“Eu comecei a tocar piano antes mesmo de aprender a escrever, aos três anos.

Minha mãe era professora de piano e eu sentia aquela atração que a maioria das crianças sentem pelos instrumentos musicais.

Comecei meu aprendizado ali e depois segui, pelo resto da minha vida, apaixonado por tocar.

Fiz faculdade de música e queria fazer disto a minha profissão.

Uma das formas que achei de ter estabilidade, ao mesmo tempo que mantinha a vida de músico, foi de entrar na Força Aérea.

Fiz o concurso e consegui entrar como Sargento Músico.

Foram ótimos anos, conheci pessoas muito legais, porém me sentia inquieto.

Parecia que a música pedia mais de mim.

Eu queria ter mais experiências musicais, conhecer outros estilos e outras escolas.

Resolvi abandonar a segurança da minha carreira e me aventurar por outros lugares.

Muitos acharam que eu estava maluco, porém eu sentia aquela necessidade dentro de mim.

A estabilidade e a segurança não compensavam mais aquela inquietude que eu estava sentindo.

Foi aí que parti para a Europa.

A partir daí foram somente minhas habilidades como músico que colocaram comida na mesa.

Fosse tocando ou dando aulas, era no que eu podia confiar.

E aqui eu quero dividir com você uma coisa.

Fico até mesmo um pouco sem jeito de contar isso.

Mas foi o meu ponto de virada, onde comecei a pensar em uma forma diferenciada de ensinar.

Porque, apesar de eu ser um cara formado, extremamente técnico e saber ler partituras, muitas vezes perdi trabalhos para músicos que não sabiam nada de partitura.

Porém eram músicos reconhecidos e que tocavam muito bem, com o coração.

Eles foram aprendendo para tocar as músicas de que gostavam e assim foram se desenvolvendo.

E foi aí que vi a importância de criar um método único, que não fosse somente técnico e sim que ensinasse o aluno a tocar, desde o primeiro dia.”

- Maestro Hélio Moreira