverão realizar a segunda dose imediatamente, e a terceira dose com intervalo mínimo de sessenta dias da dose anterior.
** Dose = 0,06 ml/kg IM / Se a dose ultrapassar 5 ml, dividir em duas áreas de aplicação.Anexos 98
CONCLUSÃO (APÓS SEGUIMENTO POR 24 SEMANAS)
O funcionário exposto fez soroconversão para:
Hepatite B? q Não q Sim
Hepatite C? q Não q Sim
HIV? q Não q Sim
q Abandonou o
seguimento
q Abandonou o
seguimento
q Abandonou o
seguimento
MOTIVO DA EXPOSIÇÃO (Pode ser marcado mais de um):
q Reencapamento de agulha ou logo após
retirada de agulha.
q Manipulação de material ou objeto
supostamente não infectante (pérfuro-cortante
perdido).
q Durante o procedimento.
q Esguicho ou espirro de material biológico.
q Manipulação de caixa de descarte. q Exposição resultante da ação de terceiros.
q Manuseio de lixo. q Falta de proteção durante ou logo após o
procedimento.
q Manuseio de material ou objeto pérfuro-
cortante.
q Outro
motivo:__________________________ .
PROGRAMAÇÃO DE RETORNOS:
q 14 dias
_______/_______/_______
q 6 semanas _______/_______/_______
q 12 semanas _______/_______/_______
q 24 semanas _______/_______/_______
OBSERVAÇÕES:Anexos 99
ANEXO II –
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
Você está sendo convidado a participar da pesquisa: “ACIDENTE DE
TRABALHO ENTRE A EQUIPE ASSISTENCIAL MULTIPROFISSIONAL:
Uma Avaliação da Subnotificação”, através do preenchimento do questionário em
anexo.
O projeto destina-se a avaliar a notificação dos acidentes de trabalho com a Equipe
Assistencial Multiprofissional de Saúde entre trabalhadores que atua no Centro
Cirúrgico do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais.
Esta pesquisa permitirá ainda a identificação da incidência dos acidentes com
material biológico entre a equipe assistencial, possíveis fatores que favorecem a
notificação do acidente de trabalho, e que interferem no registro do mesmo, a situação
vacinal para Hepatite B desses trabalhadores e as condições que o trabalhador atribui a
ocorrência do acidente.
Destaca-se, ainda, que a pesquisa em questão está fundamentada na Resolução
196/96, conforme preconizado pelo Conselho Nacional de Saúde para pesquisa em seres
humanos. As informações obtidas através do questionário serão de caráter confidencial,
garantindo o completo anonimato do participante.
Declaro, portanto, que autorizo minha participação voluntária, livre de vícios
como simulação, fraude ou erro, dependência, subordinação ou intimidação, pois fui
informado(a) de forma clara e detalhada, compreendendo os objetivos, métodos,
benefícios, riscos e importância dessa pesquisa. Estou ciente que poderei retirar meu
consentimento a qualquer momento, sem constrangimento ou coerção.
Belo Horizonte ___/___/2007
______________________________________Identidade:________________
Participante da pesquisa
______________________________________Identidade:________________
Pesquisadora
Contatos da pesquisadora
Pesquisadora: Jacqueline de Almeida Gonçalves
e-mail: jac.mg@bol.com.br
Telefone: (31) 3763-5120
Pesquisadora (responsável): Profa. Dra. Adriana Cristina de Oliveira
e-mail: acoliveira@ufmg.br
Telefone (31) 3248-9855
Comitê de Ética em Pesquisa – COEP: Avenida Antônio Carlos, 6627 – Unidade
Administrativa II, 2o andar – Campus Pampulha
Tel: (31) 3499-4592 / Fax: (31) 3499-4027
e-mail: coep@reitoria.ufmg.brAnexos 100
ANEXO III –
ACIDENTE DE TRABALHO ENTRE A EQUIPE ASSISTENCIAL MULTIPROFISSIONAL:
Uma Avaliação da Subnotificação
Questionário
8 – O que significa a sigla CAT?
1 – Formação Profissional:
(1) Enfermeiro
(2) Médico Externo
(3) Médico Preceptor
(4) Residente de Medicina
(5) Técnico de Enfermagem
(6) Auxiliar de Enfermagem
(7) Serviços Gerais
2 – Sexo (0) Masculino
______________________________________________
______________________________________________
(1) Feminino
9 – No último ano, você sofreu algum acidente de
trabalho
envolvendo
material
pérfuro-cortante
contaminado com sangue ou fluidos corporais nesta
instituição?
(0) não
(1) sim. Quantos: __________
3 – Idade: ______ anos
– Se tiver sofrido acidente, continue o questionário.
4 – Tempo de Formação: _____ – Se não tiver sofrido acidente, prossiga na questão 22.
4.1 – Tempo de atuação nesta instituição: _____ 10 – Qual o material pérfuro-cortante envolvido no último
acidente?
(1) Agulha
(2) Lâmina de Bisturi
(3) Eletrocautério
(4) Instrumental Cirúrgico
(5) Outro: ____________________________________
4.2 – Tempo de atuação no Centro Cirúrgico: _____
4.3 – Turno de trabalho:
(0) Diurno
(1) Noturno
4.4 – Qual seu vínculo empregatício?
(0) UFMG
(1) FUNDEP
5 – Após realizar procedimentos que envolvam manipulação
de material pérfuro-cortante, onde você o descarta?
________________________________________________
________________________________________________
6 – Após realizar um procedimento que utilize agulha, você
costuma reencapá-la?
(0) Sempre
(1) Na maioria das vezes
(2) Raramente
(3) Não reencapo
7 – Como você foi informado sobre Acidentes de trabalho
com material biológico?
(0) Durante minha formação profissional
(1) Curso realizado na instituição que trabalho atualmente
(2) Simpósios e congressos, etc.
(3) Pelo supervisor ou colega de trabalho
(4) Quando sofri acidente de trabalho
(5) Nunca fui informado
11 – Qual foi o procedimento que você estava realizando
no momento do último acidente?
(1) Punção Venosa
(2) Manipulação de Instrumentais
(3) Procedimento cirúrgico
(4) Descarte de materiais
(5) Outro: ____________________________________
12 – Em qual período de trabalho você estava no momento
do último acidente?
(0) Diurno
(1) Noturno
13 – Quantas horas já havia trabalhado no dia que você
sofreu o último acidente? _______ horas
14 – Quais os cuidados foram tomados com a lesão após
o último acidente?
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________Anexos 101
15 – No momento do último acidente, você estava usando
algum equipamento de proteção individual?
(0) não
(1) sim
21 – Quais os fatores que motivaram a NÃO notificação
do último acidente?
______________________________________________
______________________________________________
15.1 – Quais os equipamentos de proteção individual você
estava usando?
________________________________________________
________________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
________________________________________________
________________________________________________
________________________________________________
16 – Quais os fatores que mais contribuíram para a
ocorrência do último acidente de trabalho?
________________________________________________
________________________________________________
________________________________________________
________________________________________________
22 – Após um acidente com material biológico
contaminado, quais doenças podem ser adquiridas?
(1) Hepatite A, tuberculose, meningite;
(2) Hepatite B, hepatite C, AIDS;
(3) Sarampo, hepatite B, coqueluche;
(4) AIDS, hepatite A, hepatite B.
23 – Você já foi vacinado contra hepatite B?
(1) 1 dose
(2) 2 doses
(3) 3 doses
(4) não fui vacinado(a)
(5) não lembro
________________________________________________
17 – Após o último acidente, você procurou atendimento
médico?
(0) não
(1) sim
18 – Após o último acidente, você realizou exames
laboratoriais?
(0) não. Por quê? ________________________________
(1) sim
18.1 – Foram realizados exames laboratoriais no paciente
após a ocorrência do acidente?
(0) não. Por quê? ________________________________
(1) sim
19 – O último acidente de trabalho foi notificado em algum
documento oficial?
(0) não
(1) sim. Qual:__________________________________
20 – Quais os fatores que motivaram a notificação do último
acidente?
________________________________________________
________________________________________________
________________________________________________
________________________________________________
________________________________________________
23.1 – Se você já foi vacinado, realizou exame de sangue
para saber se houve resposta à vacina (Anti-HBs)?
(0) não
(1) sim
(2) não lembro
Obrigada pela sua participação!Anexos 102
ANEXO IV -