A macrofauna bentônica das praias arenosas expostas do Parque Nacional de Superagüi – PR: Subsídios ao Plano de Manejo; Ana Luiza Gandara Martins

PDF: A macrofauna bentônica das praias arenosas expostas do Parque Nacional de Superagüi – PR: Subsídios ao Plano de Manejo; Ana Luiza Gandara Martins

Ana Luiza Gandara Martins
A macrofauna bentônica das praias arenosas expostas do
Parque Nacional de Superagüi – PR: Subsídios ao Plano de
Manejo
Dissertação apresentada ao Programa de Pós
Graduação em Ecologia e Conservação, Setor de
Ciências Biológicas da Universidade Federal do
Paraná, como requisito parcial para a obtenção do
grau de mestre em Ciências Biológicas –
Ecologia e Conservação.
Orientador: Carlos Alberto Borzone
CURITIBA
2007Ana Luiza Gandara Martins
A macrofauna bentônica das praias arenosas expostas do
Parque Nacional de Superagüi – PR: Subsídios ao Plano de
Manejo
Dissertação apresentada ao Programa de Pós
Graduação em Ecologia e Conservação, Setor de
Ciências Biológicas da Universidade Federal do
Paraná, como requisito parcial para a obtenção do
grau de mestre em Ciências Biológicas –
Ecologia e Conservação.
Orientador: Carlos Alberto Borzone
CURITIBA
2007
ii‘Comece pelo começo,’ o Rei disse solenemente, ‘e continue até chegar ao fim: Então pare’.
Alice no País das Maravilhas
Lewis Carrol
Dedico este trabalho a meus pais, Filadelfo e Cristina.
iiiAGRADECIMENTOS
Ao meu Orientador, Dr. Carlos A. Borzone, pela amizade e por me ajudar a conhecer
mais sobre a ecologia das praias arenosas. Ao Leonardo Rosa, Rodrigo Aluízio e Bruno Matuella,
colegas e amigos do Laboratório de Ecologia de Praias Arenosas (CEM – UFPR), por todo o
suporte durante o mestrado: coletas, ensinamentos, identificações, bibliografias…
Aos colegas e amigos do Laboratório de Bentos (CEM – UFPR) pela ajuda na
identificação dos poliquetas, discussões, cafés, ar condicionado e compania. Em especial ao Dr.
Paulo C. Lana, Maikon Di Domenico, Laura Sordo de Las Nieves, Verônica Oliveira, Kalina
Brauco, Leonardo Sandrini, Eliatrice L. Hadlich. Ao Dr. Paulo C. Lana pela amizade e valiosas
sugestões. A Dra. Valéria Veloso também pelas valiosas sugestões durante a defesa.
A todos os Professores Doutores do Programa de Pós Graduação em Ecologia e
Conservação pelos ensinamentos, em especial ao Dr. Maurício Camargo por seu suporte
estatístico. A Fundação O Boticário de Proteção a Natureza pelo apoio financeiro ao projeto.
A todos os professores e funcionários do Centro de Estudos do Mar (CEM) pelo suporte
técnico e logistico. A todos os amigos de Pontal do Sul que me acompanharam durante esse 2
anos em Pontal, em especial ao Maike, Laurita, Paula, Ale, Tami, Lua, Ana Quin, Ju, Fabian,
Clécio, Guize, Márcia, Marcão, Sandro, Catani, Paty, Sil, Paulinho, Cássio, Gui, Tice, Betão,
Abbo, Rangel, Tati, Bia, Bruno, Madeira, Léo e vários outros amigos deste lugar tão especial….
A minha família, Filadelfo, Cristina e Laura pelo apoio e amor incondicionais e pela
paciência, discussões e sugestões durante toda minha vida. Ao meu amigo e companheiro, Arthur
Celini, pela paciência, sugestões, carinho, amor e respeito durante estes anos. Aos meus amigos,
Camila e Rafael Brandi, que me receberam com muito respeito em sua casa. A toda a família Di
Domenico pela grande amizade, adoção e apoio.
Aos meus eternos amigos do curso de Oceanografia da UNIVALI, que mesmo longe
sempre me apoiaram, em especial a Daphne, Malú, Andy, Lua, Kitahara, Riva, Paulo, Afrânio,
Lucas, Regi, Japinha, Joana, Biro, Michel’s, Cris, Faca, Ewerton, Tito, Macedo, Biguá, Suzana.
São muitas pessoas especiais, sinto muitíssimo se esqueci de agradecer alguém.
ivSUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS……………………………………………………………………………………………………. vi
LISTA DE TABELAS………………………………………………………………………………………………….. vii
LISTA DE ANEXOS …………………………………………………………………………………………………… viii
ABSTRACT …………………………………………………………………………………………………………………. ix
RESUMO………………………………………………………………………………………………………………………. x
1 INTRODUÇÃO ………………………………………………………………………………………………… 11
2 OBJETIVOS …………………………………………………………………………………………………….. 19
3 MATERIAIS E MÉTODOS………………………………………………………………………………. 20
3.1 ÁREA DE ESTUDO …………………………………………………………………………………………… 20
3.1.1 Localização, delimitações e acessos…………………………………………………………………… 20
3.1.2 Geomorfologia………………………………………………………………………………………………… 22
3.1.3 Dinâmica da Região Costeira ……………………………………………………………………………. 24
3.2
COLETA DE DADOS ………………………………………………………………………………………… 27
3.2.1 Dados ambientais…………………………………………………………………………………………….. 28
3.2.2 Dados biológicos …………………………………………………………………………………………….. 29
3.3
PROCESSAMENTO DAS AMOSTRAS………………………………………………………………. 30
3.3.1 Dados ambientais…………………………………………………………………………………………….. 30
3.3.2 Dados biológicos …………………………………………………………………………………………….. 31
3.4
ANÁLISE DOS DADOS …………………………………………………………………………………….. 31
3.4.1 Dados ambientais…………………………………………………………………………………………….. 31
3.4.2 Dados biológicos …………………………………………………………………………………………….. 32
4 RESULTADOS …………………………………………………………………………………………………. 34
4.1 AMBIENTE PRAIAL …………………………………………………………………………………………. 34
4.2 MACROFAUNA………………………………………………………………………………………………… 40
5 DISCUSSÃO …………………………………………………………………………………………………….. 54
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES …………………………………………………………… 63
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ………………………………………………………………………….. 66
ANEXOS …………………………………………………………………………………………………………………….. 74
vLISTA DE FIGURAS
Figura 1: Carta-imagem da localização, limites e acessos do Parque Nacional de Superagüi …. 21
Figura 2: Localização das quatro áreas estudadas nas praias expostas do Parque Nacional de
Superagüi, PR ……………………………………………………………………………………………………………….. 27
Figura 3: Imagens no verão das areas selecionadas para coleta…………………………………………… 28
Figura 4: Desenho amostral utilizado para as coletas de dados ambientais e faunísticos nas praias
expostas do Parque Nacional de Superagüi……………………………………………………………………….. 29
Figura 5: Desenho amostral utilizado para estimar a densidade de O. quadrata nas praias do
Parque Nacional de Superagüi…………………………………………………………………………………………. 30
Figura 6: Declividade e largura da praia e profundidade do lençol freático nas áreas do Parque
Nacional de Superagüi……………………………………………………………………………………………………. 34
Figura 7: Tamanho médio, seleção e assimetria do sedimento em phi (ø) ao longo dos perfis
praiais das áreas da Ilha de Superagüi e da Ilha das Peças nas respectivas estações coletadas …. 35
Figura 8: Gráfico da Análise de Componentes Principais (PCA)………………………………………… 39
Figura 9: Teste-t comparando o verão e inverno para (A) abundância total (ind/m) e (B) riqueza
total ……………………………………………………………………………………………………………………………… 43
Figura 10: Teste-t comparando o verão e inverno para (A) equitabilidade de Pielou e (B)
diversidade de Shannon – Wiener ……………………………………………………………………………………. 44
Figura 11: (A) Teste-t comparando o verão e inverno para densidade de Ocypode quadrata. (B)
ANOVA. Média e erro padrão das densidades de O. quadrata das praias expostas do Parque
Nacional de Superagüi……………………………………………………………………………………………………. 44
Figura 12: ANOVA. Média e erro padrão da (A) abundância e (B) riqueza totais das praias
expostas do Parque Nacional de Superagüi……………………………………………………………………….. 45
Figura 13: ANOVA. Média e erro padrão da (A) equitabilidade de Pielou e (B) diversidade de
Shannon-Wiener das praias expostas do Parque Nacional de Superagüi……………………………….. 45
Figura 14: Representação gráfica em duas dimensões da ordenação multidimensional não
métrica (n-MDS) entre os locais e estações considerando a abundância linear da comunidade da
macrofauna. ………………………………………………………………………………………………………………….. 46
Figura 15: Análise de correspondência canônica (CCA) com as praias expostas do Parque
Nacional de Superagüi em cada estação estudada, considerando as espécies e os parâmetros
ambientais…………………………………………………………………………………………………………………….. 53
viLISTA DE TABELAS
Tabela 1: Parâmetros hidrodinâmicos e morfométricos das praias expostas do Parque Nacional
de Superagüi no inverno e verão ……………………………………………………………………………………… 37
Tabela 2: Eigenvalues (Autovalores) e variação total e acumulada para os três principais eixos
obtidos pela Análise de Componentes Principais (PCA) …………………………………………………….. 38
Tabela 3: Lista de espécies encontradas nas praias expostas do Parque Nacional de Superagüi. 40
Tabela 4: Valores médios de abundância linear (ind/m) ± desvio padrão e riqueza dos grandes
grupos e totais, índices ecológicos e densidade média por m 2 de Ocypode quadrata para os locais
e as estações amostradas…………………………………………………………………………………………………. 42
Tabela 5: Resultados dos testes-t (Student) para as estações e das análises de variância
(ANOVA) para os locais, realizados para a abundância e riqueza total, índices ecológicos e
densidade de Ocypode quadrata………………………………………………………………………………………. 43
Tabela 6: Análise de similaridade com dois fatores cruzados (ANOSIM – Two-WayCrossed).
Testes globais (R global) dos locais, considerando as estações e das estações considerando os
locais. Testes pareados (R estatístico) entre os locais considerando as estações. ……………………. 47
Tabela 7: SIMPER two-way. Abundância média, similaridade média, contribuição maior que 2,5
% e contribuição acumulada (%) das espécies que colaboraram para a similaridade dentro dos
locais considerando as estações……………………………………………………………………………………….. 48
Tabela 8: SIMPER two-way. Abundância média, valores de dissimilaridade, contribuição maior
que 2,5 (%) e contribuição acumulada (%) das principais espécies que colaboraram para a
diferenciação entre os locais, considerando as estações………………………………………………………. 49
Tabela 9: Resultados da análise de correspondência canônica (CCA)………………………………….. 52
viiLISTA DE ANEXOS
Anexo 1: Lista das espécies e as respectivas abundâncias lineares (ind/m) presentes nos três
transectos coletados em Peças Norte no inverno e verão ……………………………………………………..74
Anexo 2: Lista das espécies e as respectivas abundâncias lineares (ind/m) presentes nos três
transectos coletados em Peças Sul no inverno e verão…………………………………………………………75
Anexo 3: Lista das espécies e as respectivas abundâncias lineares (ind/m) presentes nos três
transectos coletados em Superagüi Norte no inverno e verão ……………………………………………….76
Anexo 4: Lista das espécies e as respectivas abundâncias lineares (ind/m) presentes nos três
transectos coletados em Superagüi Sul no inverno e verão…………………………………………………..77
viiiABSTRACT
The Superagüi National Park, located in the state of Paraná, is one of the few Brazilian protected
areas that enclose coastal ecosystems. However, after 18 years of its creation, the agrarian
regularization and the Management Plan are not completed. To facilitate the development of the
Management Plan, an evaluation on the morphodynamic standards and macrofauna variability
were carried through the National Park of Superagüi’s exposed sand beaches during one summer
and winter. A total of four beaches were sampled, two on Peças Island and two on Superagüi
Island. In each area macrofauna, Ocypode quadrata density, sediment, beach profile, wave
characteristics, water table depth and salinity were sampled. The results show variability in the
physical and biological characteristics between areas. The southern site on Peças Island’s showed
greater influence of Paranaguá’s Bay mouth and the tide. The other three areas are influenced
primarily by waves. Crustaceans showed more richness and one species of polychaete
(Scolelepis goodbodyi) were most dominant. The crustaceans were more representative at Peças
Island, while at Superagüi Island were mollusks. A comparison of the macrofaunal community
between the park and some human impacted beaches of Paraná showed that the park supports
greater abundance and diversity in its beaches. However, this variation can also be associated
with natural interannual oscillations of populations. The O. quadrata density is greater than some
urbanized sand beaches of the state of Rio Grande do Sul. The macrofaunal ecology of sand
beaches within the Superagüi National Park has not been studied. This work presented restricted
spatial and temporal data, however it serves as base for identification of the main species that
occupy this habitat and their relative abundance. This work suggests that the high diversity, in
comparison to some human impacted sand beaches of Paraná, should be considered in the
Managemnent Plan. Ultimately, the uses and human impacts must be controlled to maintain and
conserve this habitat. The consequences of these impacts and the withdrawal of wrack deposit,
the origin of trash, tourism should be examined. We suggest a monitoring program using the
macrofaunal and migratory seabirds’ community and O. quadrata population density, which
encompass a greater spatial and temporal scale. Finally, we suggest the presence of live guards
during the high season, because these beaches have strong wave and tide currents that can be very
hazard to bathers.
Key-words: Morphodynamic;
Management.
Benthic
community;
Ocypode
quadrata;
Conservation;
ixRESUMO
O Parque Nacional de Superagüi, localizado no estado do Paraná, é uma das poucas unidades de
proteção integral do Brasil que abrange ecossistemas costeiros. No entanto, após 18 anos de sua
criação, a regularização fundiária e o Plano de Manejo ainda não foram realizados. Para auxiliar o
levantamento de dados para a criação do Plano de Manejo, realizou-se uma avaliação sobre os
padrões morfodinâmicos e a variabilidade da macrofauna em duas situações, verão e inverno, ao
longo do arco praial com distintos graus de exposição no Parque Nacional de Superagüi. Para isto
quatro áreas foram selecionadas, duas na praia exposta da Ilha de Peças e duas na praia exposta
da Ilha de Superagüi. Em cada área foram coletadas amostras de macrofauna, densidade de
Ocypode quadrata, amostras de sedimento, perfil praial, características das ondas, profundidade e
salinidade do lençol freático. Os resultados mostram uma marcada variabilidade nas
características físicas e biológicas ao longo da costa exposta do Parque. A área sul da Ilha de
Peças apresenta maior influência da desembocadura da Baía de Paranaguá e da maré. As demais
áreas são mais influenciadas pela ação de ondas. A riqueza de espécies foi determinada
principalmente pelos crustáceos e a abundância por uma espécie dominante de poliqueta
(Scolelepis goodbodyi). A Ilha de Peças foi mais marcada pela presença de crustáceos, enquanto
que a Ilha de Superagüi teve o grupo de moluscos melhor representado. A comparação da
comunidade macrofaunal entre o Parque e praias antropizadas do Paraná mostrou que as praias
do parque apresentam maior abundância e riqueza que algumas áreas. No entanto, esta variação
também pode estar associada a oscilações interanuais naturais das populações. A densidade de O.
quadrata em algumas áreas do parque é maior que algumas praias urbanizadas do Rio Grande do
Sul. As praias do Parque Nacional de Superagüi ainda não haviam sido estudadas quanto à
ecologia da macrofauna. Este trabalho apresentou dados espaciais e temporais restritos, porém
serve como base para a identificação das principais espécies que ocupam este habitat e suas
abundâncias relativas. Sugere-se que no Plano de Manejo do parque seja considerado que estas
praias sustentam uma diversidade alta em comparação a algumas praias antropizadas do estado
do Paraná. Sendo assim, sua conservação deve ser mantida a partir do controle dos usos e
impactos no ambiente praial, como a retirada dos detritos, o lixo, o turismo e suas conseqüências.
Sugere-se também um monitoramento sobre a macrofauna, avifauna migratória e população de
O. quadrata, considerando um espectro espacial e temporal maior. Por fim, sugere-se a presença
de salva- vidas em épocas de alta visitação, pois estas praias apresentam fortes correntes geradas
por ondas e marés, o que pode causar o arrastamento e até morte de banhistas.
Palavras-Chave: Morfodinâmica; Comunidade bentônica; Ocypode quadrata; Conservação;
Manejo.
x1
INTRODUÇÃO
As praias arenosas expostas e/ou dominadas por ondas são sistemas transicionais
altamente dinâmicos que constantemente se ajustam a flutuações dos níveis de energia locais.
Estas são retrabalhadas por processos eólicos, biológicos e hidráulicos (HOEFEL, 1998).
Apresentam alta resiliência em comparação aos outros ambientes costeiros devido à alta
capacidade de absorver a energia da onda (MCLACHLAN & BROWN, 2006). São normalmente
compostas por sedimentos provenientes da erosão de rochas terrestres. No entanto, outras fontes
podem ser importantes na formação das praias, como as fontes biogênicas e a erosão pela ação
das ondas sobre as estruturas costeiras (CARTER, 1988). Após a deposição na região costeira os
sedimentos são retrabalhados constantemente por ondas e correntes litorâneas, sofrendo
arredondamento e seleção por tamanho, forma e densidade (KOMAR, 1998).
De forma geral, a região submersa das praias arenosas apresenta três zonas em função dos
processos hidrodinâmicos: 1) zona de empinamento da onda caracterizada pela região antes da
quebra das ondas; 2) zona de surfe que compreende desde a região de quebra da onda até o início
da zona de espraiamento; e 3) zona de espraiamento, delimitada pela máxima e mínima incursão
dos vagalhões sobre a face praial, onde seu fluxo e refluxo exercem forte influência sobre a
deposição e erosão do sedimento na região emersa da praia (SHORT, 1996). A região emersa das
praias pode ser separada em: 1) zona supralitoral caracterizada como a região acima da linha de
deposição de detritos; 2) zona mesolitoral que se inicia abaixo desta linha e se estende até o
afloramento do lençol freático e; 3) zona sublitoral que corresponde à região entre o final do
mesolitoral e a zona de surfe e pode permanecer submersa por longos períodos (MCLACHLAN
& BROWN, 2006).
A morfologia e a dinâmica das praias são uma função do tamanho do sedimento, da altura
de quebra e período das ondas incidentes, da variação da maré e das principais características
topográficas. A interação entre estes parâmetros dá origem ao conceito de morfodinâmica. Cada
um destes parâmetros possui considerável variação espaço-temporal, resultando em uma ampla
gama de tipos de praias (SHORT, 1996). A presença de promontórios, embaiamentos, rochas,
recifes e estruturas em geral, geram mudanças do ambiente praial, principalmente através de sua
11influência sobre a refração, difração e atenuação das ondas (SHORT, 1996; KLEIN &
MENEZES, 2001).
WRIGHT & SHORT (1984) desenvolveram um modelo de ampla aceitação para ser
aplicado em ambientes praiais dominados por ondas, sob o regime de micromarés e com
formação de um único banco submerso (KOMAR, 1998; KLEIN & MENEZES, 2001;
MASSELINK & SHORT, 1993; SHORT, 1996; SHORT, 2006). Este modelo utiliza o parâmetro
empírico adimensional ômega ou dimensionless fall velocity (Ω), desenvolvido por GOURLAY
(1968) e DEAN (1973) (segundo SHORT, 1996), para a classificação das praias. No qual Ω =
Hb/ Ws*T, sendo Hb a altura de quebra de onda em metros, T o período da onda em segundos e
Ws a velocidade de decantação do sedimento em centímetros por segundo estimada a partir de
uma tabela desenvolvida por GIBBS et al. (1971) (CARTER, 1988). Para valores de Ω > 6
caracterizam-se as praias dissipativas, com extensa zona de surfe, perfil suave, sedimento fino e
ondas deslizantes e valores de Ω < 1 as praias reflectivas, caracterizadas por perfis íngremes, sedimento grosseiro e presença de ondas ascendentes e frontais. As praias intermediárias ocorrem no intervalo 2 ≤ Ω ≤ 5 (SHORT, 2003). No entanto, este modelo não pode ser automaticamente aplicado em praias com regime de meso e macromarés, pois estas exercem uma forte influência na morfologia. Durante um ciclo de maré as posições das “zonas” das praias se alternam, influenciando de maneiras diferentes o transporte de sedimento e a morfologia do perfil praial (MASSELINK & SHORT, 1993). Deste modo, MASSELINK & SHORT (1993) desenvolveram um modelo baseado no parâmetro Ω e no parâmetro de variação relativa da maré ou relative tide range (RTR), onde RTR = TR/Hb, sendo Hb a altura de quebra da onda e TR a amplitude de maré. Em geral, quando RTR < 3 o modelo de Wright e Short se aplica, conforme o valor de RTR aumenta, as praias reflectivas tendem a apresentar terraços de maré e as intermediárias e dissipativas tendem a um estado ultra- dissipativo. Alguns trabalhos consideram outras características do ambiente, além das já citadas, como o controle geológico e a natureza e fonte dos materiais que compõem a praia (JACKSON et al., 2005). MCNINCH (2004) sugere que a estrutura geológica da parte submersa da costa influencia o tipo de distribuição superficial do sedimento, a batimetria e a morfodinâmica das “zonas” da praia e, possivelmente, o comportamento da linha de costa. A dinâmica do lençol freático não é 12utilizada nos modelos, no entanto, responde e se modifica com a ação das ondas e marés. A elevação do lençol influencia o movimento de e para a costa do sedimento na face praial, facilitando a acresção na região mais seca da praia e a erosão na porção mais saturada (MCLACHLAN & BROWN, 2006). O uso da classificação morfodinâmica das praias arenosas expostas têm permitido comparações e generalizações mais ricas nos estudos ecológicos nas últimas décadas (BORZONE et al., 2003). Diversos estudos relacionando comunidades (MCARDLE & MCLACHLAN, 1992; JARAMILLO & MCLACHLAN, 1993; JARAMILLO, 1994; SOUZA & GIANUCA, 1995; BORZONE et al., 1996; BORZONE & SOUZA, 1997; BRAZEIRO, 2001; JARAMILLO et al., 2001; VELOSO & CARDOSO, 2001; BORZONE et al., 2003; VELOSO et al., 2003; RODIL et al., 2007; entre diversos outros) e populações da macrofauna (JARAMILLO & MCLACHLAN, 1993; MCLACHLAN et al., 1995; BRAZEIRO & DEFEO, 1999; JARAMILLO et al., 2000; DEFEO et al., 2001; DEFEO & CARDOSO, 2002; DEFEO & MARTINEZ, 2003; NARDI et al., 2003; entre outros) com parâmetros ambientais e estados morfodinâmicos têm sido realizados em todo o mundo. Os descritores das comunidades (riqueza, abundância e biomassa) da macrofauna e a estruturação e distribuição dos organismos estão fortemente correlacionados com as forçantes físicas do ambiente praial como clima de ondas, dinâmica do espraiamento, características sedimentares, declividade da praia e amplitude da maré (MCARDLE & MCLACHLAN, 1992; MCLACHLAN & DORVLO, 2005). A ocorrência e distribuição das espécies podem variar ao longo do comprimento de uma mesma praia (JAMES & FAIRWEATHER, 1996). A macrofauna ocorre normalmente em manchas ao longo da praia, as quais podem se sobrepor e se modificar devido ao movimento da maré, ondas e espraiamento. A macrofauna bentônica de praias arenosas inclui representantes de diversos filos de invertebrados. No entanto, crustáceos, moluscos e poliquetos são normalmente dominantes (MCLACHLAN & BROWN, 2006). Embora o ambiente praial seja naturalmente resiliente, algumas modificações antrópicas na zona costeira podem limitar de forma severa esta flexibilidade (NORDSTROM, 2000). Nos últimos 50 anos fortes pressões antrópicas têm sido exercidas promovendo alterações consideráveis na zona costeira (CARTER, 1988), principalmente nas regiões tropicais e temperadas do mundo (HOEFEL, 1998). Estima-se que a densidade de pessoas seja muito maior 13na zona costeira em relação ao interior (ALONGI, 1998; KOMAR, 1998; SHI E SINGH, 2003). Esta pressão da população pode ser observada nas praias lotadas, proliferação de condomínios, casas, hotéis, estacionamentos, entre outras estruturas voltadas para o uso recreacional, que em muitos casos, destróem o valor estético original que atraiu primariamente essas pessoas (KOMAR, 1998). Os efeitos das perturbações antrópicas variam entre as praias. No entanto, estruturas ou atividades que impedem o transporte natural do sedimento ou alteram suas fontes usualmente resultam em processos severos de erosão, muitas vezes de natureza permanente. Muitas praias sofrem também poluição crônica ou intermitente por derramamento de óleo e outras substâncias tóxicas e por enriquecimento de matéria orgânica de esgotos domésticos e industriais. Interferências humanas diretas como a presença de veículos, mineração, compactação por pisoteio, coleta de iscas para pesca, limpeza da praia, produção de lixo e turismo são comuns na maioria das praias arenosas. Estas interferências normalmente possuem impactos negativos sobre o sistema em diversas escalas temporais e espaciais (BROWN & MCLACHLAN, 2002; MCLACHLAN & BROWN, 2006). O Brasil possui uma costa de aproximadamente 9200 km constituída em grande parte por praias arenosas (REIS et al., 1999). Sua zona costeira pode ser definida como de multiusos, com diversas formas de ocupação e atividades antrópicas. Esta diversificação varia de comunidades isoladas que utilizam os recursos naturais para a sobrevivência a grandes centros industriais de alta tecnologia e urbanos. Apesar do Brasil ainda possuir muitas praias desocupadas, existe uma forte pressão para a sua ocupação e usufruto comercial nos últimos anos (SANTANA, 2003). No entanto, estes usos e a ocupações ainda se dão de forma desordenada e sem planejamento, comprometendo a sua qualidade estética e ambiental. Muitas das soluções propostas se dão após o surgimento do problema, mostrando-se ineficazes em curto prazo (HOEFEL, 1998; KLEIN & MENEZES 2002). Historicamente, as praias arenosas são importantes locais de recreação e de atrativos turísticos, bases para o desenvolvimento do turismo. Este uso das praias tem resultado em significativos impactos sociais, econômicos e, conseqüêntemente, ambientais. Em contrapartida, a demanda por ambientes praiais de qualidade tem aumentado justamente pela diminuição da sua disponibilidade (ORAMS, 2003). Dentre os potenciais impactos do turismo nesta região, 14destacam-se: a alteração da paisagem natural; deterioração da qualidade da água; destruição de importantes recursos naturais, como as dunas frontais e dunas transgressivas como conseqüência da urbanização; aumento do volume de lixo; alteração do padrão natural de drenagem; e ocupação e destruição de áreas de proteção como parques nacionais e reservas biológicas (REIS et al., 1999). Trabalhos relacionando o turismo e a visitação de praias arenosas com a produção de lixo (MADZENA & LASIAK, 1997; DEBROT, et al., 1999; SILVA-IÑIGUEZ & FISHER, 2003; ABU-HILAL & AL-NAJJAR, 2004; CLAEREBOUDT, 2004; SANTOS et al., 2005; OIGMAN- PSZCZOL & CREED, 2007) mostram que plásticos, latas, vidros, restos de comida, papel e bitucas de cigarro são os resíduos mais deixados nas praias por turistas e visitantes. Um tipo de impacto muito comum em praias freqüentemente visitadas por turistas é a retirada dos detritos, de origem natural ou antrópica, depositados naturalmente pela maré na porção do supralitoral. A justificativa para a realização desta atividade é que o odor e as moscas derivados da decomposição destes detritos são considerados um problema para os usuários (MCLACHLAN & BROWN, 2006). A retirada dos detritos pode reduzir a quantidade de matéria orgânica, biomassa da macrofauna, produção microbiana e alterar a qualidade da água (MALM et al., 2004). Outro impacto associado ao turismo é o pisoteio decorrente da alta densidade de pessoas nas praias. DAVENPORT & DAVENPORT (2006) ressaltam que na região das dunas esta atividade pode ser severa por ser um ambiente sensível e apresentar uma baixa resiliência. VELOSO et al. (2006) encontraram uma menor densidade de algumas espécies em praias urbanizadas quando comparadas com praias protegidas. Estes advertem sobre a falta de compreensão acerca do risco de certas espécies serem eliminadas dos ecossistemas praiais. Em vista da alta concentração humana, desenvolvimento acelerado e aumento da demanda para a recreação costeira, diversos países aumentaram os esforços para o manejo das zonas costeiras, principalmente das praias arenosas e dunas. Em locais onde a pressão e desenvolvimento humano são maiores, o manejo da costa deve se concentrar no gerenciamento dos múltiplos usos, limitando os impactos do desenvolvimento, assegurando a sustentabilidade e mantendo processos chave como o transporte de sedimento. Em locais ainda preservados ou que 15fornecem habitat para espécies ameaçadas, o principal objetivo do manejo é a conservação (MCLACHLAN & BROWN, 2006). A existência de áreas de proteção na região costeira e marinha é amplamente reconhecida como uma das principais ferramentas para a conservação e manejo dos habitats e das espécies que neles vivem (PEREIRA, 1999; GARCIA-CHARTON et al., 2000; FERNANDEZ et al., 2000; VELOSO et al., 2006; SKOV et al., 2007). As unidades de conservação presentes na zona costeira e marinha têm como objetivo contribuir para a proteção da diversidade biológica presente nessa área (PEREIRA, 1999). As unidades de conservação são insuficientes em número e extensão no Brasil e, em alguns casos, não tiveram seus planos de manejo elaborados ou implantados ou carecem de infra- estrutura para efetivá-las. As principais iniciativas de conservação incluem a identificação de áreas-chave para a conservação da biodiversidade, inventários, monitoramento intensivo da atividade pesqueira, educação ambiental e a criação de áreas protegidas e melhoria da gestão daquelas já existentes (AMARAL & JABLONSKI, 2005). O Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC; Lei 9.985 de 18 de julho de 2000) define e regulamente as categorias de áreas de proteção nos níveis federal, estadual e municipal do Brasil. Estas são divididas em dois grupos: unidades de proteção integral, que incluem os parques nacionais, e as unidades de uso sustentável. Até dezembro de 2006 existiam em nível federal 126 unidades de proteção integral e 601 unidades de uso sustentável (IBAMA, 2007). Em 1999 havia 255 unidades de conservação localizadas na região costeira e marinha de âmbitos federais, estaduais e municipais e em alguns casos reservas particulares, além de 34 reservas indígenas. Destas, apenas 122 incluem as restingas, dunas e praias (PEREIRA, 1999). Os Parques Nacionais (PARNAs) estão previstos na Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal). O regulamento dos PARNAs, aprovado pelo decreto 84.017 de 21 de setembro de 1979, definiu mais claramente este tipo de unidade de conservação (CABRAL & SOUZA, 2005): “consideram-se Parques Nacionais as áreas (...) dotadas de atributos naturais excepcionais, objeto de preservação permanente (...) destinam-se a fins científicos, culturais: educativos e recreativos (...).” E segundo os Art. 5 e 6 “...serão elaborados estudos das diretrizes visando um manejo ecológico adequado e que constituirão o Plano de Manejo. Entende-se por 16Plano de Manejo o projeto dinâmico que, utilizando técnicas de planejamento ecológico, determine o zoneamento de um Parque Nacional (...)” (BRASIL, 1979). O Parque Nacional de Superagüi é uma das poucas unidades de proteção integral federal que abrange os principais ecossistemas costeiros do Brasil. O reconhecimento da Ilha de Peças e Superagüi como patrimônio natural e histórico não é recente. Em 1970 a Ilha de Superagüi foi inscrita sob o n o 27 no Livro de Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico da Divisão do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Paraná. Posteriormente houve a criação da Estação Ecológica de Guaraqueçaba pelo Decreto n o 87.222 em 1982, incluindo 1.325,00 ha de áreas de manguezais da Ilha de Superagüi e 580,00 ha da Ilha de Peças. Em 1985, através do Decreto n o 90.883 foi criada a Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba, onde foram incluídas totalmente as Ilhas de Peças e de Superagüi (VIVEKANANDA, op cit.). Ainda em 1989 foi criado o Parque Nacional de Superagüi pelo Decreto Federal n o 97.688 em 25 de abril, o qual incluiu a quase totalidade das Ilhas de Peças e de Superagüi. No art. 3 deste mesmo decreto “Fica estabelecido o prazo de cinco anos para a elaboração do Plano de Manejo do Parque Nacional de Superagüi” (BRASIL, 1989). Em 1991 toda a região de Guaraqueçaba, incluindo Peças e Superagüi, foi abrangida pela Reserva da Biosfera Vale do Ribeira – Serra da Graciosa, declarada pela UNESCO (VIVEKANANDA, op cit.). Em 1997, com base em dados científicos sobre a área de ocorrência do mico-leão-de-cara- preta e da “presença de aves migratórias na Praia Deserta” (MIKICH & LARA, 1996), o parque foi ampliado pela Lei Federal n o 9.513, de 20 de novembro, passando a 33.988,00 ha, e desta vez, abrangendo também as praias arenosas expostas do parque (VIVEKANANDA, op cit.). No entanto, o parque apresenta diversos problemas associados a sua implantação. Após 18 anos de sua criação (1989 – 2007), a falta de recursos inviabilizou a regularização da situação fundiária e a elaboração do Plano de Manejo. Os diagnósticos sobre as características físicas, biológicas e socioambientais ainda não foram realizados de forma completa ou específica. As iniciativas e o material gerado sobre a área encontram-se dispersos em várias instituições governamentais e não-governamentais e bibliotecas. Há carência na elaboração de material de apoio básico, organização de informações bibliográficas e cartográficas em uma base de dados (RÖSLER, 2004). Parte desta problemática 17foi contornada por RÖSLER (2004) que realizou um levantamento intensivo sobre os principais condicionantes, enfoques e critérios associados ao zoneamento do Parque Nacional de Superagüi. O manejo das praias arenosas usualmente busca o controle do uso antrópico. As decisões se baseiam em informações sobre os padrões, processos, estruturas e efeitos deste uso e em informações biofísicas obtidas diretamente dos sistemas naturais. A falta de informações sobre os componentes do sistema natural das praias aumenta a probabilidade de manejos pouco embasados (JAMES, 2000). Atualmente, a compreenção sobre os atributos biofísicos das praias é mais bem desenvolvida na parte física que na parte biológica. Isto leva a um direcionamento do manejo para esta área, não considerando os aspectos ecológicos, mesmo estes sendo o foco da conservação. No geral os atributos ecológicos continuarão sendo ignorados até que informações sejam disponibilizadas. As informações quantitativas fundamentais necessárias se baseiam nos padrões de distribuição e abundância da biota da praia, dinâmica espacial e temporal da biota em diversas escalas, processos ecológicos e monitoramento de populações e comunidades. O conhecimento do ambiente praial fornece a base para a sintetização da informação e identificação de lacunas no conhecimento, fornecendo subsídios para o manejo (JAMES, 2000). Atualmente o Parque Nacional de Superagüi recebe poucos impactos antrópicos diretos e indiretos. Esta realidade é rara nos tempos atuais, quando a busca por ambientes costeiros é cada vez mais intensa. Assim, é necessário o conhecimente sobre a ecologia destas praias, para que o plano de manejo do parque reconheça a integridade deste ecossistema, extremamente ameaçado em todo o mundo. 182 OBJETIVOS O trabalho teve os objetivos de: ƒ Avaliar os padrões morfodinâmicos e a variabilidade da macrofauna em duas situações, verão e inverno, ao longo de um arco praial com distintos graus de exposição no Parque Nacional de Superagüi. ƒ Comparar os padrões faunísticos encontrados nesta zona pouco alterada com praias antropizadas de áreas próximas, como subsídio para o plano de manejo da Unidade de Conservação. 193 MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 ÁREA DE ESTUDO 3.1.1 Localização, delimitações e acessos O Parque Nacional de Superagüi possui uma área total de 33.988 ha e localiza-se no litoral norte do Estado do Paraná, Município de Guaraqueçaba, entre as coordenadas: Norte - 25 o 12’21,79”S e 48 o 10’39,33”W; Sul - 25 o 29’18,50”S e 48 o 17’28,43”W; Leste - 25 o 13’49,60”S e 48 o 01’31,38”W e Oeste - 25 o 24’48,32”S e 48 o 20’35,12”W (VIVEKANANDA, 2001). Ao norte e nordeste seus limites coincidem em parte com a divisa com o estado de São Paulo; a oeste é limitado pela Serra do Mar da Bacia do Rio dos Patos e pelas baías dos Pinheiros e das Laranjeiras; ao sul pelo Canal Norte da baía de Paranaguá e a leste pelo Oceano Atlântico (RÖSLER, 2004) (Fig.1). Seus limites incluem a quase totalidade das ilhas do Superagüi e das Peças, excluídas as áreas de cinco comunidades locais, as ilhas do Pinheiro e do Pinheirinho, uma série de ilhas menores, algumas porções marítimas das baías circundantes e uma porção continental, a Bacia do Rio dos Patos (RÖSLER, 2004). A região costeira onde está situado o parque é conhecida como Complexo Estuarino Lagunar de Iguape-Cananéia e Paranaguá. Este complexo apresenta aproximadamente 5.800 km 2 e se estende por 200 quilômetros de litoral, desde o norte da Estação Ecológica da Juréia, em São Paulo, até Pontal do Sul, no Estado do Paraná (VIVEKANANDA, 2001). Esta área foi reconhecida como Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO em 1999 (RÖSLER, 2004) (Fig.1). O acesso ao parque é feito de barco a partir de Guaraqueçaba ou Paranaguá, PR e de Ariri ou Cananéia, SP. Contudo, o acesso mais rápido e usual é por Paranaguá. Barcos partem diariamente de Paranaguá para Guaraqueçaba com parada na vila da Ilha das Peças (RÖSLER, 2004). O transporte também pode ser feito de Pontal do Sul e da Ilha do Mel (Fig.1). 20Figura 1: Carta-imagem da localização, limites e acessos do Parque Nacional de Superagüi (Modificada – apenas o nome da autora – com a autorização da mesma e adaptada pela inclusão dos acessos de Pontal do Sul e Ilha do Mel) (RÖSLER, 2004). 213.1.2 Geomorfologia Localizada no sul do Brasil, a costa oceânica do Estado do Paraná tem orientação norte- nordeste (NNE), extensão de 90 km e área aproximada de 6.600 km 2 . Os limites geográficos são os estados de São Paulo ao norte e Santa Catarina ao sul, delimitados pelas fozes dos rios Ararapira e Saí-Guaçu, respectivamente (ANGULO, 1993; ANGULO & SOARES, 1994; SOARES et al., 1997). A Serra do Mar encontra-se bem interiorizada no Estado do Paraná, possibilitando a formação de uma extensa planície costeira e de complexos estuarinos (SOARES et al., 1997). A planície possui de 10 a 20 km de largura, atingindo no máximo 50 km na baía de Paranaguá (BIGARELLA, 1946; ANGULO & ARAÚJO, 1996). Esta planície, onde o Parque Nacional de Superagüi está inserido, é constituída por sedimentos arenosos e areno-argilosos. Estes sedimentos foram depositados durante as fases regressivas que sucederam as duas últimas transgressões no Quaternário. A primeira no Pleistoceno há aproximadamente 120.000 A.P. e a última, sobrepondo a primeira, no Holoceno há aproximadamente 5.100 anos A.P. (ANGULO, 1999; LESSA, et al., 2000). A planície apresenta morfologia profundamente recortada por complexos estuarinos. Na parte centro-norte do estado ocorre o complexo Estuarino de Paranaguá e o Mar de Ararapira (ANGULO & ARAÚJO, 1996). O Complexo Estuarino de Paranaguá possui 612 km 2 e apresenta três conexões com o mar: o Canal Sul entre Pontal do Sul e a Ilha do Mel, o Canal Norte entre a Ilha do Mel e a Ilha de Peças e o Canal de Superagüi entre as ilhas de Peças e Superagüi (ANGULO, 1999). Entre a planície e o oceano existe uma costa de praias arenosas oceânicas com escassos pontais rochosos, estes últimos formados por afloramentos do complexo cristalino Pré- Cambriano (BIGARELLA, 1946; ANGULO & ARAÚJO, 1996). Estas praias se estendem ao longo de todo o litoral de mar aberto na forma de grandes arcos praiais, diferindo da linha de costa mais recortada dos estados de São Paulo e Santa Catarina (SOARES et al., 1997). Com base na configuração geomorfológica e características da dinâmica costeira, ANGULO & ARAÚJO (1996) classificaram a costa paranaense. Eles identificaram três tipos principais de costas: estuarinas ou protegidas (1316,8 km), oceânicas ou de mar aberto (61,1 km) 22e de desembocaduras (105 km). As costas estuarinas são dominadas pela maré e podem apresentar planícies de maré, escarpas arenosas, praias estuarinas e costões rochosos. As costas oceânicas são formadas principalmente por praias arenosas dominadas por ondas e correntes de deriva litorânea. Estas praias apresentam processos de erosão e sedimentação sazonais. No entanto, mostram estabilidade entre os anos quando não há interferência antrópica. As costas associadas às desembocaduras são dominadas por ondas e correntes de maré. Estas praias são semelhantes às oceânicas, mas com maior variabilidade temporal. Avanços e recuos de centenas a milhares de metros nos últimos quarenta anos foram detectados nestas regiões. Estas variações estão relacionadas a pequenas alterações na configuração dos deltas de maré, associados às desembocaduras dos complexos estuarinos (ANGULO & ARAÚJO, 1996). O canal principal da barra do Mar de Ararapira se deslocou 1.200 m para sudoeste entre 1953 e 1980, erodindo a margem nordeste de Superagüi. No período de 1952 a 1980 a desembocadura do Canal de Superagüi sofreu um recuo na margem sudeste da Ilha de Peças de 1.300 m. Aproximadamente metade deste recuo ocorreu em pouco mais de três anos. Na ponta Inácio Dias da Ilha de Superagüi o mar avançou mais de 200 metros. Uma laguna de aproximadamente 130 hectares quase desapareceu. Em contraste, ao norte e oeste desta ponta aproximadamente 200 m de novos cordões foram adicionados (ANGULO, 1993). NOERNBERG & MARONE (2003) monitoraram esta mesma região a partir de imagens de satélite LANDSAT-TM entre 1985 e 2000. A margem norte da Ilha de Peças avançou 541 m para leste entre 1985 e 1997. Contudo, nos anos 1985, 1999 e 2000 a linha de costa recuou com a formação dos deltas de maré em frente ao local. Durante todo o período, lobos praiais migraram na margem sul da Ilha de Superagüi, com erosão a sota-mar e deposição a barla-mar, ambos na ordem de 400 m de máxima amplitude em 1999. Estes processos podem estar relacionados com a interrupção e variação do ângulo de incidência das ondas provocada pela alteração da batimetria dos deltas e migração dos canais. ANGULO (1999) estudou os deltas de maré, ou formações arenosas submersas e semi- submersas, associadas às baías da costa do Paraná. Os deltas de maré vazante são mais desenvolvidos que os de maré enchente. Estes últimos identificados somente ao sul da Baía de Paranaguá e no Mar de Ararapira. Os deltas da Baía de Paranaguá e Canal de Superagüi são classificados como dominados por ondas devido ao maior desenvolvimento transversal à costa. 23Apesar dos deltas conservarem suas configurações gerais ao longo do tempo, importantes variações na morfologia e razões altas de transporte de sedimento foram verificadas. Estas variações causam processos de sedimentação e erosão das praias, campos de dunas, dunas frontais, lobos praiais, lagunas e mangues. As praias expostas do PNS seguem a orientação geral do litoral paranaense (SSW-NNE) e estão localizadas nas ilhas de Peças e Superagüi. Estas praias são delimitadas em direção ao continente por um cordão de dunas frontais que atingem alturas de até 2m. As dunas são normalmente recobertas por vegetações que variam de rasteiras a arbustivas (MIHALY, 1997). A praia exposta da Ilha de Peças possui extensão menor que 5 km e está localizada a SO da Ilha de Superagüi. A praia exposta da Ilha de Superagüi possui aproximadamente 30 km de extensão e é conhecida como Praia Deserta. Sua planície possui largura máxima de 5 km. Uma série de pequenos riachos que provêm, na sua maioria, de rios encaixados nos vales inter-cordões da planície costeira cortam a praia. Ambas as praias recebem aporte constante de sedimento dada à proximidade das áreas fontes como os canais, riachos e desembocaduras que cortam as praias. (MIHALY, 1997). Segundo ANGULO & ARAÚJO (1996) a Praia Deserta é classificada como oceânica. Exceção às regiões próximas ao Canal de Superagüi e ao Mar de Ararapira, classificadas como de desembocadura. Em contraste, a praia exposta da Ilha de Peças é toda influenciada por desembocaduras, devido à proximidade dos Canais Norte e de Superagüi. Apesar da diferença entre as praias do parque, elas apresentam características granulométricas semelhantes. São constituídas por areias finas, muito bem selecionadas e curvas de distribuição granulométrica extremamente leptocúrticas. A praia da Ilha de Peças apresenta sedimentos aproximadamente simétricos e a Praia Deserta possui sedimentos com assimetria negativa (MIHALY, 1997). 3.1.3 Dinâmica da Região Costeira A região entre Cananéia e Paranaguá apresenta as maiores amplitudes de maré do sul e sudeste do Brasil. Isto ocorre devido a maior extensão e menor declividade da plataforma continental (SOARES et al., 1997). A região da desembocadura da Baía de Paranaguá possui altura máxima de maré astronômica de sizígia em torno de 1,7 m. Apresenta regime de 24micromaré com padrão semidiurno e desigualdades diurnas e pode chegar a até seis ciclos de maré por dia em situação de quadratura (LANA et al., 2001). No entanto, este padrão varia constantemente devido à ação das marés meteorológicas. Um momento extremo deste evento foi registrado em 1993 no litoral do Paraná. O empilhamento da água na costa elevou o nível do mar em 80 cm acima do previsto pela maré astronômica (MARONE & CAMARGO, 1994). Os ciclos diários da maré produzem correntes de vazante e de enchente. Na Baía de Paranaguá as correntes de maré vazante são, em média, 10 a 15 % mais velozes que as enchentes. Este evento está associado ao maior atrito lateral e com o fundo em direção a cabeceira (CAMARGO, 1998). Estas correntes têm energia suficiente para movimentar a areia fina do fundo, o que resulta em um transporte sedimentar costa afora (NOERNBERG, 2001). Os dados de clima de ondas são escassos para a costa do Paraná. BANDEIRA (1974) avaliou o período e a altura das ondas em frente à Praia de Leste a 10 metros de profundidade por um ano. A altura máxima variou de 0,5 a 4,5 m, sendo 1 m mais freqüente. O período variou de 3 a 10 s com maior freqüência de 6 s. A direção predominante foi de SE. A empresa PORTOBRAS instalou um ondógrafo de superfície entre a Praia de Leste e a Ilha de Currais de agosto a dezembro de 1982. A direção das ondas variou de ENE e SE, as ondas mais altas foram provenientes de ESSE e SE. A altura máxima mensal variou entre 2,35 em agosto e 3,95 m em setembro. O período médio mensal oscilou entre 11,96 e 16, 85 s (PORTOBRAS, 1983). SOARES et al. (1997) observaram as ondas da Praia de Atami mensalmente por um ano. A altura variou de 0,35 a 0,95 m, com períodos entre 4,2 e 13 s. NOERNBERG (2001) caracterizou o comportamento das ondas incidentes durante um evento pós-frontal na região adjacente à desembocadura da Baía de Paranaguá. Esta caracterização foi feita a partir de uma imagem de satélite LANDSAT-TM de setembro de 1999. A direção de propagação do trem de ondas foi a 115 o (ESE), com comprimento de 130 m, período de 9,13 s e velocidade de onda de 2,03 m.s -1 . A mesma imagem captou a alteração na direção das ondas, estuário adentro, após refratar nos bancos de areia na margem norte da Baía de Paranaguá. Poucos estudos foram realizados sobre a velocidade e direção predominante da deriva litorânea na costa norte do Paraná. A capacidade destas correntes em movimentar os sedimentos de fundo está associada a eventos de alta energia de onda, como a entrada de sistemas frontais de 25Sul (NOERNBERG, 2001). A direção predominate de sul para norte foi inicialmente fundamentada na orientação para norte das fozes de córregos em praias oceânicas, dos cordões litorâneos formados no holoceno e da morfologia do delta de maré vazante da desembocadura sul da Baía de Paranaguá (ANGULO, 1992 e 1993). NOERNBERG (2001) confirmou a direção para norte e sua independencia das correntes de maré a partir de dados de correntômetros fixados no canal de acesso a baía. A dinâmica dos ambientes costeiros está diretamente relacionada às características meteorológicas que atuam na região. Os centros básicos de ação atmosférica mais freqüêntes na região de Paranaguá são os anticiclones do Atlântico Sul (AAS) e o Migratório Polar (AMP) (BIGARELLA, et al., 1978). O AAS apresenta ar subsistente, divergente e límpido. Os ventos alísios de SE-E e de NE-NO e a massa de ar Tropical Atlântica (Ta) que incidem sobre o litoral brasileiro são formados pela ação da AAS. A Ta produz chuvas intensas do tipo frontal no inverno quando é forçada a ascender pela ação de uma frente fria (Frente Polar). No verão a Ta produz chuvas fortes nas tardes de verão devido ao deslocamento do AAS em direção ao mar. Esta massa de ar também é responsável por chuvas orográficas quando de sua passagem através da Serra do Mar (BIGARELLA et al.,1978). O AMP é formado em latitudes subpolares e segue para o norte atraído pelo gradiente térmico equatorial. Esta diferença térmica dá origem à massa de ar Polar Atlântica (Pa). A Pa possui temperaturas relativamente baixas e acompanha a massa de ar em direção ao anticiclone Sub-tropical Atlântico. A frente Polar é formada do encontro da Pa com uma massa de ar mais quente. Esta possui grande mobilidade e interfere o ano todo no sistema de circulação brasileiro (BIGARELLA et al.,1978). Na região costeira do Estado do Paraná o clima, segundo a classificação de Köeppen, é do tipo Cfa. Onde “C”indica clima pluvial temperado, com a temperatura média do mês mais frio entre -3 o e 18 o C; “f”indica clima sempre úmido com chuva em todos os meses e “a” indica temperatura média do mês mais quente acima de 22o C. Nesta região a precipitação média de verão é duas vezes a precipitação média de inverno. A direção predominante dos ventos no verão é de NE com ventos de S e SE não periódicos. No inverno, por outro lado, a direção predominante é de S e SE com ventos de NE ocasionais. Os ventos de maior intensidade são provenientes de SE em ambas as estações (BIGARELLA et al., 1978). 263.2 COLETA DE DADOS Quatro áreas localizadas nas praias arenosas expostas do Parque Nacional de Superagüi foram selecionadas e posicionadas por GPS. Na praia Deserta, Ilha de Superagüi, as duas áreas foram denominadas Superagüi Sul (25°25'10.60"S e 48°11'35.70"W) e Superagüi Norte (25°21'51.90"S e 48°9'14.40"W). As duas áreas na praia exposta da Ilha das Peças foram denominadas Peças Sul (25 29'18.8"S e 48 17'26.6"W) e Peças Norte (25°28'41.8"S e 48°16'22.3"W) (Fig. 2 e 3). Figura 2: Localização das quatro áreas estudadas nas praias expostas do Parque Nacional de Superagüi, PR. As coletas foram realizadas em uma situação de verão e uma de inverno. As saídas para a Ilha das Peças foram realizadas em março (verão) e agosto/setembro (inverno) de 2005 e para a Ilha de Superagüi em março e setembro de 2006, totalizando oito saídas de campo. As coletas foram realizadas no período da manhã, durante a maré baixa de sizígia. 27Figura 3: Imagens no verão das areas selecionadas para coleta. A) Peças Sul; B) Peças Norte; C) Superagüi Sul; D) Superagüi Norte. 3.2.1 Dados ambientais Para a caracterização da morfodinâmica das praias foram obtidos em cada coleta dados do regime das ondas incidentes, medidas do perfil praial, características do lençol freático e do sedimento. As ondas na zona de arrebentação foram avaliadas visualmente. A altura (Hb) foi estimada no momento da quebra. O período (T) foi medido, com o uso de um cronômetro, como o tempo de passagem de onze cristas consecutivas dividido por dez. O perfil praial foi mensurado por um nível de precisão acompanhado de uma régua graduada. O perfil compreendeu da última linha de deposição de detritos pela maré alta de sizígia até a linha da água, determinada pelo nível inferior de espraiamento da onda. Ainda com o uso do nível, dez estratos foram definidos ao longo do perfil praial em desníveis eqüidistantes (D), ou seja, a diferença entre a altura da linha de deposição (HLd) e a altura da linha da água (HLa) divididos por nove (D = (HLd - HLa) / 9). Assim, cada estrato representou um desnível 28eqüidistante do anterior e do subseqüênte. A distância em metros entre os estratos foi medida com uma trena, fornecendo também a largura total da praia (Fig. 4). Figura 4: Desenho amostral utilizado para as coletas de dados ambientais e faunísticos nas praias expostas do Parque Nacional de Superagüi. Este é composto por três transectos (A, B e C), onde dez amostras com alturas eqüidistantes foram coletadas para a caracterização da macrofauna. Os parâmetros ambientais foram coletados apenas no transecto A. Em cada estrato foram coletados 100 gramas de sedimento para verificar a composição granulométrica, teor de umidade, matéria orgânica e carbonato de cálcio. Ainda em cada estrato, a profundidade do lençol freático foi medida com uma régua graduada em centímetros, e uma amostra de água do lençol foi coletada para medir a salinidade. Uma amostra de água na zona de espraiamento também foi obtida para a salinidade. 3.2.2 Dados biológicos Para a coleta de amostras biológicas, outros dois transectos, com aproximadamente dois metros de distância entre si, foram adicionados ao primeiro. Em cada transecto uma amostra de sedimento foi coletada em cada estrato de altura eqüidistante, com o uso de um corer de ferro com 0,05 m 2 de área e enterrado a 20 cm de profundidade, totalizando 30 amostras por área e período de coleta (Fig. 3). As amostras biológicas foram peneiradas in situ com uma malha de 0,5 mm de abertura e o material retido foi fixado em formalina a 10 % em sacos plásticos. 29A presença do caranguejo Ocypode quadrata (“maria farinha”) foi documentada a partir da densidade de suas tocas. Para isto, três transectos com dez metros de comprimento e um de largura, paralelos à linha da água na zona supralitoral foram utilizados. Cada transecto foi separado em 10 áreas de 1 m 2 regularmente espaçadas, onde a contagem das tocas foi realizada e expressa em densidade por metro quadrado (Fig. 5). Figura 5: Desenho amostral utilizado para estimar a densidade de O. quadrata nas praias do Parque Nacional de Superagüi. 3.3 PROCESSAMENTO DAS AMOSTRAS 3.3.1 Dados ambientais As amostras de sedimento e de água do lençol freático foram processadas no momento de retorno do campo, para evitar a alteração da salinidade da água e umidade do sedimento. Em laboratório, a salinidade foi medida com o uso de um refratômetro. As amostras de sedimentos, pesadas em uma balança digital com três casas decimais de precisão, foram colocadas em uma estufa à 60 o C. Após 24 horas as amostras foram novamente pesadas e enviadas para as análises granulométricas. A diferença entre o peso úmido (PU) e o peso seco (PS) multiplicada por 100 e dividida pelo peso úmido (PU) resultou no teor de umidade do sedimento (U = ((PU – PS) x 100) / PU). As amostras de sedimento foram analisadas através de técnicas padrões de peneiramento (SUGUIO, 1973). A média, assimetria, curtose e seleção do sedimento foram obtidas utilizando as formulações de FOLK & WARD (1957) através do programa Sysgran 3.0 (CAMARGO, 302006). A velocidade de decantação do sedimento (Ws), em centímetros por segundo, foi determinada a partir do tamanho médio de grão (ø), considerando a densidade de 2,65 e a temperatura de 20 o C (GIBBS, et al., 1971). Este valor foi utilizado para calcular o parâmetro empírico adimensional ômega (Ω), desenvolvido por DEAN (1973) e adaptado por WRIGHT & SHORT (1984): Ω = Hb/Ws*T onde, Hb é a altura da onda na arrebentação e T o período de onda. Este parâmetro foi aplicado para classificar as praias, sendo que valores de Ω > 6
caracterizam as praias dissipativas, valores de Ω < 1 praias reflectivas e as praias intermediárias ocorrem no intervalo de 2 ≤ Ω ≥ 5 (SHORT, 2003). A influência da maré na morfodinâmica das praias foi calculada a partir do parâmetro de variação relativa da maré (RTR) (MASSELINK & SHORT, 1993): RTR = TR/Hb onde, TR é a amplitude da maré. Em geral, quando RTR < 3 o modelo de Wright e Short se aplica. À medida que o valor de RTR aumenta, as praias reflectivas tendem a apresentar terraços de maré e as intermediárias e dissipativas tendem a um estado ultra-dissipativo. 3.3.2 Dados biológicos O processamento das amostras biológicas consistiu no peneiramento em laboratório, também com malha de 0,5 mm, para a retirada do excesso de sedimento das amostras. Posteriormente, os organismos foram removidos do sedimento sob microscópio estereoscópico, contados e identificados até o menor nível taxonômico possível e, posteriormente, preservados em álcool a 70%. Nas amostras correspondentes à linha de detrito, a massa dos detritos foi determinada a partir do peso seco, obtido após 24 horas em estufa à 60 o C. 3.4 ANÁLISE DOS DADOS 3.4.1 Dados ambientais Para avaliar a variabilidade física entre as praias do Parque Nacional de Superagüi, considerando as coletas de verão e inverno, foi realizada uma análise de componentes principais 31(PCA). Para esta análise foram utilizadas a média, desvio (seleção), curtose, assimetria, matéria orgânica, carbonato de cálcio e umidade do sedimento (valores médios das 10 amostras de cada local e coleta); média da profundidade e salinidade do lençol freático (apenas entre os pontos de 3 a 9, pois em alguns locais os pontos 0, 1 e 2 estavam muito profundos, não sendo possível cavá- los com o equipamento disponível); salinidade da zona de espraiamento; massa dos detritos; desnível, largura e declividade da praia; altura e período de onda e os índices morfodinâmicos (Ω e RTR). Para evitar distorções na interpretação dos resultados foram selecionadas para a analise final as variáveis com menos de 90 % de correlação entre si. Devido ao alto número de parâmetros disponíveis, considerando que o número de parâmetros (descritores) não deve exceder o número de tratamentos (objetos) (LEGENDRE & LEGENDRE, 1998), optou-se por excluir os parâmetros que apresentaram baixa explicação dos tratamentos. 3.4.2 Dados biológicos Para a realização das análises biológicas, primeiramente, a abundância por metro linear (ind/m) de cada organismo foi calculada para cada transecto. Esta abundância é integrada a partir dos dados de abundância por metro quadrado de cada ponto de coleta (0 a 9), considerando as distâncias entre os pontos. MCLACHLAN & BROWN (2006) destacam que devido às populações macrofaunais possuírem uma alta mobilidade e apresentarem diferentes tipos de migrações (marés, diurnas, sazonal, tempestades e outras) a densidade por metro quadrado ao longo de um transecto pode variar drasticamente. Por esta razão, é comum integrar a abundância e/ou biomassa por um metro de largura ao longo do transecto, considerando toda a sua extensão. Posteriormente foram calculados o índice de diversidade de Shannon – Wiener e o índice de equitabilidade de Pielou para cada transecto, utilizando-se as formulações do software Primer 6.0 (CLARKE & WARWICK, 2001). Para avaliar a significância das diferenças na abundância e riqueza total da macrofauna; nos dois índices ecológicos acima mencionados; e na densidade por metro quadrado de O. quadrata entre as quatro áreas do parque foram realizadas análises de variâncias (ANOVA) unifatoriais, com o software StatSoft, Inc. (2001). Para verificar se os dados apresentaram igualdade de variâncias para a aplicação da ANOVA, utilizou-se o Teste de Cochran. Os dados que não atenderam a premissa foram transformados para log 10 (x+1). As 32variáveis que apresentaram diferença entre si foram submetidas à análise post – hoc de Fisher (LSD). Para avaliar a significância das diferenças nas mesmas variáveis utilizadas na ANOVA, porém entre estações (verão e inverno), foram realizados testes-t (Student) com o software StatSoft, Inc. (2001). Optou-se por não realizar uma ANOVA bifatorial devido à possibilidade das réplicas, quanto às estações, serem consideradas pseudo-réplicas (UNDERWOOD, 2001). Para a realização das análises multivariadas foram utilizadas as abundâncias lineares de todas as espécies, transformadas pela raiz quadrada devido a grande amplitude entre os valores extremos. Em seguida, elaborou-se uma matriz de similaridade entre as amostras calculada pelo coeficiente de Bray-Curtis. Esta matriz foi utilizada para a avaliação da similaridade faunística entre as praias em cada coleta utilizando a técnica de ordenação multidimensional não métrica (n- MDS). Posteriormente, realizou-se a análise de similaridade com dois fatores cruzados (ANOSIM – two-way crossed) para testar a diferença estatística entre os quatro locais, considerando as duas coletas, verão e inverno. Em seguida, analisou-se a contribuição das espécies mais representativas para cada local, assim como a dissimilaridade entre os locais, ou seja, a contribuição de cada espécie para a diferenciação entre os locais, com o uso da análise de porcentagem das similaridades com dois fatores (SIMPER two-way). Estas análises multivariadas foram realizadas com o software PRIMER 6.0. (CLARKE & WARWICK, 2001). Por fim, foi realizada a análise de correspondência canônica (CCA) com os mesmos dados ambientais utilizados no PCA, transformados pela raiz quadrada. O CCA foi feito para avaliar a influência dos dados ambientais nas similaridades faunísticas determinadas pelas análises multivariadas. Esta análise foi executada com o programa CANOCO 4.5 (BRAAK & SMILAUER, 2002). 334 RESULTADOS 4.1 AMBIENTE PRAIAL As praias expostas do Parque Nacional de Superagüi apresentaram perfis suaves, com larguras variando entre 56 e 106 metros. As áreas da Ilha de Superagüi mostraram redução na largura e um aumento da declividade da praia bem marcado durante o inverno (Fig. 6A e B). Enquanto que as áreas da Ilha de Peças não apresentaram variações pronunciadas (Fig. 6C e D). Em Peças Sul no inverno o perfil da praia apresentou dois degraus suaves (Fig. 6D) (Tab. 1). Os níveis do lençol freático acompanharam as mudanças sazonais das praias. As áreas da Ilha Superagüi apresentaram lençóis mais profundos que em Peças(Fig. 6). A B C D Figura 6: Declividade e largura da praia e profundidade do lençol freático nas áreas do Parque Nacional de Superagüi. As linhas vermelhas indicam verão e as azuis indicam inverno. A) Superagüi Norte B) Superagüi Sul C) Peças Norte D) Peças Sul. As praias estiveram compostas por areia fina, com grãos em geral mais finos no verão. Com exceção de Peças Sul que mostrou um padrão inverso (Tab. 1). Em geral o tamanho médio de grão tende a ser mais fino em direção ao supralitoral (Fig 7A e B). Alguns pontos com valores extremos podem ter influenciado os valores médios presentes na tabela 1. Em contrapartida, a 34seleção tendeu a diminuir em direção ao supralitoral e foi maior nas áreas da Ilha de Superagüi (Fig. 7C e D). A assimetria aumentou em direção ao supralitoral, com maior variação nas áreas da Ilha das Peças (Fig. 7E e F). A B C D E F Figura 7: Tamanho médio, seleção e assimetria do sedimento em phi (ø) ao longo dos perfis praiais das áreas da Ilha de Superagüi (SN – Superagüi Norte; SS – Superagüi Sul) e da Ilha das Peças (PN – Peças Norte; PS – Peças Sul) nas respectivas estações coletadas (Inv – Inverno; Ver – Verão). Em ambas as estações, o sedimento foi em média bem selecionado, com exceção de Peças Norte, com sedimentos muito bem selecionados. A assimetria foi em média simétrica com exceção de Peças Sul no verão com assimetria negativa, confirmando a tendência de uma composição granulométrica mais grosseira no verão. A curtose não apresentou um padrão entre 35praias ou estações. A matéria orgânica no sedimento foi maior em Superagüi Norte e Sul no inverno. O carbonato de cálcio foi maior em Peças Sul no inverno, seguido por Superagüi Norte no verão (Tab. 1). A altura de onda no momento da quebra variou de 0,9 a 1,4 metros na Ilha de Superagüi e de 0,4 e 1,25 metros na Ilha de Peças. O período das ondas variou de 8 a 13 segundos e foi maior no verão, com exceção a Peças Sul. O parâmetro empírico adimensional ômega (Ω) foi maior que seis em Peças Norte no inverno, Superagüi Norte no inverno e verão e em Superagüi Sul no verão caracterizando-as como praias dissipativas. As áreas restantes apresentaram valores de Ω intermediários. O valor da amplitude relativa de maré (RTR) foi maior que três em Peças Sul em ambas as estações, demonstrando uma maior influência da maré sobre a praia. As restantes apresentaram valores menores que três caracterizando-as como dominadas por ondas. A salinidade média da água do lençol freático foi maior no verão em todas as praias, com exceção a Peças Norte que apresentou um padrão inverso. O teor de umidade média do sedimento apresentou valores maiores no verão, com exceção a Peças Sul. A salinidade da água na zona de espraiamento variou entre 30 e 35 ppm em todas as praias, com exceção a Peças Sul no inverno, quando a salinidade foi de 23 ppm. A quantidade de detritos encontrada foi muito maior na Ilha de Peças, com valores de 24,4 a 41,7 g, em contraste com a Ilha de Superagüi onde a quantidade não ultrapassou 7,7 g (Tab. 1). 36Tabela 1: Parâmetros hidrodinâmicos e morfométricos das praias expostas do Parque Nacional de Superagüi no inverno e verão. Data da coleta, tamanho médio (Tm), seleção (Sel), assimetria (Ass), curtose (Curt), matéria orgânica (MOs) e carbonato de cálcio (CaCO 3 ) do sedimento, altura de quebra da onda (Hb), período de onda (T), velocidade de decantação do grão (Ws), parâmetro adimensional Ômega (Ω), amplitude relativa da maré (RTR), inclinação da praia (1/x), largura da praia (Larg), desnível (Desn), profundidade média do lençol freático (Prof); salinidade média do lençol freático (Sal lençol); teor de umidade média do sedimento (U sed); salinidade no espraiamento (Sal água) e massa média de detritos (Det). Data Tm (ø) Sel (ø) Ass (ø) Curt (ø) MOs (%) CaCO 3 (%) Hb (m) T (s) Ws (cm/s) Ω RTR Larg (m) Desn (m) 1/x Prof (cm) Sal lençol (‰) U sed (%) Sal água (‰) Det (g) Peças Sul Inverno Verão 17.08.05 25.04.05 2,61 2,54 0,39 0,38 -0,04 -0,11 1,06 1,14 0,19 0,14 6,25 0,32 0,5 0,4 11,5 8,15 0,0197 0,0197 2,2 2,5 3,4 4,3 77 73 1,79 2,19 43 34 5,14 15,29 23,86 26,43 18,39 17,19 23 30 39,18 37,20 Peças Norte Inverno Verão 07.09.05 12.04.05 2,69 2,74 0,34 0,32 0,02 -0,02 1,21 1,32 0,12 0,17 0 0,82 1,25 0,9 11,5 13 0,0169 0,0169 6,4 4,1 1,4 1,9 78 90 1,96 2,14 40 42 5,71 8,00 27,71 22,57 17,27 17,83 35 30 24,41 41,7 Superagui Sul Inverno Verão 20.09.06 15.03.06 2,61 2,64 0,43 0,39 0,03 -0,02 0,98 1,14 0,56 0,09 0 0,1 0,9 1,4 8,00 11,00 0,0197 0,0197 5,7 6,5 1,9 1,2 56 99 2,06 2,12 27 47 22,29 13,00 28,43 29,71 12,13 15,86 35 34 7,68 0,00 Superagui Norte Inverno Verão 21.09.06 16.03.06 2,61 2,74 0,37 0,42 -0,01 0,00 1,11 0,98 0,51 0,30 0 1,74 1,2 1,1 8,00 10,50 0,0197 0,0169 7,6 6,2 1,4 1,5 70 106 1,89 2,15 33 49 13,57 8,29 23,71 29,14 15,99 16,61 32 32 5,15 1,43 A análise de correlação entre os dados abióticos para verificar a colinearidade mostrou valores de correlação maiores que 90% entre: curtose e seleção do sedimento (96%), declividade e largura da praia (94%), altura de onda e ômega (92%) e altura de onda e RTR (95%). Devido ao número de parâmetros (descritores) não poder exceder o número de tratamentos (objetos) (LEGENDRE & LEGENDRE, 1998), optou-se por excluir os parâmetros que apresentaram uma baixa explicação dos tratamentos. Assim, os parâmetros utilizados foram: a altura e período de onda, largura da praia, assimetria e seleção do sedimento, salinidade da zona de espraiamento, massa de detritos e o índice morfodinâmico RTR. O PCA mostrou que 74,9 % da variação foi explicada pelos dois primeiros eixos (Tab. 2). O primeiro eixo apresentou 47,8% de variância total com os parâmetros RTR, massa dos detritos e período de onda associados à região negativa do eixo. Os parâmetros largura da praia, altura de 37onda, seleção e assimetria do sedimento e salinidade ficaram mais associados à região positiva do eixo. O segundo eixo apresentou 27% de variância total com os parâmetros amplitude relativa da maré (RTR), seleção e salinidade mais associados à região negativa do eixo e a massa de detritos, período. Os parâmetros altura de onda, largura da praia e assimetria ficaram associados à região positiva do eixo (Fig. 7). Tabela 2: Eigenvalues (Autovalores) e variação total e acumulada para os três principais eixos obtidos pela Análise de Componentes Principais (PCA), realizada com os dados estandardizados. Eigenvalues Eixo 1 Eixo 2 Eixo 3 Eigenvalues 3,8 2,2 1,1 Porcentagem de variação 47,8 27,0 13,4 Porcentagem acumulada 47,8 74,9 88,3 Os pontos Peças Norte no verão e Peças Sul no verão e inverno ficaram localizados na região negativa do primeiro eixo, sendo que Peças Sul em ambas as estações foi mais explicada pela amplitude relativa da maré (RTR) e quantidade média de detritos. Destas, somente Peças Sul no verão ficou na região negativa do segundo eixo. Peças Norte no verão ficou mais próxima do período de onda. Em contrapartida, Peças Norte no inverno e todas as áreas da Ilha de Superagüi ficaram na região positiva do primeiro eixo. Destas, somente as áreas de Superagüi no inverno ficaram na região negativa do segundo eixo. Peças Norte no inverno se mostrou mais associada à largura da praia e altura de onda. As áreas de Superagüi no verão ficaram mais próximas aa altura de onda, assimetria do sedimento e salinidade do espraiamento. As áreas de Superagüi no inverno ficaram mais associadas à salinidade do espraiamento e seleção do sedimento. Deve-se observar também a influência negativa dos vetores localizados nas regiões opostas às praias (Fig. 7). 38Figura 8: Gráfico da Análise de Componentes Principais (PCA), ilustrando o eixo 1 (variância: 47,8%) e o eixo 2 (variância: 27%). O símbolo quadrado cheio representa as praias expostas do Parque Nacional de Superagüi em cada estação estudada. As setas indicam os vetores dos parâmetros ambientais. 394.2 MACROFAUNA As praias arenosas expostas do Parque Nacional de Superagüi apresentaram riqueza total de 36 espécies (Tab. 3). Tabela 3: Lista de espécies encontradas nas praias expostas do Parque Nacional de Superagüi. Filo Nemertea Annelida Classe Ordem Polychaeta Aciculata Canalipalpata Arthropoda Malacostraca Família Opheliidae Orbiniidae Paraonidae Sigalionidae Phyllodocidae Glyceridae Onuphidae Spionidae Decapoda Mysida Pinnotheridae Hippidae Albuneidae Ogyrididae Mysidacea Amphipoda Talitridae Isopoda Phoxocephalopsidae Haustoriidae Corophiidae Cirolanidae Idoteidae Sphaeromatidae Insecta Coleoptera Staphylinidae Mollusca Collembola Gastropoda Bivalvia Neogastropoda Veneroida Terebridae Mesodesmatidae Donacidae Espécie Espécie 1 Euzonus furciferus (Ehlers, 1897) Espécie 1 Aricidea fragilis Webster, 1879 Sigalion cirriferum Orensanz and Gianuca, 1974 Grubeulepis mexicana (Berkeley y Berkeley, 1939) Hemipodia californiensis (Hartman, 1938) Espécie 1 Dispio remanei Friedrich, 1956 Scolelepis goodbodyi (Jones, 1962) Megalopa Austinixa patagoniensis (Rathbun, 1918) Emerita brasiliensis Schmitt, 1935 Lepidopa richmondi Benedict, 1903 Ogyris sp1 Bowmaniella brasiliensis Bacescu, 1968 Metamysidopsis neritica Bond-Buckup and Tavares, 1992 Atlantorchestoidea brasiliensis (Dana, 1853) Platorchestia monodi (Mateus, Mateus & Afonso, 1986) Talorchestia tucuaruna (Müller, 1864) Phoxocephalopsis sp1 Bathyporeiapus ruffoi Escofet, 1971 Corophium acherusicum Costa, 1857 Excirolana armata (Dana, 1853) Excirolana braziliensis H. Richardson, 1912 Eurydice littoralis (H. F. Moore, 1902) Macrochiridotea giambiagiae Torti & Bastida, 1969 Tholozodium rhombofrontalis (Giambiagi, 1922) Espécie 1 Bledius hermani Caron & Ribeiro-Costa, 2007 Bledius bonariensis Bernhauer, 1912 Espécie 1 Hastula cinerea (Born, 1778) Mesodesma mactroides Deshayes, 1854 Donax gemmula Morrison, 1971 Donax hanleyanus Philippi, 1842 Superagüi Norte no verão teve o maior número de espécies e Superagüi Sul no inverno a menor, com 23 e 18 espécies respectivamente. Peças Sul no verão apresentou a maior abundância total e Superagüi Sul no inverno a menor (Tab. 3). O grupo composto por crustáceos foi o mais 40rico em todas as áreas, com um total de 18 espécies. No entanto, este grupo foi mais abundante na Ilha das Peças. O grupo dos poliquetos foi o mais abundante em todas as regiões devido a grande quantidade de Scolelepis goodbodyi, espécie dominante em todas as regiões. Uma exceção foi Peças Norte no inverno, onde a abundância de poliquetos foi menor que a de crustáceos representado, principalmente, por Tholozodium rhombofrontalis (Tab.3). Os moluscos estiveram mais bem representados, tanto na riqueza quanto na abundância na Ilha de Superagüi. Os insetos, representados principalmente por uma espécie nova de Coleoptera Staphylenidae, Bledius hermani, foram mais abundantes na Ilha de Superagüi no inverno. Na Ilha das Peças apenas alguns indivíduos apareceram no verão. O grupo composto por Nemertea esteve representado por apenas uma espécie, mais abundante em Superagüi Norte no verão e menos abundante em Peças Norte no inverno (Tab. 3). A lista de espécies e as respectivas abundâncias lineares em cada transecto encontram-se nos anexos de 1 a 4. O índice de diversidade de Shannon-Wiener e a equitabilidade de Pielou mostraram padrões semelhantes, com valores maiores no inverno em todos os locais (Tab. 3). A densidade de Ocypode quadrata foi menor no inverno em todos os locais. Peças Norte apresentou a menor densidade por metro quadrado (0,3 tocas/m 2 ), enquanto Superagüi Norte no verão apresentou a maior (2,6 tocas/m 2 ). 41Tabela 4: Valores médios de abundância linear (ind/m) ± desvio padrão e riqueza dos grandes grupos e totais, dos índices ecológicos e densidade média por m 2 de Ocypode quadrata para os locais e as estações amostradas. Peças Sul Peças Norte Inverno Superagui Sul Verão Inverno Superagui Norte Verão Inverno Verão Inverno Verão Crustacea ind/m ± DP n. espécies 73.092 ± 2.661 10 138.858 ± 29.793 8 114.647 ± 5.258 10 512.560 ± 36.058 10 27.274 ± 6.350 7 47.959 ± 10.250 11 25.652 ± 2.657 9 69.463 ± 15.819 11 1.009.504 18 Polychaeta ind/m ± DP 590.668 ± 138.253 161.702 ± 107.302 371.952 ± 129.654 42.223 ± 28.424 476.364 ± 65.080 74.350 ± 4.277 427.963 ± 34.199 102.683 ± 55.573 2.247.917 n. espécies 6 7 6 5 5 4 6 4 9 Mollusca ind/m ± DP n. espécies 265 ± 129 2 2.218 ± 251 3 2.501 ± 648 1 5.941 ± 4.410 3 10.396 ±1.742 4 2.210 ± 644 3 9.456 ± 1.963 4 4.743 ± 842 4 37.730 5 Insecta ind/m ± DP 51 ± 44 0 169 ± 58 0 45 ± 78 8.128 ± 1.739 1.151 ± 589 3.449 ± 3545 12.994 n. espécies 1 0 2 0 1 1 1 3 4 411 ± 29 1 356 ± 445 1 153 ± 151 1 42 ± 73 1 236 ± 210 1 609 ± 408 1 1.903 ± 555 1 183 ± 318 1 3.893 1 664.486 303.134 489.422 560.776 514.316 133.257 466.126 180.522 3.312.038 20 19 20 19 18 20 21 23 37 0,4693 1,457 0,8259 1,353 0,4563 1,585 0,4784 1,42 0,1567 0,4948 0,2757 0,4596 0,1579 0,5291 0,1571 0,453 1,7 ± 1,12 1,6 ± 1,50 0,3 ± 0,52 0,7 ± 0,71 1,9 ± 1,07 0,7 ± 0,88 2,6 ± 1,35 1,1 ± 0,99 Nemertinea ind/m ± DP n. espécies Abundância Total Riqueza Total Diversidade de Shannon Equitabilidade Pielou O. quadrata (tocas/m 2 ) Total 42Os testes de Cochran aplicados para verificar a igualdade de variância entre os fatores foram rejeitados para a abundância total, índices ecológicos e densidade de O. quadrata. Com a transformação logarítima, as variáveis atingiram a igualdade de variância entre os fatores. Os resultados do teste-t podem ser vistos na tabela 5. Este teste apontou maior abundância total no verão e não mostrou diferença de riqueza entre as estações (Fig. 9). A equitabilidade de Pielou e diversidade de Shannon-Wiener foram maiores no inverno (Fig. 10). A densidade de O. quadrata foi maior no verão (Fig. 11). Os resultados da ANOVA também podem ser vistos na tabela 5. A abundância total não apresentou diferença entre os locais, no entanto, com a aplicação do teste LSD, Peças Norte se mostrou mais abundante que Superagüi Sul (Fig.12). A riqueza total e os índices ecológicos não apresentaram diferença entre os locais (Fig. 13). A densidade de O. quadrata foi diferente entre os locais, sendo Peças Norte menos densa (Fig. 11). Tabela 5: Resultados dos testes-t (Student) para as estações e das análises de variância (ANOVA) para os locais, realizados para a abundância e riqueza total, índices ecológicos e densidade de Ocypode quadrata. Valores de T (graus de liberdade) e comparação entre fatores. Valores de F (graus de liberdade dentro e entre) e comparações pareadas entre os fatores obtidos pelo teste post-hoc de Fisher (LSD). NS – não significativa; (*) 0,05 > p > 0,01;
(**) 0,01 > p > 0,001; (***) p < 0,001. V – Verão; I – Inverno; PN – Peças Norte; PS – Peças Sul; SN – Superagüi Norte; SS – Superagüi Sul. Abundância Total Riqueza Total Equitabilidade Pielou Diversidade Shannon Densidade O. quadrata Estação (T GL= 22 ) Comparação Local (F 3,16 ) Comparação (LSD) -4,01 *** 0,96 10,04 *** 11,18 *** -7,43 *** V > I 2,31
0,58
0,2
0,19
17,98*** (PN>SS)=(PS,SN)
NS
A
NS
I > V
I > V
V > I
NS
NS
(PS=(SN>SS))>PN
B
Figura 9: Teste-t comparando o verão e inverno para (A) abundância total (ind/m) e (B) riqueza total, transformados
por log 10 (x+1).
43A
B
Figura 10: Teste-t comparando o verão e inverno para (A) equitabilidade de Pielou e (B) diversidade de Shannon –
Wiener, transformados por log 10 (x+1).
A
B
Figura 11: (A) Teste-t comparando o verão e inverno para densidade de Ocypode quadrata transformada por
log 10 (x+1). (B) ANOVA. Média e erro padrão das densidades de O. quadrata transformadas por log 10 (x+1) das
praias expostas do Parque Nacional de Superagüi.
44A
B
Figura 12: ANOVA. Média e erro padrão da (A) abundância e (B) riqueza totais transformados por log 10 (x+1) das
praias expostas do Parque Nacional de Superagüi.
A
B
Figura 13: ANOVA. Média e erro padrão da (A) equitabilidade de Pielou e (B) diversidade de Shannon-Wiener
transformados por log 10 (x+1), das praias expostas do Parque Nacional de Superagüi.
A representação gráfica da ordenação multidimensional não métrica (n-MDS) mostrou
uma aproximação entre locais, com Peças Norte e Sul na região inferior e Superagüi Norte e Sul
na região superior do gráfico. Dentro de cada uma destas regiões as amostras de verão (Norte e
Sul) ficaram muito agrupadas, mostrando uma alta similaridade entre as áreas de Superagüi e
entre as áreas de Peças. Por outro lado, as amostras de inverno não ficaram tão agrupadas como
as de verão (Fig.14). O stress, considerando duas dimensões, foi de 0,05. Segundo CLARKE &
WARWICK (1994) o valor de stress abaixo de 0,05 corresponde a uma excelente representação
sem chances reais de uma interpretação enganosa.
45Superagüi
Peças
Figura 14: Representação gráfica em duas dimensões da ordenação multidimensional não métrica (n-MDS) entre os
locais e estações considerando a abundância linear, transformada por raiz quadrada, da comunidade da macrofauna.
A análise de similaridades com dois fatores (Local e Estação) cruzados (ANOSIM – two-
way crossed) confirmou estes agrupamentos. Os testes globais mostraram que tanto os locais
considerando as estações, quanto as estações considerando os locais, diferem significamente. Os
testes pareados mostraram que todos os locais, considerando as estações, foram diferentes entre si
(Tab. 5).
46Tabela 6: Análise de similaridade com dois fatores cruzados (ANOSIM – Two-WayCrossed). Testes globais (R
global) dos locais, considerando as estações e das estações considerando os locais. Testes pareados (R estatístico)
entre os locais considerando as estações.
Testes Globais Two-Way Crossed
Número
Nível de
R Global
Permutações
observado significância
0,978
999
0
0,1
Locais x Estações
1
999
0
0,1
Estações x Locais
Testes pareados Two-Way Crossed
Número
Nível de
R Estatístico Permutações
observado
Significância
0,963
100
1
1
Peças Norte x Peças Sul
1
100
1
1
Peças Norte x Superagüi Norte
1
100
1
1
Peças Norte x Superagüi Sul
0,926
100
1
1
Peças Sul x Superagüi Norte
1
100
1
1
Peças Sul x Superagüi Sul
0,889
100
1
1
Superagüi Norte x Superagüi Sul
A análise de contribuição das espécies com dois fatores (local e estação) (SIMPER – Two
– Way) mostrou que em Peças Norte (87,8% de similaridade) o isópodo Tholozodium
rhombofrontalis foi a espécie mais abundante e contribuiu com 28,4%, seguido pelo poliqueta
spionideo Scolelepis goodbodyi (26,5%) e o anfípoda Bathyporeiapus ruffoi (14,4%). Em Peças
Sul (85,5% de similaridade) o poliqueta S. goodbodyi teve a maior contribuição (42,5%), seguido
pelo isópodo T. rhombofrontalis (16,2%) e o anfípoda Phoxocephalopsis sp. (13,1%) (Tab. 6).
Em Superagüi Norte (83,7% de similaridade) a espécie que mais contribuiu foi S. goodbodyi
(42,7%), seguida pelos crustáceos Phoxocephalopsis sp., B. ruffoi e Excirolana armata, que
juntos contribuíram com 30%. Em Superagüi Sul (89,4% de similaridade) S. goodbodyi (42,1%)
também foi a espécie mais abundante, seguida por Phoxocephalopsis sp. (13,1%) e o poliqueta
Euzonus furciferus (6,9%) (Tab. 6).
47Tabela 7: SIMPER two-way. Abundância média, similaridade média, contribuição maior que 2,5 % e contribuição
acumulada (%) das espécies que colaboraram para a similaridade dentro dos locais considerando as estações.
Local
Peças
Norte
Peças Sul
Superagüi
Norte
Superagüi
Sul
Espécie
Tholozodium rhombofrontalis
Scolelepis goodbodyi
Bathyporeiapus ruffoi
Phoxocephalopsis sp.
Excirolana armata
Donax gemmula
Scolelepis goodbodyi
Tholozodium rhombofrontalis
Phoxocephalopsis sp.
Excirolana armata
Bathyporeiapus ruffoi
Euzonus furciferus
Scolelepis goodbodyi
Phoxocephalopsis sp.
Bathyporeiapus ruffoi
Excirolana armata
Donax gemmula
Tholozodium rhombofrontalis
Euzonus furciferus
Bledius hermani
Scolelepis goodbodyi
Phoxocephalopsis sp.
Euzonus furciferus
Bathyporeiapus ruffoi
Metamysidopsis neritica
Donax gemmula
Bledius hermani
Excirolana armata
Bowmaniella brasiliensis
Abundância
média
411,59
397,93
231,84
172,78
103,01
43,43
570,3
194,78
175,92
80,01
96,38
52,01
478,4
141,7
88,16
73,49
63,81
48,11
42,38
42,77
471,92
142,62
75,81
52,86
59,83
62,99
46,83
36,33
39,06
Similaridade
media
24,93
23,31
12,64
9,29
6,57
2,48
36,32
13,83
11,21
5,65
5,53
3,22
35,77
11,67
6,72
5,86
4,76
3,28
2,9
2,55
37,61
11,69
6,2
4,89
4,87
4,86
4,23
2,91
2,66
Contribuição Acumulada
28,4
26,55
14,4
10,58
7,48
2,82
42,46
16,17
13,11
6,6
6,47
3,76
42,71
13,94
8,02
6,99
5,68
3,92
3,46
3,05
42,08
13,08
6,93
5,47
5,45
5,43
4,73
3,25
2,97 28,4
54,96
69,36
79,94
87,42
90,24
42,46
58,63
71,74
78,34
84,81
88,57
42,71
56,65
64,68
71,67
77,35
81,27
84,73
87,78
42,08
55,16
62,09
67,56
73,01
78,44
83,18
86,43
89,4
A dissimilaridade, ou seja, as espécies que mais contribuíram para a diferenciação entre
os locais considerando as estações, foi maior entre Peças Norte e Superagüi Sul (45%). Em
seguida Peças Norte e Superagüi Norte (38,3%), Peças Sul e Superagüi Sul (35,9%), Peças Sul e
Superagui Norte (29,2%), Peças Norte e Peças Sul (28,5%) e por último Superagüi Norte e
Superagüi Sul (22,3%), podendo estas últimas ser consideradas as mais semelhantes dentre os
locais. As principais espécies que contribuíram para estas diferenciações podem ser observadas
na tabela 7 .
48Tabela 8: SIMPER two-way. Abundância média, valores de dissimilaridade, contribuição maior que 2,5 (%) e contribuição acumulada (%) das principais
espécies que colaboraram para a diferenciação entre os locais, considerando as estações.
Local
Peças Norte
X
Peças Sul
Local
Peças Norte
X
Superagüi Norte
Espécie
Tholozodium rhombofrontalis
Scolelepis goodbodyi
Bathyporeiapus ruffoi
Metamysidopsis neritica
Euzonus furciferus
Phoxocephalopsis sp.
Talorchestia tucuaruna
Excirolana armata
Donax gemmula
Macrochiridotea giambiageae
Espécie
Tholozodium rhombofrontalis
Bathyporeiapus ruffoi
Scolelepis goodbodyi
Phoxocephalopsis sp.
Bledius hermani
Metamysidopsis neritica
Excirolana armata
Euzonus furciferus
Talorchestia tucuaruna
Abundância Peças Norte
411,59
397,93
231,84
39,56
13,38
172,78
27,83
103,01
43,43
7,9
Abundância Peças Norte
411,59
231,84
397,93
172,78
1,68
39,56
103,01
13,38
27,83
Abundância Peças Sul
194,78
570,3
96,38
2,62
52,01
175,92
37,47
80,01
23,47
30,77
Dissimilaridade
7
5,93
4,46
1,35
1,27
1,03
0,86
0,8
0,79
0,75
Abundância Superagüi Norte
48,11
88,16
478,4
141,7
42,77
29,52
73,49
42,38
0
Contribuição
24,6
20,82
15,65
4,74
4,46
3,61
3,02
2,83
2,77
2,63
Dissimilaridade
12,95
5,11
3,76
1,71
1,47
1,42
1,09
1,05
0,99
Acumulada
24,6
45,42
61,07
65,81
70,27
73,88
76,9
79,73
82,5
85,13
Contribuição
33,83
13,36
9,82
4,46
3,83
3,7
2,84
2,75
2,59
Acumulada
33,83
47,19
57
61,46
65,3
69
71,84
74,58
77,17
49Local
Peças Sul
X
Superagüi Norte
Local
Peças Norte
X
Superagüi Sul
Espécie
Tholozodium rhombofrontalis
Scolelepis goodbodyi
Phoxocephalopsis sp.
Bledius hermani
Donax gemmula
Talorchestia tucuaruna
Macrochiridotea giambiageae
Bathyporeiapus ruffoi
Euzonus furciferus
Metamysidopsis neritica
Donax hanleyanus Abundância Peças Sul
194,78
570,3
175,92
2,91
23,47
37,47
30,77
96,38
52,01
2,62
11,44 Abundância Superagüi Norte
48,11
478,4
141,7
42,77
63,81
0
1,83
88,16
42,38
29,52
31,71 Dissimilaridade
5,72
4,49
2,25
1,58
1,53
1,45
1,17
1,17
1,14
1,06
0,8 Contribuição
19,6
15,38
7,7
5,4
5,25
4,95
4
3,99
3,91
3,64
2,74 Acumulada
19,6
34,98
42,68
48,08
53,33
58,28
62,28
66,27
70,19
73,83
76,56
Espécie
Tholozodium rhombofrontalis
Bathyporeiapus ruffoi
Scolelepis goodbodyi
Excirolana armata
Phoxocephalopsis sp.
Euzonus furciferus
Bledius hermani
Bowmaniella brasiliensis Abundância Peças Sul
411,59
231,84
397,93
103,01
172,78
13,38
1,68
2,09 Abundância Superagüi Norte
14,4
52,86
471,92
36,33
142,62
75,81
46,83
39,06 Dissimilaridade
14,47
6,51
3,2
2,44
2,38
2,29
1,71
1,37 Contribuição
32,14
14,46
7,12
5,43
5,28
5,08
3,8
3,05 Acumulada
32,14
46,6
53,72
59,15
64,43
69,51
73,31
76,37
50Local
Peças Sul
X
Superagüi Sul
Local
Superagüi Norte
X
Superagüi Sul
Espécie
Tholozodium rhombofrontalis
Scolelepis goodbodyi
Phoxocephalopsis sp.
Metamysidopsis neritica
Bledius hermani
Bathyporeiapus ruffoi
Excirolana armata
Donax gemmula
Talorchestia tucuaruna
Bowmaniella brasiliensis
Euzonus furciferus
Macrochiridotea giambiageae
Espécie
Scolelepis goodbodyi
Metamysidopsis neritica
Bathyporeiapus ruffoi
Excirolana armata
Bledius hermani
Euzonus furciferus
Tholozodium rhombofrontalis
Bowmaniella brasiliensis
Nemertea
Phoxocephalopsis sp.
Mesodesma mactroides
Donax hanleyanus
Lepidopa richmondi
Hastula cinerea
Abundância Peças Sul
194,78
570,3
175,92
2,62
2,91
96,38
80,01
23,47
37,47
2,3
52,01
30,77
Abundância Superagüi Sul
14,4
471,92
142,62
59,83
46,83
52,86
36,33
62,99
0
39,06
75,81
0
Abundância Superagüi Norte
478,4
29,52
88,16
73,49
42,77
42,38
48,11
14,12
25,56
141,7
15,15
31,71
7,26
15,53
Dissimilaridade
7,11
4,14
3,02
2,48
2,01
1,85
1,75
1,59
1,47
1,38
1,3
1,29
Abundância Superagüi Sul
471,92
59,83
52,86
36,33
46,83
75,81
14,4
39,06
18,13
142,62
0
18,61
19,89
21,74
Contribuição
19,83
11,56
8,41
6,92
5,62
5,15
4,88
4,42
4,09
3,85
3,62
3,59
Dissimilaridade
2,89
2,24
1,72
1,66
1,51
1,46
1,38
1,08
1,02
0,88
0,73
0,64
0,59
0,56
Acumulada
19,83
31,38
39,8
46,71
52,33
57,48
62,36
66,78
70,87
74,72
78,35
81,94
Contribuição
12,96
10,06
7,7
7,43
6,77
6,55
6,19
4,84
4,59
3,96
3,29
2,87
2,67
2,53
Acumulada
12,96
23,03
30,73
38,16
44,93
51,48
57,67
62,51
67,1
71,06
74,34
77,22
79,88
82,41
51A análise de correspondência canônica (CCA) apresentou 71,1% de variância acumulada
nos dois primeiros eixos, considerando a influência das espécies e dados ambientais. Os fatores
ambientais exerceram baixa influência sobre os locais, somando 14,6 % de variância acumulada
nos dois primeiros eixos à variância obtida pelos dados biológicos. Assim, é possível verificar
que os dados biológicos exerceram maior influência na diferenciação dos locais (Tab. 8 e Fig.
15).
Tabela 9: Resultados da análise de correspondência canônica (CCA).
Eixo 1
Eixo 2
Eixo 3
Eixo 4
Autovalores CCA
0,246
0,169
0,06
0,042
Correlação espécies x ambiente
0,983
0,991
0,978
0,977
Porcentagem das variâncias acumuladas
Dados de Espécies
32,9
55,5
63,5
69,1
Relação entre espécies e ambiente
42,1
71,1
81,3
88,5
Soma de todos autovalores (Inércia Total)
0,747
Soma de todos autovalores canônicos
0,583
52Figura 15: Análise de correspondência canônica (CCA) com as praias expostas do Parque Nacional de Superagüi
em cada estação estudada, considerando as espécies e os parâmetros ambientais. O quadrado cheio representa as
áreas estudadas em cada estação, as setas indicam os vetores dos parâmetros ambientais.
535
DISCUSSÃO
Os resultados mostram uma marcada variabilidade nas características físicas das praias ao
longo da costa exposta do Parque Nacional de Superagüi. A área sul da Ilha de Peças está
localizada próxima e é influenciada pela desembocadura da baía de Paranaguá, evidenciado pela
menor salinidade, maior quantidade de detritos e valor de amplitude relativa da maré (RTR)
maior que três. Segundo MASSELINK & SHORT (1993) valores maiores que três indicam maior
ação da maré sobre a morfodinâmica da praia.
A porção norte da Ilha das Peças ainda recebe influência da desembocadura da baía de
Paranaguá, observada pela alta quantidade de detritos no supralitoral. No entanto, esta influência
é menor quando comparada à porção sul, pois os valores dos índices morfodinâmicos (RTR e
Omega) mostram maior intensidade da ação de ondas sobre esta área. Ambas as áreas de Peças
apresentaram valores de seleção no sedimento menores que as áreas da Ilha de Superagüi. Isto
sugere menor influência de ondas, apesar da semelhança entre os valores de altura de ondas em
Peças Norte e as áreas de Superagüi. Contudo, esta semelhança é relativa devido às observações
serem pontuais e em diferentes anos. Deve-se considerar também a influência dos bancos
submersos ou deltas de maré vazante, localizados próximos às áreas da Ilha das Peças e a
influência da desembocadura do Canal Norte da baía de Paranaguá e do Canal de Superagüi sobre
a morfodinâmica local (ANGULO & ARAÚJO, 1996).
Por outro lado, as áreas sul e norte da Ilha de Superagüi apresentaram padrões
morfodinâmicos semelhantes, principalmente, quando se considera as estações de verão e
inverno. No verão, estas áreas apresentaram um estado morfodinâmico mais dissipativo quando
comparadas ao inverno. Esta semelhança, considerando as estações, sugere pouca variação nas
características físicas ao longo da Praia Deserta. No entanto, os pontos de coleta estavam
localizados distantes da influência das desembocaduras do Canal de Superagüi e de Ararapira,
locais conhecidos por fortes variações temporais na morfologia praial (ANGULO & ARAÚJO,
1996).
Devido às praias do Parque Nacional de Superagüi serem pouco ocupadas e visitadas, os
banhistas devem ser alertados sobre o a possibilidade de acidentes graves, como o arrastamento e
até a morte por afogamento. A área sul da Ilha de Peças poderia ser destinada ao uso por
54banhistas devido a menor energia de onda. No entanto, praias com estas características
morfodinâmicas são normalmente fundas logo após a zona de arrebentação (SHORT, 2006). Esta
região também apresenta fortes correntes de maré. Assim, o uso por banhistas deve ser
acompanhado de salva-vidas durante a época de maior visitação. As áreas restantes das praias
expostas do parque apresentam características morfodinâmicas dominadas por ondas. Estes
ambientes possuem forte energia e são normalmente acompanhados da formação de correntes de
retorno. Estas correntes são reconhecidas por arrastar e até provocar a morte por afogamento de
banhistas (NICOLODI & TOLDO, 2003; SHORT, 2006). O uso destas praias deve ser
acompanhado de salva-vidas e placas de sinalização de perigo durante as épocas de maior
visitação.
A variabilidade física ao longo da costa do Parque Nacional de Superagüi refletiu em
diferenças na macrofauna bentônica. Os crustáceos apresentaram o maior número de espécies e
os poliquetos a maior abundância em todas as áreas, assim como na maioria das praias do litoral
do Paraná (SOUZA & GIANUCA, 1995; BORZONE et al., 1996; BORZONE & SOUZA, 1997;
BARROS et al., 2001). As áreas da Ilha das Peças apresentaram maior abundância de crustáceos
em relação às áreas da Ilha de Superagüi. Esta maior ocupação pode estar associada a maior
quantidade de detritos nestes locais, pois algumas das espécies presentes estão fortemente
associadas ao detrito, como o anfípode Talorchestia tucuaruna. Outros crustáceos abundantes ao
longo da Ilha de Peças foram Tholozodium rhombofrontalis, Bathyporeiapus ruffoi e
Phoxocephalopsis sp. Estas três espécies contribuíram com 50 % em Peças Norte e com 36 % em
Peças Sul, em contraste com 26 % em Superagüi Norte e 18 % em Superagüi Sul. BORZONE et
al. (2003) já havia documentado uma maior abundância de T. rhombofrontalis em uma praia
dominada pela maré quando comparada a uma praia dominada por onda na região da Baía de
Paranaguá.
Em contraste à menor abundância de crustáceos, as áreas da Ilha de Superagüi tiveram
valores de riqueza e abundância de moluscos maiores que as áreas da Ilha de Peças. O gastrópode
Hastula cinerea foi encontrado somente na Ilha de Superagüi. H. cinerea é uma espécie carnívora
que se alimenta de poliquetas e Donax spp. (RIOS, 1994). As espécies do gênero Donax
apareceram também na Ilha de Peças, porém com abundâncias menores. Esta variação pode estar
associada à diferença morfodinâmica entre as praias. H. cinerea não foi encontrada nas praias
55próximas à Guaratuba estudadas por BARROS et al. (2001) e nem nas praias estudadas por
BORZONE et al. (1996). No entanto, a espécie H. salleana foi coletada ao longo de todo o ano
na Praia de Barrancos, o que demonstra a ocorrência e persistência desta espécie em ao menos
uma praia do Paraná (SOUZA & GIANUCA, 1995). H. salleana é descrita somente para o
Espírito Santo e Ceará, já H. cinerea ocorre do Ceará à Santa Catarina (RIOS, 1994). Os
espécimes de BARROS et al. (2001) e do presente estudo foram enviados para identificação e
ambos pertencem à espécie H. cinerea.
Os espécimes de Coleoptera enviados para a identificação foram identificados como uma
espécie nova de Staphylenidae Bledius hermani Caron & Ribeiro-Costa, 2007. Esta espécie foi
encontrada em maiores abundâncias em ambas as áreas de Superagüi, principalmente no inverno.
Segundo CARON & RIBEIRO-COSTA (2007), no Paraná são encontradas três espécies: B.
hermani, B. bonariensis e B. fernandezi. Em agosto de 2007 foi realizada uma visita próxima à
área sul da Ilha de Superagüi para uma coleta específica de coleópteros. Foi verificada a
ocorrência das três espécies em densidades altas, principalmente da espécie nova. Foi observado
também que estas espécies ocorrem em manchas, sendo este uma possível explicação para a
ausência de B. bonariensis e B. fernandenzi nas coletas da Ilha de Superagüi e das baixas
abundâncias nas coletas da Ilha das Peças.
O poliqueta spionídeo Scolelepis goodbodyi teve alta contribuição em todas as regiões, no
entanto, em Peças Norte esta espécie apresentou uma dominância semelhante à de T.
rhombofrontalis. Os trabalhos realizados no Paraná até 2003, classificaram todos os Scolelepis
encontrados como S. squamata, contudo, apenas recentemente esta situação foi reavaliada.
Análises com duas populações de Scolelepis, comumente classificadas como S. squamata (no
Brasil), revelou que estas são compostas por espécies diferentes: S. goodbodyi e S. (cf.) chilensis.
A espécie S. goodbodyi apresenta glândulas branquiais posicionadas na parte mediana ou
subdistal da margem externa das brânquias, já S. squamata não possui glândulas branquiais
(RADASHEVSKY, apud, MACCORD & AMARAL, 2007) 1 . A descrição de S. goodbodyi se
adequou com os espécimes encontrados neste trabalho. Sendo assim, S. goodbodyi (ex – S.
squamata) é amplamente reconhecida como espécie dominante nas praias expostas com
características intermediárias a dissipativas do estado do Paraná (SOUZA & GIANUCA, 1995;
1
Vasily Radashevsky, PhD. Institute of Marine Biology, Vladivostok, Rússia (comunicação pessoal com os autores MACCORD
& AMARAL, 2007).
56BORZONE et al., 1996; BORZONE & SOUZA, 1997; BARROS et al., 2001; BORZONE et al.,
2003). Das dez praias estudas por BORZONE & SOUZA (1996) oito apresentaram a espécie S.
goodbodyi (ex – S. squamata) como dominante.
As maiores abundâncias totais encontradas no verão nas áreas de estudo estão associadas
à maior abundância de S. goodbodyi neste período. SOUZA & GIANUCA (1995) também
encontraram uma maior abundância de S. goodbodyi (ex – S. squamata) durante o verão e
associaram ao recrutamento desta espécie durante este período. No entanto, a riqueza de espécies
não apresentou diferença entre verão e inverno. Esta dominância de S. goodbodyi no verão e
semelhança da riqueza entre verão e inverno influenciou na diferença dos valores dos índices
ecológicos entre as duas estações (equitabilidade de Pielou e diversidade de Shannon-Wiener).
No inverno houve menor dominância de espécies, o que refletiu numa distribuição mais
eqüitativa e maior diversidade de espécies. No entanto, não houve diferença nos índices entre as
praias, o que demonstra uma diversidade semelhante ao longo da costa exposta do Parque
Nacional de Superagüi (PNS).
Ainda que a diversidade seja semelhante entre as áreas, a composição específica e
abundância de algumas espécies foram diferentes, principalmente entre as Ilhas. Peças Norte foi
menos similar às áreas da Ilha de Superagüi que Peças Sul. Esta última se diferenciou mais de
Superagüi Sul. Já quando as áreas da Ilha das Peças são comparadas entre si, assim como as áreas
da Ilha de Superagüi, a dissimilaridade é menor provavelmente associada a maior proximidade e
semelhança morfodinâmica entre as áreas.
A análise de correspondência canônica (CCA) reforça e deixa mais evidente a diferença
entre Peças e Superagüi e a separação destas no verão e inverno encontrada nas análises
multivariadas, pois inclui as variáveis físicas, as quais a priori já haviam demonstrado esta
tendência. Isto confirma a influência dos parâmetros ambientais, granulométricos e
morfodinâmicos
sobre
a
estruturação
da
comunidade
macrofaunal
(MCARDLE
&
MCLACHLAN, 1992; MCLACHLAN & DORVLO, 2005). Contudo, os fatores biológicos
tiveram maior influência sobre a distinção entre as áreas. Graficamente, a análise multivariada
biológica (MDS) ficou mais semelhante ao CCA que a análise multivariada com fatores físicos
(PCA). Nesta comparação, as áreas da Ilha de Superagüi mantiveram o mesmo padrão em todas
as análises multivariadas, enquanto que as áreas da Ilha de Peças não. Quando os fatores físicos
57são analisados, as áreas de Peças se separaram em norte e sul. Contudo, quando os dados
biológicos são incluídos nas análises as áreas se separam em verão e inverno.
A quantidade de trabalhos que comparam praias legalmente protegidas e praias
urbanizadas e/ou turísticas envolvendo a macrofauna é escassa. No entanto, alguns trabalhos
demonstram a influência negativa do uso e ocupação intensivos sobre as comunidades que
habitam o ambiente praial. GHESKIERE et al. (2005) compararam a guilda de meiofauna entre
praias turísticas e não turísticas e concluíram que a porcentagem de matéria orgânica, densidade e
diversidade foram menores nas praias turísticas, sendo que os nemátodas encontrados nestas
praias possuem características r-estrategista.
VELOSO et al. (2006) realizaram um estudo comparativo entre cinco praias do Rio de
Janeiro, das quais três são urbanizadas e muito visitadas, uma é área de proteção e pouco visitada
e a última, Barra da Tijuca, foi separada em duas regiões, a primeira urbanizada e muito visitada
e a segunda uma área de proteção. A riqueza de espécies mostrou pouca variação entre as praias,
no entanto, a densidade de algumas espécies como Emerita brasiliensis (Crustacea) e Phaleria
testacea (Insecta) foi menor nas praias urbanizadas quando comparadas com as protegidas. Nas
praias mais urbanizadas, Pseudorchestoidea brasiliensis (Crustacea, Talitride) foi inexistente
tanto no verão quanto no inverno, sendo que na porção urbanizada da Barra da Tijuca esta
espécie não foi encontrada e na porção protegida esta ocorreu com altas densidades. Esta espécie,
que ocorre na porção supralitoral normalmente associada aos detritos orgânicos depositados pela
maré, demonstrou ser mais vulnerável ao pisoteio que as outras espécies.
Os resultados obtidos no presente estudo, quando comparados com outros realizados no
litoral do Paraná, mostram que as praias do Parque Nacional de Superagui apresentam valores
altos de riqueza e abundância. BORZONE et al. (1996) estudaram dez praias do litoral do Paraná
utilizando a mesma metodologia aplicada no presente estudo. Neste trabalho são incluídos pontos
na região do infralitoral, mas estes são analisados separadamente da região entre-marés. Das dez
praias estudadas, seis são localizadas na Ilha do Mel e quatro ao longo do arco praial do
município de Pontal do Paraná. Das dez praias estudadas, cinco são dominadas por ondas e
apresentam características de intermediárias a dissipativas (2.9 < Ω < 6.7). A riqueza foi menor nas praias estudadas por BORZONE et al. (1996), variando entre 13 em Praia de Leste e Praia de Fora Sul e 16 espécies na Praia de Fora Norte, quando comparadas 58com as riquezas encontradas nas praias do Parque Nacional de Superagüi (18 – 23 espécies). No entanto, a Praia Grande – Ilha do Mel apresentou 21 espécies, valor muito semelhante ao encontrado no presente estudo. Estas praias apresentaram valores totais de abundância menores ou próximos ao menor valor de abundância encontrado no presente trabalho (Superagüi Sul no inverno com 133.257 ind.m -1 ). BARROS et al. (2001) estudaram seis praias do litoral do Paraná localizadas na região do município de Guaratuba. Este município possui alta ocupação antrópica na região costeira e é extremamente freqüentado por turistas durante a temporada. Destas praias, quatro apresentaram características morfodinâmicas semelhantes às praias do parque (3.6 < Ω < 7.3). Apesar de a metodologia de coleta ser a mesma, estes autores também incluíram pontos de coleta na região submersa da praia e as analisaram em conjunto. Para efeitos de comparação, os dados originais foram acessados. Assim, na região entre-marés foi verificada a presença de 4 a 11 espécies e valores de abundância também muito menores quando comparados aos obtidos no presente estudo. Deve-se ressaltar que os menores valores de abundância e riqueza ocorreram em praias localizadas em regiões mais visitadas e/ou urbanizadas. Estes menores valores podem estar associados a esta pressão antrópica. No entanto, deve-se ressaltar que os trabalhos foram realizados em anos diferentes. Assim, esta diferença também pode estar associada a variações interanuais naturais das populações e da morfodinâmica. As praias de Ilha do Mel estudadas por BORZONE et al. (1996) foram os locais com maior semelhança na riqueza e abundância. Esta semelhança pode estar associada a maior proximidade com as praias do Parque Nacional de Superagüi e também devido a menor uso e ocupação antrópica. Além dos organismos que compõem a macrofauna das praias arenosas do parque, o caranguejo fantasma Ocypode quadrata, também conhecido como “maria-farinha”, apresenta importante papel ecológico neste ambiente. BARROS (2001) realizou um estudo na Austrália para avaliar a resposta de uma espécie de mesmo gênero (Ocypode cordimana) a impactos antrópicos em praias arenosas expostas. Este demonstrou ser uma ferramenta rápida e fácil para o diagnóstico de impactos na região costeira. Um estudo semelhante com a espécie Ocypode quadrata foi realizado por NEVES & BEMVENUTI (2006) em praias do Rio Grande do Sul com 59diferentes níveis de impacto antrópico, onde a mesma resposta foi encontrada. Isto demonstra que estas espécies são suscetíveis ao impacto e, por ser uma área de proteção, espera-se que nas praias do Parque Nacional de Superagüi a densidade desta espécie seja alta. A densidade por metro quadrado deste caranquejo nas praias do Parque Nacional de Superagüi foi maior no verão e pode estar associada às maiores temperaturas nesta época. Segundo ALBERTO & FONTOURA (1999), a população de O. quadrata é muito sensível às modificações climáticas. No inverno, estes organismos podem iniciar suas atividades por volta das 10 horas ou mais próximo ao meio dia, podendo manter suas tocas fechadas até então. As coletas do presente estudo foram todas realizadas no período da manhã, durante a maré baixa, finalizando entre 10 e 11 horas. A contagem das tocas de O. quadrata nas praias do Parque Nacional de Superagüi foi realizada apenas em um dia no verão e um dia no inverno. Os valores de densidade encontrados nas áreas da Ilha de Superagüi (1,1 a 2,6 tocas/m 2 ) e na área sul da Ilha das Peças (1,6 a 1,7 tocas/m 2 ) são maiores que as densidades encontradas em uma praia urbanizada (0,3 a 1 tocas/m 2 ) (NEVES & BEMVENUTI, 2006). Assim como às densidades encontradas em uma praia que já sofreu impactos sobre as dunas (0,6 a 0,7 tocas/m 2 ) (ALBERTO & FONTOURA, 1999). Ambas as praias com influência antrópica são localizadas no Rio Grande do Sul e apresentam características morfodinâmicas semelhantes às praias do parque. Peças Norte no verão e inverno e Superagüi Sul no inverno apresentaram densidades relativamente baixas, semelhantes às encontradas em áreas impactadas. Esta menor densidade pode estar associada à variabilidade diária. Por esta espécie ser considerada uma indicadora e ter apresentado uma alta amplitude de valores ao longo do arco praial do parque, considera-se necessário um monitoramento desta espécie em uma maior escala temporal e espacial. Este padrão encontrado pode estar associado a variações naturais, porém também pode estar associado a alguma forma de impacto. Foi observada durante as coletas uma quantidade alta de resíduos sólidos, principalmente, na Praia Deserta. A origem deste lixo é desconhecida, dado que a visitação nas praias expostas do parque é relativamente baixa. No entanto, considera-se que o lixo gerado por visitantes e/ou de outras origens causam impactos visuais e sanitários para os humanos, e impactos sobre a comunidade que habita as praias ou as utiliza para alimentação e descanso. SANTOS et al. 60(2005) avaliaram a influência das características sócio-econômicas dos usuários da Praia do Cassino (RS) na geração de lixo e concluíram que esta é duas vezes maior na área ocupada por pessoas de menor renda e estudo. O lixo também está fortemente associado com a densidade de visitantes, sendo o plástico e as bitucas de cigarro os lixos mais produzidos. Devido às praias expostas estarem incluídas dentro do Parque Nacional de Superagüi, elas estão legalmente seguras contra a especulação imobiliária, construção de estruturas fixas e, conseqüentemente, da deficiência de saneamento. A comunidade local que vive dentro ou no entorno do parque não parece exercer impactos sobre as praias expostas, pois apenas as utilizam como passagem entre as vilas, ou para pesca de subsistência. A limpeza da praia, a qual inclui a remoção também dos detritos, é comum e amplamente utilizada em todo o mundo. Esta prática não é realizada nas praias expostas do parque, contudo é muito comum nas praias localizadas em frente às vilas. DUGAN et al. (2003) ressaltam que a retirada da linha de deposição de detritos, comumente realizada em praias muito visitadas, tem efeitos “botton-up” negativos na cadeia trófica das praias. Esta retirada dos detritos pode afetar a riqueza, abundância e biomassa da macrofauna e conseqüentemente as aves que se alimentam destes organismos associados ao detrito. A Praia Deserta do Parque Nacional de Superagüi é um importante ponto de concentração de algumas aves limnícolas migratórias. Algumas das espécies listadas para o parque estão ameaçadas de extinção e foram encontradas em altas densidades. Muitas destas se alimentam da macrofauna bentônica, devendo assim ser assegurada a plena conservação destes organismos e do habitat (MIKICH & LARA, 1996). Os altos valores de riqueza específica e abundância da macrofauna e baixo uso e ocupação da orla do Parque podem ser responsáveis pela alta densidade das aves migratórias nesta região que utilizam este local para alimentação e descanso. O turismo também pode ser considerado um impacto possível dada a maior divulgação sobre as belezas cênicas do parque. A perspectiva é que a visitação seja cada vez mais intensa contraposta à ausência de infra-estrutura (RÖSLER, 2004). Contudo, a dificuldade de acesso a Ilha de Superagüi é um dos principais fatores que influencia o tipo de visitante e a intensidade de visitação, podendo ser utilizado como uma poderosa ferramenta de controle de visitação (NIEFER, 2002). Esta autora sugere um monitoramento contínuo dos visitantes, a implantação de centros de informação, trilhas sinalizadas/educativas e projetos de educação ambiental. MIKICH 61& LARA (1996) também sugerem ações para o controle da visitação como ferramenta para a conservação das aves migratórias. O Parecer n o 276, de 22/05/96, da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal ao Projeto de Lei n o 71, de 23/05/95, da Câmara dos Deputados, substitutivo do Projeto de Lei n o 2.855/92 menciona que o objetivo da ampliação do Parque Nacional de Superagüi seria a integração da Praia Deserta, faixa que não pudera ser incluída quando da sua criação em 1989. Neste parecer o Parque Nacional do Superagüi é apontado como “uma das mais importantes unidades de conservação costeiras do País, protegendo uma das poucas áreas ainda não tomadas pela especulação imobiliária no litoral sul. É um viveiro de reprodução e crescimento de peixes, crustáceos e moluscos, fundamental para a renovação de estoques, para o repovoamento de toda a área costeira e para o sustento econômico da população regional” (RÖSLER, 2004) 2 . As praias do Parque Nacional de Superagüi ainda não haviam sido estudadas quanto à ecologia da macrofauna. Este trabalho apresentou dados espaciais e temporais restritos, porém serve como base para a identificação das principais espécies que ocupam este habitat e suas abundâncias relativas. Este levantamento também permitiu evidenciar que a comunidade varia ao longo do arco praial do parque acompanhando as características morfodinâmicas do ambiente. Apesar desta variação, foi possível verificar que esta região apresenta valores de riqueza e abundância maiores que algumas praias antropizadas do Paraná. Com isso, sugere-se que no Plano de Manejo do parque seja considerado que estas praias sustentam uma diversidade alta em comparação a algumas praias, com características semelhantes, do estado do Paraná. Sendo assim, sua conservação deve ser mantida a partir do controle dos usos deste habitat. 2 Não foi possível encontrar este parecer, o mesmo não está disponível nos meios eletrônicos fornecidos pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis) e MMA (Ministério do meio ambiente). Optou-se por citar diretamente da autora por ser uma informação relevante ao presente trabalho. 626 ƒ CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Há uma marcada variabilidade física das praias ao longo da costa exposta do Parque Nacional de Superagüi. A área sul da Ilha de Peças apresenta maior influência da desembocadura da Baía de Paranaguá e sua morfodinâmica é dominada principalmente pela maré. Já a área norte é mais dominada por ondas, no entanto, em menor grau quando comparada às áreas estudadas da Ilha de Superagüi. Estas últimas apresentam características morfodinâmicas semelhantes, considerando os dois períodos amostrados, verão e inverno, sendo fortemente influenciadas pela ação das ondas incidentes. ƒ Durante a criação do Plano de Manejo do parque, os perigos associados à dinâmica do ambiente praial devem ser considerados. A área sul da Ilha de Peças apresenta menor influência de ondas, mas possui forte influência de correntes de maré associadas à desembocadura do canal norte da Baía de Paranaguá. As áreas norte da Ilha de Peças e ambas as áreas da Ilha de Superagüi são mais influenciadas pelas ondas, o que pode levar a formação de correntes de retorno. Estas correntes podem arrastar e até provocar o afogamento de banhistas. Assim, sugere- se a presença de salva – vidas nas áreas mais utilizadas por banhistas durante as épocas de maior visitação ao parque. ƒ A estrutura da comunidade da macrofauna bentônica que habita as praias do Parque Nacional de Superagüi acompanhou a variação morfodinâmica ao longo do arco praial. A riqueza destas praias foi determinada principalmente pelos crustáceos. A abundância foi influenciada por uma espécie dominante de poliqueta (S. goodbodyi) em todas as praias, com exceção da região norte de Peças, onde a dominância foi dividida com um isópodo (T. rhombofrontalis). A diversidade biológica também foi semelhante entre as regiões, no entanto, foi visto que as comunidades são compostas por diferentes espécies e em diferentes abundâncias ao longo do arco praial. ƒ O verão e o inverno mostraram características bem distintas. A incidência de ondas de maior altura normalmente descrita para o inverno (PORTOBRAS, 1983) refletiu em menores larguras das praias e maior declividade, principalmente nas regiões da Ilha de Superagüi. Esta variação 63entre as duas estações também foi observada na comunidade da macrofauna, evidente principalmente pela maior abundância de S. goodbodyi no verão. ƒ O estado de conservação das praias arenosas expostas do Parque Nacional de Superagüi refletiu em uma alta abundância e riqueza quando comparada com outras praias do Paraná impactadas, mas de características morfodinâmicas semelhantes. Contudo, esta variação também pode estar associada a oscilações interanuais naturais das populações. ƒ A densidade de O. quadrata é relativamente alta quando comparada com praias urbanizadas estudadas no Rio Grande do Sul. No entanto, em Peças Norte a densidade foi semelhante à encontrada em praias impactadas. Sugere-se um estudo direcionado sobre a dinâmica da população desta espécie ao longo da costa do parque, comparando-a com regiões supostamente impactadas do estado do Paraná. ƒ Poucas praias do Brasil e do mundo encontram-se no estado de conservação observado nas praias do Parque Nacional de Superagüi. A pressão pelo turismo, densidade demográfica, poluição, pesca, entre outros, aumenta a cada dia. A presença de praias conservadas é essencial para a manutenção da diversidade em todos os níveis tróficos dependentes deste hábitat. ƒ As vilas de pescadores associadas ao Parque, sejam dentro ou no entorno, aparentemente não exercem impactos sobre as praias expostas, pois apenas as utilizam como passagem entre elas, e apenas alguns moradores da praia Deserta que pescam na praia para subsistência. No entanto, foi observado que na praia da Vila de Superagüi a retirada dos detritos é uma prática comum e por vezes diária. Assim, existe uma preocupação com o controle desta retirada, a qual pode vir a ser praticada nas praias do parque. Sugere-se um estudo mais aprofundado dos impactos decorrentes da retirada da linha de detritos nas praias próximas às vilas no entorno do parque. ƒ A Praia Deserta possui uma alta quantidade de lixo ao longo de sua costa. Sugere-se a realização de trabalhos que definam a origem deste lixo e os possíveis impactos associados. ƒ Em relação ao turismo, este trabalho não propõe a exclusão total do acesso às praias. Isto iria contra as principais tendências atuais de conservação (DIEGUES, 2001) e não faz sentido, já que as praias apresentam uma alta resiliência ao tipo de atividades que a visitação turística do parque 64esta recebendo. Propomos apenas um maior controle desta visitação, a ser iniciado o quanto antes, pois a tendência nesta região é de um aumento cada vez mais expressivo da procura por ambientes não urbanizados e conservados, como estas praias (ver NIEFER, 2002 e RÖSLER, 2004). ƒ Este trabalho deixou evidente a importância da conservação na manutenção do ecossistema praial devido, principalmente, aos maiores valores de riqueza e abundância comparados a algumas praias do Paraná. Existe também a necessidade de controlar os usos associados, principalmente os associados às atividades turísticas, para a manutenção desta diversidade. No entanto, para um melhor conhecimento deste ambiente seria necessário um monitoramento da macrofauna bentônica, considerando um espectro espacial e temporal maior e a inclusão da avifauna que utiliza este habitat. 65REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABU-HILAL, A.H. & AL-NAJJAR, T. Litter pollution on the Jordanian shores of the Gulf of Aqaba (Red Sea). 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73ANEXOS
Anexo 1: Lista das espécies e as respectivas abundâncias lineares (ind/m) presentes nos três transectos (A, B e C) coletados em
Peças Norte (pn) no inverno (inv) e verão (ver).
Espécies
A_pn_inv B_pn_inv C_pn_inv
A_pn_ver
B_pn_ver C_pn_ver
Aricidea fragilis
0
0
0
0
0
315
Atlantorchestoidea brasiliensis
0
0
56
0
0
0
Austinixa patagoniensis
0
0
125,8
0
276
0
Bathyporeiapus ruffoi
151243,2
121112,6
180780,9
5238
7949,7
4547,7
Bledius hermani
0
0
0
101,4
0
0
Bledius bonariensis
0
0
0
0
202,8
202,8
Bowmaniella brasiliensis
0
0
0
157,5
0
0
Colembola
0
0
0
0
0
0
Coleoptera
0
0
0
0
0
0
Corophium acherusicum
0
0
0
0
0
0
Dispio remanei
0
0
0
0
0
0
Donax (juvenil)
0
0
0
0
0
0
Donax gemmula
1507,2
628,2
2261,2
2728,5
1770,6
3004,5
Donax hanleyanus
378,7
467,1
1590,1
0
0
0
Emerita brasiliensis
125,8
752,4
376,6
0
0
0
Eurydice littoralis
0
0
0
301,5
0
0
Euzonus furciferus
673,1
314,7
614,2
139,4
0
0
Excirolana armata
9784
10197,7
9029
11149,3
11886,6
11779,8
Excirolana braziliensis
0
0
0
0
0
0
Grubeulepis mexicana
0
0
0
0
0
0
Hastula cinerea
0
0
0
0
0
0
Hemipodia californiensis
0
0
376,6
480,8
828
0
Lepidopa richmondi
0
0
0
0
0
276
Macrochiridotea giambiageae
125,8
125,8
624,2
0
0
0
Megalopa (Decapoda)
0
0
0
0
0
0
Mesodesma mactroides
1165,5
2659,1
7166,3
0
0
0
Metamysidopsis neritica
7445,3
8856,9
3246,3
0
0
0
Nemertea
0
125,8
0
301,5
0
157,5
Ogyris sp.
0
0
0
0
301,5
276
Onuphidae
0
0
0
0
0
0
Orbinia sp.1
0
0
125,8
2431,9
1602
2808
Phoxocephalopsis sp.
45550,4
86783,5
51955,2
14476
9510
6869
Platorchestia monodi
0
0
0
0
0
0
Scolelepis goodbodyi
31485,9
73729,5
18752,5
479037,5
226766,8
401145,7
Sigalion cirriferum
125,8
250,8
250,8
301,5
0
0
Talorchestia tucuaruna
728
1456
2576
0
202,8
1356,2
Tholozodium rhombofrontalis
256120,3
300467,7
288033,9
83142,9
89866,5
84376,7
74Anexo 2: Lista das espécies e as respectivas abundâncias lineares (ind/m) presentes nos três transectos (A, B e C) coletados em
Peças Sul (ps) no inverno (inv) e verão (ver).
Espécies
A_ps_inv
Aricidea fragilis
200
Atlantorchestoidea brasiliensis
0
Austinixa patagoniensis
0
Bathyporeiapus ruffoi
14749,3
Bledius hermani
0
Bledius bonariensis
0
Bowmaniella brasiliensis
0
Colembola
0
Coleoptera
0
Corophium acherusicum
0
Dispio remanei
227,6
Donax (juvenil)
0
Donax gemmula
1283,7
Donax hanleyanus
560,5
Emerita brasiliensis
0
Eurydice littoralis
0
Euzonus furciferus
10126,8
Excirolana armata
7009,4
Excirolana braziliensis
0
Grubeulepis mexicana
0
Hastula cinerea
0
Hemipodia californiensis
787,1
Lepidopa richmondi
0
Macrochiridotea giambiageae
2609
Megalopa (Decapoda)
0
Mesodesma mactroides
288,6
Metamysidopsis neritica
0
Nemertea
212,3
Ogyris sp.
0
Onuphidae
0
Orbinia sp.1
0
Phoxocephalopsis sp.
62902,1
Platorchestia monodi
0
Scolelepis goodbodyi
272899,8
Sigalion cirriferum
0
Talorchestia tucuaruna
1779,4
Tholozodium rhombofrontalis
21542
B_ps_inv
0
0
0
39216,1
0
0
0
0
0
0
0
0
1344,7
448,4
0
0
7901,9
7313,5
0
0
0
439,9
0
2920,4
0
227,6
0
0
0
0
0
94080,2
0
76221,3
0
0
26442,5
C_ps_inv
50
0
50
54704,9
0
0
0
0
0
0
227,6
0
500,9
224,2
50
0
5122,2
6500,4
0
0
0
212,3
0
2770,8
0
1776,2
0
854,8
0
0
50
44921,8
0
110412,4
227,6
3501,4
23510,6
A_ps_ver
0
0
0
124
76,1
0
0
0
0
0
0
0
335,4
77,9
0
0
177,7
7007,5
0
0
0
298,5
0
0
0
0
0
380,8
0
0
917,7
9181,9
0
728561,1
0
3827,2
51498,2
B_ps_ver
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
248
0
190,4
0
0
0
790,6
5324,1
0
0
0
443,5
0
124
0
0
0
438,4
0
0
580
13185,9
0
451410,2
0
1539,2
55990
C_ps_ver
0
0
0
190,4
76,1
0
190,4
0
0
90,9
620
0
190,4
0
0
0
90,9
5407,5
0
0
0
190,4
145
248
0
0
246,9
414
0
0
1298,5
5682,6
0
586187,1
190,4
499,2
58771,8
75Anexo 3: Lista das espécies e as respectivas abundâncias lineares (ind/m) presentes nos três transectos (A, B e C) coletados em
Superagüi Norte (sn) no inverno (inv) e verão (ver).
Espécies
A_sn_inv
B_sn_inv
Aricidea fragilis
0
0
Atlantorchestoidea brasiliensis
50,5
0
Austinixa patagoniensis
0
0
Bathyporeiapus ruffoi
49168
32129
Bledius hermani
2426,5
528
Bledius bonariensis
0
0
Bowmaniella brasiliensis
121
0
Colembola
0
0
Coleoptera
0
0
Corophium acherusicum
50,5
0
Dispio remanei
0
0
Donax (juvenil)
0
0
Donax gemmula
1496
1674
Donax hanleyanus
2875,5
1402,5
Emerita brasiliensis
0
0
Eurydice littoralis
0
0
Euzonus furciferus
736
2574,5
Excirolana armata
7493,5
7251,5
Excirolana braziliensis
0
0
Grubeulepis mexicana
0
0
Hastula cinerea
420
439
Hemipodia californiensis
0
0
Lepidopa richmondi
0
0
Macrochiridotea giambiageae
121
0
Megalopa (Decapoda)
0
0
Mesodesma mactroides
833,5
1140,5
Metamysidopsis neritica
862,5
1544,5
Nemertea
0
0
Ogyris sp.
0
0
Onuphidae
210
0
Orbinia sp.1
0
0
Phoxocephalopsis sp.
27251
23511
Platorchestia monodi
1033
0
Scolelepis goodbodyi
38468,5
113074,5
Sigalion cirriferum
2281,5
242
Talorchestia tucuaruna
0
0
Tholozodium rhombofrontalis
862
635,5
C_sn_inv
0
0
0
16381,5
7161
0
0
137
95,5
0
0
0
2437
493
0
0
4592,5
5797,5
0
0
219,5
0
162,5
0
0
798
404,5
550,5
0
0
0
33285,5
0
145870,5
0
0
272
A_sn_ver
656,2
0
246,3
0
790,4
0
984,3
0
0
0
0
985,2
10134
181,6
0
0
1512,9
3156,6
0
0
340,8
498,2
947,6
0
0
0
602
2414,2
0
0
0
13804,9
0
385964,7
0
0
3106
B_sn_ver
0
55,5
0
0
832,5
0
0
0
0
0
0
1365
5591,9
544,8
0
0
921,9
3386,1
0
246,3
340,8
1022,4
0
0
0
0
2088,7
1312,4
0
0
0
12691,7
0
442378,8
0
0
7754,5
C_sn_ver
0
0
0
0
1831,5
0
1793,2
0
0
0
340,8
1118,7
6153,3
1612,3
157,4
0
1549,9
6198,3
0
0
0
314,8
0
0
0
0
328,1
1981,3
0
0
0
14210,7
0
448483,1
0
0
5444,9
76Anexo 4: Lista das espécies e as respectivas abundâncias lineares (ind/m) presentes nos três transectos (A, B e C) coletados em
Superagüi Sul (ss) no inverno (inv) e verão (ver).
Espécies
A_ss_inv
Aricidea fragilis
0
Atlantorchestoidea brasiliensis
198,6
Austinixa patagoniensis
0
Bathyporeiapus ruffoi
8713
Bledius hermani
9515,1
Bledius bonariensis
0
Bowmaniella brasiliensis
0
Colembola
0
Coleoptera
0
Corophium acherusicum
0
Dispio remanei
0
Donax (juvenil)
0
Donax gemmula
1937
Donax hanleyanus
296,3
Emerita brasiliensis
0
Eurydice littoralis
0
Euzonus furciferus
8180,6
Excirolana armata
1268,2
Excirolana braziliensis
0
Grubeulepis mexicana
0
Hastula cinerea
265
Hemipodia californiensis
164
Lepidopa richmondi
197,8
Macrochiridotea giambiageae
0
Megalopa (Decapoda)
80,3
Mesodesma mactroides
0
Metamysidopsis neritica
11291,3
Nemertea
265
Ogyris sp.
0
Onuphidae
0
Orbinia sp.1
0
Phoxocephalopsis sp.
18168,1
Platorchestia monodi
64
Scolelepis goodbodyi
61676,3
Sigalion cirriferum
167
Talorchestia tucuaruna
0
Tholozodium rhombofrontalis
86,8
B_ss_inv
0
0
0
14676,2
6176
0
167
0
0
0
0
0
864
609,2
0
0
7491,6
1058,2
0
0
0
0
111
0
0
0
17829,7
501
0
0
0
25670,7
32
66526,8
111
0
0
C_ss_inv
0
131,4
0
10540,2
8694,2
0
0
0
0
0
0
0
1030
936
0
0
4210,2
1502,5
65,7
0
694
265
197,8
0
0
0
7223
1060
0
0
0
24522,4
0
74258
0
0
80,3
A_ss_ver
0
0
0
0
134,6
0
5855,6
0
0
0
1034,1
197,9
7356,3
263,7
0
0
5663,3
1635,6
0
0
617,2
1201,2
403,8
0
0
0
257,2
308,6
800,8
0
0
25060
0
444531,3
0
0
330,3
B_ss_ver
233,3
0
0
0
0
0
4437,6
0
0
0
800,8
1622,5
8230,9
117,1
0
0
5565,9
749,7
0
0
1017,6
0
1017,6
0
0
0
0
400,4
0
0
0
18569,3
0
543422,9
0
0
653,8
C_ss_ver
233,3
0
0
0
0
0
6131
0
0
0
400,4
1444,6
9207,7
146,6
0
0
3985,9
1869,8
0
0
966,2
1034,1
823
0
0
0
330,3
0
308,6
0
0
11994,9
0
420986,8
0
0
594
77